Boletim aponta alta nas exportações de soja e alívio no preço do café no Paraná

Redação Rádio Plug
8 min. de leitura
Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

O Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta semana o seu mais recente Boletim Conjuntural. O documento traz um panorama detalhado sobre o desempenho do setor agropecuário no Estado, destacando o avanço expressivo nas vendas externas do complexo soja e uma tendência de queda nos valores cobrados pelo café nas prateleiras do varejo paranaense.

De acordo com os dados apresentados, entre janeiro e setembro de 2026, o Paraná registrou a exportação de 12,79 milhões de toneladas de produtos derivados do complexo soja — o que engloba o grão, o farelo e o óleo. O volume representa um incremento de 3% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. O impacto na economia estadual foi ainda mais expressivo no faturamento: a receita gerada subiu 13%, alcançando a marca de US$ 5,76 bilhões.

A soja em grão continua liderando com folga o volume embarcado, respondendo por 71% do total comercializado para o exterior. Na sequência aparecem o farelo de soja, com 24%, e o óleo de soja, que representa 5%. O principal destino do produto paranaense continua sendo a China, que absorve 58% de todas as compras, seguida pelo Irã, que ocupa a segunda posição no ranking com pouco mais de 8% de participação. Ao todo, o Estado enviou volumes significativos da commodity para 24 países diferentes durante o período.

Em âmbito nacional, o cenário também foi de forte expansão. As exportações brasileiras do complexo soja atingiram 121,58 milhões de toneladas, um crescimento de 8%, enquanto a receita financeira subiu 17%, fechando em US$ 52,17 bilhões.

Desaceleração no plantio da safra de verão

Apesar do bom momento nas exportações, o início da nova safra de verão apresentou contratempos no campo. O ritmo do plantio de soja no Paraná sofreu uma desaceleração perceptível por conta do excesso de chuvas registrado nas semanas anteriores. O levantamento do Deral aponta que 47% da área prevista já havia sido semeada, um índice que fica abaixo da média histórica recente, que costuma superar os 55% para o mesmo período nas últimas três safras.

Retração nos preços do café

No setor cafeeiro, a boa notícia é direcionada aos consumidores. O preço médio recebido pelos produtores caminha para uma retração neste mês de outubro quando comparado a setembro. Nas negociações recentes, a saca de café beneficiado foi comercializada a R$ 1.380,51. O valor é 10% menor do que os R$ 1.533,37 registrados no mês anterior, equiparando-se aos patamares de junho e julho, meses que marcam o auge da colheita.

Para o Deral, o movimento de baixa ainda é avaliado como rentável para os agricultores, tendo em vista o volume robusto da produção nacional. “A queda ajuda a indústria a formar estoques a custo menor e a ofertar preços mais acessíveis no varejo”, pontua Hugo Wickler Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral.

Essa desoneração já reflete nas gôndolas: o pacote de 500 gramas do produto apresentou preço médio de R$ 23,90, ficando levemente abaixo de setembro e registrando uma retração expressiva de 19% em relação aos R$ 29,42 cobrados em outubro do ano passado. Olhando para o futuro, as condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño têm se mostrado benéficas para a próxima safra paranaense, garantindo chuvas regulares que favorecem o desenvolvimento das primeiras floradas. Vale lembrar que o Paraná responde atualmente por cerca de 1% da produção total de café no país.

Panorama da horticultura e fruticultura no Sudoeste

O boletim também trouxe recortes regionais importantes. Em 2025, a região Sudoeste do Paraná consolidou sua participação na olericultura estadual, respondendo por 5,3% da área cultivada, 6,2% do volume total produzido e 4,1% do Valor Bruto da Produção (VBP). Foram colhidas 189,8 mil toneladas em 6,1 mil hectares, gerando um VBP de R$ 309,6 milhões.

No segmento da fruticultura regional, os números indicam uma participação de 4,5% da área total do Estado, 3,4% da produção e 3,8% do VBP, totalizando R$ 163,2 milhões com a colheita de 50,2 mil toneladas em 2,5 mil hectares. Enquanto o cultivo de hortaliças demonstra sinais de recuperação após uma leve oscilação negativa anterior, a área dedicada aos pomares segue em trajetória de redução na região.

Mercado de carnes e insumos

No setor pecuário, análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que, em São Paulo, a diferença entre os preços pagos pelo boi gordo e o valor da carcaça no atacado diminuiu em outubro. O fator que sustenta as cotações atuais é a oferta restrita de animais prontos para abate no mercado.

As exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 61,3 mil toneladas nos primeiros sete dias úteis de outubro, configurando uma queda de quase 40% na média diária em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques totalizaram 2,37 milhões de toneladas, volume 1,3% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

No segmento de aves, o Deral informou que o preço médio do frango vivo pago ao produtor paranaense fechou setembro cotado a R$ 4,75 por quilo, o que representa uma leve alta de 0,4% sobre agosto, mas uma retração de 4,4% na comparação anual com setembro de 2025. O cenário de custos, contudo, exige cautela: o milho no mercado atacadista atingiu R$ 66,43 por saca de 60 quilos (avanço mensal de 2,9%), enquanto o farelo de soja subiu para R$ 2.171,40 por tonelada (alta de 10% sobre agosto), comprimindo a margem de troca do avicultor.

Por fim, o mercado de carne de peru também apresentou números positivos no cenário nacional e estadual. De janeiro a agosto, o Brasil exportou 45.816 toneladas do produto, gerando uma receita de US$ 188,705 milhões — altas expressivas de 28,4% em volume e 82,6% no faturamento. O Paraná, ocupando a terceira posição entre os exportadores nacionais, despachou 9.314 toneladas e faturou US$ 44,341 milhões, registrando crescimentos de 2% e 53,3%, respectivamente, nos mesmos quesitos.

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

Anúncios
Compartilhe este artigo