A Terra Indígena Ivaí, situada em Manoel Ribas, na região central do Paraná, passou a contar com um novo espaço voltado para a valorização e promoção da cultura indígena: o Etno Parque Ré Sĩ Kaingang. Esta iniciativa, que recebeu um investimento de R$ 400 mil, foi possibilitada através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e implementada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC).
O Etno Parque tem como objetivo funcionar como um museu vivo, dedicando-se à preservação da memória e ao fortalecimento da identidade do povo Kaingang, além de ampliar o acesso da população aos conhecimentos tradicionais dessa cultura. A inauguração, ocorrida na terça-feira (07), atraiu lideranças indígenas, autoridades locais e representantes de instituições parceiras.
A secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, comentou que a criação do parque representa um avanço significativo nas políticas públicas culturais destinadas aos povos originários. “O Etno Parque Ré Sĩ Kaingang é um exemplo da valorização das culturas indígenas, reconhecendo seu protagonismo e garantindo condições para que seus saberes sejam preservados, compartilhados e respeitados pela sociedade”, afirmou.
O parque é resultado de uma estratégia ativa da Secretaria de Estado da Cultura no âmbito da PNAB, que busca aproximar o governo das comunidades tradicionais. Com a presença de agentes capacitados em todas as macrorregiões do Estado, a SEEC oferece suporte técnico para que as comunidades possam acessar recursos e executar projetos culturais por meio de editais de fomento e incentivos oferecidos pela secretaria.
Projetado como um ambiente de imersão cultural, o Etno Parque reúne cinco tipos tradicionais de habitações Kaingang, incluindo casas de taquara e sapé, além de estruturas subterrâneas. O espaço abriga ainda atividades educativas e culturais, como rodas de conversa, manifestações musicais, danças, pintura corporal e práticas com ervas medicinais.
Parcerias
O desenvolvimento do projeto contou com a colaboração da comunidade indígena, incluindo o cacique Domingos Zacarias e o vice-cacique Reinaldo Ninvaia. O apoio técnico ficou a cargo da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), através do Projetek, um escritório de Engenharia e Arquitetura da Universidade que ajuda na elaboração de projetos para pequenos municípios na região central do Paraná.
No caso do Etno Parque, o Projetek foi responsável por todo o desenvolvimento arquitetônico e pelo acompanhamento técnico da obra, assegurando que as construções respeitassem os princípios e saberes tradicionais Kaingang, utilizando materiais naturais e soluções adaptadas ao clima local, ao mesmo tempo em que garantiam uma estrutura adequada para acolher os visitantes.
Jackson Zanona, coordenador do Projetek, ressaltou que o trabalho foi executado de forma eficiente e colaborativa. “Levamos dois meses para elaborar o projeto e três meses para a execução. Foi uma honra participar desse projeto”, declarou, enfatizando a relevância do apoio técnico em municípios com infraestrutura reduzida nessa área.
A iniciativa também conta com a parceria da Escola Estadual Indígena Gregório Kaekchot, a maior escola indígena do Paraná, que vai utilizar o espaço como ambiente pedagógico, contribuindo para a transmissão de saberes entre as gerações. A diretora da escola, Cristiane Laureth Renczenzen, destacou a importância da aproximação entre as comunidades.
Ela acredita que o objetivo principal é promover convivência e compreensão recíproca. “Esse espaço só faz sentido se estiver cheio. Queremos que as pessoas venham, visitem e conheçam tudo o que temos aqui”, declarou, acrescentando que a expectativa é receber cerca de 3 mil visitantes anualmente.
Com a instalação do Etno Parque, a Terra Indígena Ivaí se firma como um importante ponto de referência na valorização das culturas indígenas dentro do Estado, proporcionando amplas oportunidades de educação, intercâmbio cultural e geração de renda, através do turismo e do artesanato.
Fonte:: cultura.pr.gov.br


