Paraná estrutura gabinetes de crise coordenados por bombeiros para enfrentar eventos climáticos extremos

Redação Rádio Plug
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seguranca.pr.gov.br

O governo paranaense intensificou os preparativos para lidar com intempéries severas por meio de uma estratégia que envolve a criação de estruturas de atendimento descentralizadas. A medida, formalizada pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) por meio da Resolução nº 562/2026, estabelece a implantação dos Gabinetes de Gestão Integrada Locais (GGI Locais). Essas unidades serão coordenadas diretamente pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) com o objetivo de unificar a atuação de diferentes esferas do poder público nos municípios que enfrentarem situações de emergência.

A urgência do planejamento é impulsionada pelos prognósticos do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Os dados indicam que os reflexos do fenômeno El Niño permanecerão atuantes no território paranaense até os primeiros meses de 2027, mantendo-se classificados no nível de intensidade “muito forte” até o final do primeiro trimestre. Diante desse cenário, o objetivo principal é blindar a infraestrutura urbana e rural, garantir a continuidade dos serviços essenciais e preservar a integridade dos cidadãos.

Atuação descentralizada

Conforme o planejamento estratégico, os GGI Locais vão atuar como verdadeiros polos de articulação em áreas atingidas por desastres. A liderança dos trabalhos caberá ao comandante da unidade operacional do Corpo de Bombeiros da respectiva região, que fará a interlocução com os demais órgãos necessários. A estrutura tem flexibilidade para ser ativada tanto em cidades que já contam com quartéis fixos da corporação quanto naquelas desprovidas de bases permanentes.

O gatilho para a ativação não se restringe puramente ao volume de chamados recebidos via central de emergência. O comitê pode ser acionado sempre que um evento adverso provocar impactos transversais na comunidade, a exemplo de blecautes prolongados, desabastecimento de água potável, colapso em pontes e rodovias, necessidade de resgates complexos ou remoção de famílias desalojadas.

Uma vez ativados, os gabinetes concentram o fluxo de informações, mapeiam as demandas mais urgentes e otimizam a aplicação dos recursos disponíveis. O modelo opera em sintonia com o comando-geral da corporação e, caso a magnitude do evento supere a capacidade local, o Gabinete de Gestão Integrada em nível estadual também pode ser acionado para prestar suporte adicional.

Esforço conjunto e multissetorial

Para o titular da SESP, coronel Hudson Leôncio Teixeira, antecipar-se aos impactos meteorológicos é indispensável para mitigar danos à população. “Precisamos estar em prontidão para responder a situações que podem afetar diferentes municípios e comprometer serviços essenciais. A integração entre as instituições fortalece a capacidade do Paraná de enfrentar esses desafios e de trabalhar para proteger a população e recuperar a normalidade nas áreas atingidas”, pontua o secretário.

A força-tarefa mobiliza as cinco instituições de segurança do Estado — CBMPR, Polícia Militar (PMPR), Polícia Civil (PCPR), Polícia Penal (PPPR) e Polícia Científica (PCIPR) —, que atuam de forma complementar. Enquanto os bombeiros conduzem buscas e salvamentos, a Polícia Militar garante a segurança de perímetros evacuados, e órgãos rodoviários como o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) gerenciam o fluxo de tráfego e o acesso às zonas afetadas.

A atuação prática já demonstrou resultados em episódios recentes, como no município de Laranjeiras do Sul, na Região Centro-Sul, onde o uso de mão de obra de 27 pessoas privadas de liberdade foi mobilizado para auxiliar na reconstrução de escolas e estruturas públicas danificadas por temporais.

Além das forças de segurança, o decreto determina a participação obrigatória de representantes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Sanepar, Copel, Instituto Água e Terra (IAT), Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec) e Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Dependendo da complexidade do desastre, o Exército Brasileiro e concessionárias de serviços públicos também podem ser integrados à força-tarefa.

Capacitação e prevenção

O comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, ressalta que a sinergia entre os órgãos evita a duplicidade de esforços. “Em uma situação complexa, é fundamental que cada instituição saiba quais são as demandas mais urgentes e de que forma pode ajudar. Quando os responsáveis se reúnem para avaliar o cenário e alinhar as ações, fica mais fácil identificar os recursos disponíveis e direcionar o apoio para onde ele é mais necessário”, enfatiza.

A estruturação dos comitês é o ápice de uma série de etapas preventivas iniciadas meses antes, que incluíram reuniões técnicas, treinamentos operacionais, simulados de mesa para testar fluxos de decisão e a formação de novos membros para a Força-Tarefa de Resposta a Desastres da corporação.

Estatísticas do CBMPR apontam que, entre o início de agosto e o final de outubro, foram registrados 1.565 atendimentos com potencial relação com eventos meteorológicos, englobando desde cortes de árvores e ações de busca até desastres de maior proporção.

Diante do cenário de instabilidade climática, as autoridades reforçam recomendações fundamentais para a população:

  • Cadastre-se nos alertas: Envie o CEP por mensagem de texto (SMS) para o número 40199 para receber avisos preventivos da Defesa Civil.
  • Bolsa de emergência: Tenha sempre à mão documentos, medicamentos de uso contínuo e itens essenciais caso seja preciso deixar o imóvel rapidamente.
  • Aja com antecedência: Ao notar riscos iminentes de inundação, desloque-se para zonas seguras sem aguardar a água atingir o interior da residência.
  • Atenção a encostas: Ruídos no solo ou movimentações de terra indicam risco de deslizamento. Afaste-se imediatamente da área.
  • Siga as autoridades: Respeite rigorosamente as interdições e as orientações repassadas pelas equipes de resgate e Defesa Civil.

Em caso de qualquer emergência, o cidadão deve acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros por meio do telefone 193.

Fonte:: seguranca.pr.gov.br

Anúncios
Compartilhe este artigo