Nikão aponta ausência de Petraglia como fator crucial para queda do Athletico

Redação Rádio Plug
6 min. de leitura
Presidente do Athletico, Mario Celso Petraglia ...

O meia Nikão afirmou que o Athletico não teria sido rebaixado para a Série B em 2024 caso o presidente Mario Celso Petraglia estivesse presente no dia a dia do clube. Em entrevista exclusiva ao canal Trétis, o jogador detalhou os bastidores da campanha desastrosa que culminou no descenso do Furacão e destacou a forte liderança exercida pelo dirigente.

Segundo o atleta, a instabilidade no comando técnico e a falta de proximidade da presidência pesaram negativamente ao longo do ano. Para Nikão, a cobrança rigorosa exercida por Petraglia, que atinge desde os funcionários mais simples até os principais nomes do elenco, faz falta na rotina da instituição. O jogador ressaltou que a vida do dirigente é dedicada ao clube paranaense.

Os problemas de saúde de Petraglia se intensificaram em setembro de 2019, quando o cartola passou por uma cirurgia de emergência no intestino devido a uma obstrução. A complicação o impediu de viajar a Porto Alegre para acompanhar a conquista inédita da Copa do Brasil contra o Internacional, no Beira-Rio.

O quadro clínico evoluiu para complicações pós-operatórias graves, incluindo uma fístula intestinal que exigiu transferência imediata para São Paulo. No Hospital Vila Nova Star, o presidente passou por novas intervenções cirúrgicas em curto espaço de tempo até receber alta após 47 dias de internação.

Anos mais tarde, em 2023, o dirigente enfrentou novos procedimentos para corrigir sequelas das cirurgias anteriores, culminando em um afastamento temporário da presidência por tempo indeterminado. Embora tenha retornado ao cargo no final daquele ano e tentado manter proximidade com as atividades no CT do Caju e na Ligga Arena em 2024, as orientações médicas limitaram sua participação contínua, coincidindo com um período de instabilidade esportiva do time.

Nikão participou do rebaixamento do Furacão em 2024. (Foto: Heuler Andrey/Imago)

Bastidores revelam desgaste físico de atletas e cobrança interna

Fazendo uma autocrítica sobre o rebaixamento, Nikão admitiu que carrega sua parcela de responsabilidade, mas pontuou que os principais ídolos do elenco — além dele próprio, o zagueiro Thiago Heleno, o volante Fernandinho e o atacante Pablo — foram os mais marcados negativamente pela queda histórica.

Durante a entrevista, o meia confirmou um episódio delicado nos bastidores da reta decisiva da temporada: um dos defensores do grupo teria se recusado a entrar em campo, o que obrigou Thiago Heleno a atuar mesmo sob condições físicas desfavoráveis e com dores decorrentes de lesões.

“O Thiago jogou alguns jogos machucado. É verdade [que teve zagueiro que pediu para não jogar]. Não vou falar quem é, mas eu tava do lado”, declarou o jogador ao confirmar a informação levantada pelos jornalistas responsáveis pela entrevista.

Thiago Heleno entrou em campo machucado durante a temporada 2024. (Foto: Anderson Romão/AGIF/Sipa USA/Icon Sport)

Com o rebaixamento consumado, a diretoria optou pela reformulação e encerramento dos ciclos dos quatro atletas históricos. Contudo, Nikão revelou que possuía entendimentos avançados para estender seu vínculo com o Furacão para a temporada de 2025.

“Eu tinha um acordo com o Athletico. Se a gente permanecesse na Série A, era pra continuar. Já tinha esse acordo, conversado com o Lara e o Lucho. Não com o presidente porque ele não estava todos os dias. Depois que aconteceu, aí não fui mais procurado por ninguém. Acabou meu contrato com o Athletico e também acabou meu contrato com o São Paulo. Após a queda, ninguém me procurou e não tive nenhuma conversa com o clube em cima disso”, explicou.

Retorno frustrado e idolatria intacta no Furacão

Com uma trajetória marcada por títulos expressivos, incluindo o bicampeonato da Copa Sul-Americana (2018 e 2021) — sendo autor do gol decisivo na final contra o Red Bull Bragantino —, além da Copa do Brasil de 2019 e estaduais, Nikão ocupa o quarto lugar na galeria de atletas com mais partidas disputadas pelo clube, somando 343 jogos.

O retorno em abril de 2024, após passagens apagadas por São Paulo e Cruzeiro, gerou grande expectativa na torcida, mas terminou em um desfecho oposto ao planejado.

“Para mim, naquele momento, quando eu recebi o convite, não pensei duas vezes por tudo que tinha sido construído dentro do clube e o que a gente tinha vivido naqueles sete anos. Sempre deixei claro que o Athletico foi a minha casa. Eu sempre conversava com o presidente, a gente estava sempre em contato”, rememorou.

Apesar da frustração com o rebaixamento, o meia assegurou que não guarda arrependimentos sobre a decisão de retornar a Curitiba para defender novamente as cores rubro-negras, compreendendo os episódios como circunstâncias imprevisíveis do futebol.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo