Falsa entrevista de emprego foi usada por hackers em invasão à Binance

Redação Rádio Plug
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Plataforma afirma que engenheiro da empresa tev...

A Binance divulgou novos detalhes na terça-feira (3.nov.2026) sobre a invasão cibernética sofrida pela corretora de criptoativos, informando que os responsáveis pelo furto de US$ 6,3 bilhões utilizaram falsas entrevistas de emprego para induzir engenheiros de software da companhia a instalarem códigos maliciosos em suas máquinas.

De acordo com as investigações internas apresentadas pela empresa em nota oficial, o incidente não se resumiu a uma falha isolada ou a uma tentativa simples de phishing. Os criminosos combinaram múltiplas abordagens avançadas, incluindo o recrutamento simulado e o direcionamento de downloads comprometidos.

A investigação ganhou tração internacional quando, no sábado (31.out), o FBI atribuiu o ataque ao governo da Coreia do Norte e ao grupo de hackers conhecido como TraderTraitor. Em resposta, representantes norte-coreanos negaram veementemente qualquer envolvimento, classificando a acusação da agência americana como uma retórica sem fundamento.

Cronograma da engenharia social

A mecânica da invasão começou a se desenhar meses antes do roubo bilionário. Em junho, os sistemas de segurança da própria corretora detectaram que um engenheiro havia baixado um software adulterado. O equipamento foi imediatamente substituído, mas a empresa apurou que, naquele momento, a função do colaborador e de colegas da equipe de infraestrutura de carteiras já havia sido exposta aos invasores.

Meses depois, em setembro, outro engenheiro da Binance foi contatado através de uma plataforma de busca de empregos. O contato inicial partiu de um golpista que se passava por diretor de projetos de uma organização fantasma. Para construir uma relação de confiança sólida, o falso recrutador compartilhou perfis em redes sociais contendo fotos e vídeos pessoais legítimos durante o processo seletivo simulado, uma tática descrita pela corretora como um nível inédito de sofisticação em engenharia social.

Posteriormente, em uma segunda etapa de entrevistas mediada por um aplicativo de mensagens com uma suposta diretora-executiva da empresa fictícia, o engenheiro foi orientado a realizar o download de um arquivo que faria parte de uma tarefa técnica do processo. O arquivo continha um malware altamente especializado que burlou as barreiras de detecção.

O código malicioso empregou técnicas avançadas de ofuscação, substituindo componentes legítimos de ferramentas de desenvolvimento por versões modificadas. Isso permitiu que os invasores executassem comandos remotos, estabelecessem comunicação com servidores externos e utilizassem as ferramentas internas de inteligência artificial da plataforma para assumir o controle de sistemas críticos.

Como resposta imediata à brecha de segurança, a corretora reestruturou completamente seus sistemas de carteiras e ferramentas de inteligência artificial, além de contratar especialistas externos em cibersegurança para mitigar novos riscos.

Retomada gradual dos saques

Na madrugada desta quinta-feira (5.nov), a Binance anunciou a ampliação do processo de retomada dos serviços de retirada de criptoativos. As liberações de dezenas de ativos em diferentes redes blockchain começaram a ser implementadas de maneira gradual a partir das 4h, no horário de Brasília.

A companhia enfatizou que os ativos não voltarão a ficar disponíveis simultaneamente. Cada combinação específica de criptomoeda e rede passa por checagens rigorosas de segurança antes de ter as operações normalizadas para os clientes.

Entre as redes contempladas na nova fase de liberação estão Ethereum (ETH), BNB Smart Chain (BSC), Base, Tron (TRX), Polygon (MATIC) e Sui. Tokens e criptoativos como UNI, AAVE, PAXG, FLOKI, SAND, ENS e GRT também integram o grupo de ativos com saques restabelecidos nesta etapa.

A instituição destacou que a priorização dos ativos segue o volume de demanda registrado pelos usuários ao longo da última semana. Outras moedas digitais serão reincorporadas à plataforma à medida que os protocolos de verificação sejam concluídos com sucesso. Enquanto isso, as operações de depósito seguem operando normalmente em toda a corretora.

Fonte:: poder360.com.br

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