O panorama econômico brasileiro apresenta sinais claros de aquecimento no setor de abastecimento doméstico. Um balanço divulgado recentemente pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) aponta que o consumo nos lares do país registrou um crescimento de 2,7% no acumulado de janeiro até setembro, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
De acordo com o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, a trajetória positiva tem se mantido constante ao longo dos meses. O cenário evidencia a resiliência das famílias brasileiras, que buscam equilibrar as despesas básicas com os demais compromissos financeiros do orçamento doméstico. O resultado consolidado até o mês de setembro demonstra a consolidação desse ritmo de compras na ponta final da cadeia.
Impacto positivo no setor alimentício após restrição aos jogos online
Um dos pontos de destaque na avaliação da entidade diz respeito aos reflexos da proibição das chamadas bets. Para a associação, a medida exerceu influência direta e benéfica sobre o comportamento do consumidor, direcionando recursos antes comprometidos com apostas para a aquisição de itens essenciais.
Os números apresentados pela entidade mostram que o volume de vendas de produtos alimentícios apresentou um salto expressivo logo após a implementação da medida restritiva. Entre os dias 5 e 11 de outubro, a alta foi de 6,5%. O movimento de alta continuou na semana seguinte, registrando um incremento de 6,3% entre os dias 12 e 18 de outubro. Ambas as marcas foram comparadas com os mesmos intervalos temporais do ano passado.
Durante a divulgação dos dados, o dirigente também comentou sobre reflexos de debates legislativos recentes, a exemplo da discussão em torno do fim da escala 6×1 e da consequente redução da jornada de trabalho para o funcionalismo da cadeia produtiva. A entidade relembrou o papel estratégico desempenhado pelos supermercados durante o período da pandemia, reforçando a classificação da atividade como essencial. A preocupação atual do setor reside na necessidade de que novas legislações que afetem todos os elos da cadeia produtiva sejam calibradas para evitar qualquer tipo de desorganização no sistema nacional de abastecimento.
Mercado de trabalho robusto impulsiona o poder de compra das famílias
O avanço no consumo interno encontra respaldo direto nos indicadores recentes do mercado de trabalho brasileiro, avaliados como bastante favoráveis pela instituição. Os dados oficiais apontam que a taxa de desocupação recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto o número de pessoas ocupadas alcançou a marca de 103,5 milhões de trabalhadores, configurando o maior contingente da série histórica para o setor.
Outro vetor que tem garantido fôlego ao poder de compra da população é o comportamento da renda. O rendimento médio real habitualmente recebido em todas as ocupações chegou a R$ 3.777, o que representa um acréscimo de 3,7% frente ao apurado em igual intervalo de 2025. Paralelamente, a massa de rendimento real habitual bateu recorde ao atingir R$ 385,6 bilhões, expansão de 4,8% na comparação anual, o que injetou o equivalente a R$ 17,5 bilhões adicionais na economia.
Além da força do emprego formal e da renda, o relatório da Abras pontua a importância de injeções financeiras complementares na economia popular. Foram citados o programa Bolsa Família, que repassou R$ 13,04 bilhões para cerca de 19,3 milhões de famílias no mês de setembro, e a liberação de R$ 3,22 bilhões pelo Conselho da Justiça Federal destinada aos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), contemplando mais de 278 mil beneficiários. O cenário de liquidez também foi favorecido pela liberação de mais de meio milhão de restituições do Imposto de Renda.
Fonte:: bemparana.com.br


