Sanepar trata bilhões de litros de esgoto e melhora qualidade dos rios no Paraná

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Parana.pr.gov.br

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) desempenhou um papel fundamental na preservação ambiental do estado ao evitar que quase 457 bilhões de litros de esgoto fossem despejados diretamente na natureza ao longo de 2025. Esse volume expressivo refere-se ao tratamento de 100% do esgoto recolhido nas localidades atendidas pela empresa, um avanço que impacta diretamente na recuperação e na melhoria contínua da qualidade das bacias hidrográficas paranaenses.

Os dados sobre esse progresso constam no relatório de desenvolvimento sustentável divulgado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Entre os principais indicadores monitorados está o Índice de Qualidade das Águas (IQA). Na edição mais recente do levantamento, 87% dos 172 pontos avaliados no estado foram classificados com boa qualidade. O percentual representa um crescimento de seis pontos percentuais em comparação com o estudo anterior, publicado em 2022, quando o índice era de 81%.

“O número reflete a melhora na eficiência do tratamento de esgoto urbano, também confirmada pela ampliação da infraestrutura”, destaca o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.

Ampliação da cobertura e investimentos futuros

O avanço no saneamento do estado também é visível na expansão da rede coletora. Atualmente, a área sob a responsabilidade da Sanepar conta com uma cobertura de 82,9% de esgoto coletado e tratado. O índice paranaense supera com folga a média nacional, que se estabelece em 62,3%, conforme dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa). No ano de 2022, o índice estadual estava em 78,9%.

Para manter o ritmo de crescimento e acelerar o alcance da universalização dos serviços básicos, a companhia planeja aplicar cerca de R$ 13 bilhões em investimentos até o ano de 2030.

Inovação e preservação com o programa Água Segura

Segundo a gerente de Recursos Hídricos da Sanepar, Ester Amélia Assis Mendes, a missão da empresa vai além do tratamento básico, buscando assegurar o saneamento de forma sustentável e inovadora. A estratégia é respaldada por um modelo preditivo de inteligência hídrica que dialoga diretamente com os indicadores ambientais mapeados pelo Ipardes através do programa Água Segura.

O conjunto de medidas adotadas visa fortalecer a resiliência hídrica — ou seja, a capacidade dos rios em resistir a períodos prolongados de seca sem perder o equilíbrio ecológico —, agindo na prevenção de riscos e na mitigação de vulnerabilidades ambientais.

Apesar dos números positivos na qualidade geral das águas, o levantamento aponta que 13% dos locais analisados ainda apresentam classificação “razoável” (9%) ou “ruim” (4%). Para enfrentar esses focos de contaminação, a iniciativa Água Segura aplica uma metodologia baseada em múltiplas barreiras.

Entre as frentes de atuação estão a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o controle rigoroso de erosão e turbidez da água, o manejo sustentável do solo e o uso do Fundo Azul. Esta última ferramenta consiste em bonificar financeiramente agricultores que protegem ativamente nascentes e matas ciliares localizadas nas bacias de mananciais.

Gestão de áreas críticas e resposta rápida

O diagnóstico formulado pelo Ipardes também acendeu alertas para bacias hidrográficas específicas, como Piquiri, Baixo Iguaçu, Alto Ivaí e Baixo Tibagi. Essas regiões concentram rios que apresentam potenciais conflitos pelo uso da água ou riscos de contaminação subterrânea.

Diante desse cenário, o programa Água Segura tem aprimorado ferramentas de resposta rápida para monitorar pontos críticos. Isso inclui o disparo automático de alertas e a ativação de planos emergenciais voltados a mananciais e poços sob estresse hídrico.

“A Sanepar está desenvolvendo o Protocolo de Atendimento Rápido (PAR), além do sistema NOAH (Navegador Operacional de Avaliação Hídrica), para gerar Mapas de Calor/Riscos georreferenciados”, pontua Ester.

Consumo setorial e prioridades urbanas

O relatório do Ipardes detalha ainda como a água é utilizada em quatro grandes setores: abastecimento público, indústria, agricultura e pecuária. Os maiores volumes consumidos para o abastecimento da população concentram-se nas regiões do Alto Iguaçu (75%), Baixo Tibagi (54%) e na Região Litorânea (51%).

Embora o programa Água Segura abranja todo o território paranaense, a prioridade de execução é direcionada aos grandes centros urbanos e sistemas integrados que registram alta demanda hídrica. Entre eles destacam-se o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (SAIC), além de Londrina, Cambé, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, Matinhos, Pontal do Paraná e Guaratuba.

“As ações da Sanepar funcionam como tradução operacional e de prevenção direta dos diagnósticos apresentados pelo Ipardes. A convergência entre o mapeamento das vulnerabilidades estaduais e a gestão de riscos em todas as etapas da cadeia de abastecimento assegura a resiliência dos sistemas, a preservação dos mananciais paranaenses e a garantia da saúde pública”, conclui a gerente.

Sobre a publicação

A edição 2026 dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável por Bacias Hidrográficas do Estado do Paraná consolida informações socioeconômicas e ambientais fundamentais para orientar pesquisas, o planejamento governamental e a formulação de políticas públicas. A publicação utiliza mapas, tabelas e gráficos para fornecer uma leitura abrangente do território estadual, visando impulsionar o desenvolvimento sustentável.

Na vertente ambiental, o cálculo do IQA tem como base as amostras coletadas em 172 pontos de monitoramento espalhados pelo estado, seguindo os parâmetros estabelecidos pelo Instituto Água e Terra (IAT).

Fonte:: parana.pr.gov.br

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