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O cenário político brasileiro continua marcado por uma polarização intensa, que dificulta o surgimento de novas lideranças, aponta o jornalista e cientista de dados Sergio Denicoli, CEO da AP Exata. Segundo ele,
as redes sociais consolidaram blocos rivais
, tornando quase impossível que mensagens de candidatos moderados cheguem ao eleitorado.
“Hoje nós temos o Lula e o Flávio Bolsonaro que não oferecem uma esperança e uma novidade para as pessoas. Nós temos um terço da população que está cansada disso. Essas pessoas não têm ninguém que as represente e acabam, mais uma vez, tendo que escolher entre candidatos que consideram o menos pior”, disse Denicoli, em entrevista ao jornal WW, da
CNN Brasil
Denicoli explica que, desde 2018 e principalmente após a eleição de 2022, “as redes foram divididas em dois blocos muito consistentes que
tragaram todo o debate político
, inclusive com lacrações políticas, muitas vezes esdrúxulas, e com menos debates sobre o que realmente é importante para o Brasil”. Segundo ele, essa situação gera um estado de “tristeza, depressão, irritação e angústia” entre os cidadãos.
O centro político, segundo Denicoli, permanece sem uma liderança clara. “O centro político está órfão, ele não tem um representante. Me parece que o
[Ronaldo] Caiado [pré-candidato à Presidência pelo PSD]
também não vai ser esse representante porque se coloca do lado da direita e não como opositor ao Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Ele destaca que governadores experientes, apesar de boa aprovação em seus estados, enfrentam dificuldades para converter prestígio político em relevância digital ou popularidade nacional.
Entre os novos nomes, o cientista de dados observa que candidatos
outsiders
, como
Renan Santos, pré-candidato à Presidência pelo partido Missão
e um dos líderes do
(Movimento Brasil Livre), têm conseguido captar mais atenção nas redes.
“Ele [Renan Santos] consegue absorver cerca de 10% do que se fala, é interessante porque não está realmente colocado como um candidato da estrutura conhecida dos partidos mais fortes, mas traz algum discurso mais radicalizado. Porém, também enfrenta grande rejeição e bloqueio para dialogar com moderados”, explicou.
Sergio Denicoli conclui que, sem mudança na forma como as mensagens políticas rompem essas
, o país deve repetir o ciclo de “eleição do menos pior”.
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Fonte:: cnnbrasil.com.br





