A coligação “Brasil Pronto pra Mais”, formada por PT, PC do B, PV, PSB, PDT, Psol e Rede, protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma série de representações relacionadas à disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Os partidos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontam uma série de supostas irregularidades no ambiente digital e na condução da campanha adversária.
Entre os principais pontos levantados pela base governista estão a suspeita de redução no alcance de publicações favoráveis ao atual mandatário, a existência de um esquema de remuneração com criptomoedas para impulsionar o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, além da circulação de vídeos editados, gerados por inteligência artificial, e conteúdos considerados desinformativos.
Questionamentos à Meta sobre engajamento
Uma das representações jurídicas apresentadas tem como alvo a Meta. O grupo político argumenta haver indícios de diminuição ou interrupção intencional no engajamento de postagens de apoio a Lula ou que adotam tom crítico em relação a Flávio Bolsonaro. De acordo com a coligação, a iniciativa consolida queixas que já vinham sendo relatadas publicamente por diferentes usuários, os quais apontavam queda drástica ou até mesmo zeramento nas interações de conteúdos com essa vertente política.
Diante desse cenário, os partidos requerem que a Corte Eleitoral determine à empresa um tratamento isonômico na distribuição do material na plataforma, assegurando que postagens associadas ao campo político do presidente não sejam desfavorecidas. Para a aliança partidária, qualquer restrição de alcance que careça de justificativa técnica compromete diretamente o equilíbrio da disputa e o desenvolvimento regular da campanha no segundo turno.
Criptomoedas e suposta propaganda irregular
No âmbito financeiro e econômico, a coligação ajuizou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), o empresário Pablo Marçal e os responsáveis pelo criptoativo denominado Brasil 22 Token (B22). A acusação sustenta a ocorrência de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.
Segundo a petição protocolada, a campanha adversária estaria conectada a um mecanismo financeiro estruturado para alçar força à propaganda eleitoral. O site associado ao token entrou no ar no início de outubro e oferecia 30.000 tokens aos primeiros mil usuários que divulgassem o projeto nas redes sociais, remunerando a disseminação de conteúdo político com moedas virtuais.
A representação destaca declarações atribuídas aos idealizadores do projeto, indicando uma estratégia para atrair eleitores do atual presidente a compartilharem o material em suas redes. A ação também menciona perfis internacionais de grande alcance, como o @hyperskidsafrica, que teria recebido tokens e publicado um vídeo de crianças ugandenses vestindo camisetas do projeto e manifestando apoio ao número 22.
Os partidos da base governista pedem a cassação dos registros de candidatura ou dos diplomas de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, além da declaração de inelegibilidade de ambos e de Pablo Marçal por um período de oito anos. Subsidiariamente, solicitam a suspensão do domínio do token, o encerramento da distribuição das moedas, a aplicação de multa diária em caso de descumprimento e a remoção das publicações em curto prazo. Paralelamente, notícias de fato foram encaminhadas à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral Eleitoral para a apuração de eventuais ilícitos penais e cooperação internacional na identificação dos responsáveis.
Vídeos editados e novas frentes judiciais
Outro eixo das contestações diz respeito a uma publicação feita por Pablo Marçal no Instagram, na qual o influenciador declara apoio oficial à campanha de Flávio Bolsonaro. A peça publicitária simula um telejornal e emprega um trecho de áudio retirado de contexto de uma conversa ocorrida em 2016 entre Lula e o então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD).
A coligação aponta que a montagem altera o sentido original do diálogo — no qual o então ex-presidente criticava membros do Ministério Público —, fazendo parecer que o comentário era direcionado a evangélicos. Diante disso, a representação requer a remoção imediata do conteúdo, proibição de novas postagens com o mesmo material, aplicação de multa e o envio dos autos à PGE para investigação de crimes eleitorais.
Por fim, a aliança que apoia o governo federal acionou a Justiça Eleitoral e plataformas de tecnologia para coibir outras frentes de desinformação, incluindo o uso de inteligência artificial no TikTok com potenciais equívocos sobre números de urna, publicações de parlamentares sobre regras previdenciárias e a circulação de e-books com conteúdos considerados falsos em aplicativos de mensagens.
Fonte:: poder360.com.br


