Operação da Polícia Federal resulta na prisão de familiares de Marcinho VP no Rio de Janeiro

Redação Rádio Plug
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Foto: transparência

A empresária Márcia Gama Nepomuceno, esposa do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno — conhecido popularmente como Marcinho VP — e mãe do rapper Oruam, foi alvo de uma prisão efetuada pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Backbone. A ação policial foi deflagrada para desarticular uma rede criminosa estruturada e vinculada ao Comando Vermelho no estado do Rio de Janeiro.

No decorrer da mesma operação, as forças de segurança também efetuaram a prisão de outro filho do casal, Lucas dos Santos Nepomuceno. Os mandados cumpridos contra eles fazem parte de um total de 23 ordens de prisão preventiva expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Após a captura, ambos foram encaminhados diretamente para a sede da Superintendência da Polícia Federal, situada na capital fluminense.

Até o início da tarde do mesmo dia, os registros da corporação apontavam o cumprimento de 20 mandados de prisão no total. Esse montante inclui uma ordem direcionada ao próprio Marcinho VP, que atualmente cumpre pena em regime fechado na Penitenciária Federal de Campo Grande, localizada no estado de Mato Grosso do Sul. Vale destacar que o detento completou três décadas de reclusão no sistema prisional.

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades federais, o grupo investigado exercia o controle monopolista sobre a distribuição e o fornecimento de serviços de internet e telecomunicações em importantes complexos de favelas da região metropolitana. Entre as áreas afetadas pela atuação do bando estão o Complexo do Alemão, na Penha, e o Complexo do Chapadão, com ramificações que alcançam bairros da Zona Norte como Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe.

As apurações conduzidas até o momento indicam que o esquema criminoso utilizava empresas provedoras de serviços como fachada e ferramenta para realizar a lavagem do capital obtido por meio de atividades ilícitas. A magnitude financeira da rede levou a Justiça a determinar o bloqueio de bens e valores que chegam a somar até R$ 558 milhões, atingindo diretamente um grupo composto por 40 pessoas físicas e 42 empresas suspeitas de envolvimento com a organização.

Posicionamento das defesas

Procurado para comentar a situação jurídica de sua cliente, o advogado Flávio Fernandes, responsável pela defesa de Márcia Gama Nepomuceno, declarou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo e das investigações, razão pela qual preferiu não emitir um juízo definitivo sobre a legalidade da prisão.

Em declaração concedida por meio de mensagem de áudio, o defensor pontuou que a apuração recai sobre empresas apontadas como fornecedoras de sinais clandestinos de televisão e internet, cujos lucros seriam repassados a familiares de investigados. No entanto, o advogado negou de forma categórica qualquer tipo de ligação entre Márcia e as empresas investigadas no esquema.

“O que a gente sabe é que se trata de uma investigação, acredito que não seja processo, que investiga empresas que forneceriam sinais clandestinos de TV, de internet e que essas empresas repassariam valores para familiares da minha cliente”, pontuou o defensor, reforçando que atua exclusivamente na representação legal de Márcia Nepomuceno.

“Márcia não tem nenhum envolvimento com empresas deste tipo de atuação. As empresas com o nome da Márcia são todas legalizadas. Ela emite notas, está em dia com o fisco, com as obrigações na Receita Federal. Essas empresas aí, Márcia desconhece. Não tem envolvimento com qualquer tipo de empresa clandestina de fornecimento de sinal de internet”, complementou o advogado durante o contato com a imprensa. Até o encerramento desta matéria, a reportagem não obteve retorno da defesa de Lucas dos Santos Nepomuceno.

Buscas, apreensões e bloqueios econômicos

Além das ordens de prisão preventiva, a operação comandada pelo Supremo Tribunal Federal mobilizou equipes para o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão. As diligências foram cumpridas em endereços situados na capital do estado, além de municípios da Baixada Fluminense como Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé. A ação também alcançou a cidade de Teresópolis, na Região Serrana, e o município de Maricá, na Região Metropolitana.

“Parte dos mandados de prisão será cumprida no sistema prisional, inclusive em unidade do Sistema Penitenciário Federal”, detalhou a corporação policial em nota oficial distribuída à imprensa. A operação também determinou a interrupção imediata das atividades econômicas de diversas pessoas jurídicas, abrangendo desde provedores clandestinos de internet e produtoras de eventos até empresas de contabilidade e firmas de fachada empregadas para ocultar o patrimônio da facção.

A Operação Backbone integra os esforços operacionais da Força-Tarefa Missão Redentor II, uma iniciativa estratégica coordenada diretamente pela Polícia Federal com o propósito de desarticular o crime organizado no Rio de Janeiro, seguindo estritamente as diretrizes estabelecidas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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