Expansão asiática de data centers de IA impulsionada por empresas chinesas

Redação Rádio Plug
8 min. de leitura
Sudeste Asiático deve superar 10 gigawatts de c...

O avanço da infraestrutura digital na Ásia

Durante a realização do evento Data Center Asia, ocorrido no Centro de Convenções e Exposições de Hong Kong em um período de clima quente e úmido, o fluxo de participantes demonstrou a alta relevância do setor. O encontro reuniu operadores de data centers da China, provedores de colocation e fornecedores especializados em sistemas de refrigeração líquida e energia, além de uma expressiva representação de nações do Sudeste Asiático, com destaque para expositores da Tailândia, Malásia e Indonésia.

O movimento ocorre no momento em que a necessidade global por capacidade computacional supera fronteiras nacionais, transformando a infraestrutura digital em um elemento de prioridade estratégica. Com a inteligência artificial consolidada como um dos principais motores da economia mundial, projeções da International Data Corporation (IDC) elevaram os gastos globais previstos com infraestrutura de IA para US$ 497 bilhões em 2026, montante cerca de 56% superior ao registrado no ano anterior.

Estudos elaborados pelo Boston Consulting Group, pela Temasek Holdings e pela Infocomm Media Development Authority de Singapura apontam que a tecnologia deve incorporar aproximadamente US$ 120 bilhões ao Produto Interno Bruto de seis economias da região — Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Vietnã e Filipinas — até o final de 2027.

Atuação das gigantes de tecnologia e computação em nuvem

Empresas chinesas de computação em nuvem têm direcionado esforços para o mercado do Sudeste Asiático, gerando forte demanda por data centers alugados e suporte ao processamento de inteligência artificial. Na Tailândia, estimativas do setor indicam que projetos com vínculos de investimentos chineses ou voltados a clientes de tecnologia da China representam entre 60% e 70% de um total de 1,5 gigawatt em iniciativas aprovadas.

Na Malásia, especialmente na região de Johor — considerada o principal polo computacional do Sudeste Asiático —, companhias como ByteDance, Alibaba Group e Tencent consolidaram posições de destaque ao alugar capacidade de infraestrutura localmente.

A preferência pelo Sudeste Asiático, além da Austrália e do Oriente Médio, decorre de fatores como estabilidade geopolítica, disponibilidade de terrenos e energia, além da previsibilidade na entrega de projetos. Dados da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações apontam que a capacidade computacional nos principais mercados da região superou 4,4 gigawatts em 2025, com projeção de ultrapassar 10 gigawatts até 2030, impulsionada por mais de 2.000 centros de computação.

Crescimento acelerado na Tailândia e gargalos energéticos

A Tailândia consolidou-se como um dos novos destinos para o setor devido à proximidade geopolítica e econômica com a China e à estrutura de seus parques industriais. Dados da Cushman & Wakefield indicam que a capacidade operacional em Bangcoc e arredores atingiu 134 megawatts no primeiro semestre de 2026, com mais de 2 gigawatts em fase de planejamento ou construção.

O volume de propostas gerou filas de espera para aprovações regulatórias e alocações de energia, que atualmente superam 10 gigawatts em projetos pendentes. O processo de liberação de cotas de energia passou a demandar cerca de dois anos.

Apesar dos trâmites, o Conselho de Investimentos da Tailândia aprovou iniciativas de grande porte. A TikTok System (Thailand), subsidiária da ByteDance, obteve autorização para investir 842,3 bilhões de baht (equivalente a US$ 25,7 bilhões) em servidores e infraestrutura de dados em Bangcoc, Samut Prakan e Chachoengsao. Outros aportes foram validados para a Skyline Data Center and Cloud Services e para a Bridge Data Centres IIO, além de planos anunciados por Microsoft, Google e Amazon.

A maturidade do mercado de Johor, na Malásia

Considerada mais madura no setor, a Malásia abriga em Johor um ecossistema consolidado que abrange Iskandar Puteri, Kulai e Pasir Gudang. No segundo trimestre de 2026, Johor registrava cerca de 850 megawatts em operação, com 1,8 gigawatt em construção e 2,7 gigawatts em desenvolvimento, conforme levantamento da JLL Malaysia.

A taxa de vacância de colocation na região permanece em patamares reduzidos, estimados em 0,7%. O suporte logístico e industrial local inclui desde fábricas de servidores até fornecedores de equipamentos elétricos e sistemas de refrigeração líquida.

Operadores com origem na China participam ativamente desse mercado. A DayOne Data Centres, antiga unidade internacional da GDS Holdings que passou a operar de forma independente, mantém campi em Johor. Da mesma forma, a Bridge Data Centres opera o campus MY06 no Sedenak Tech Park, cujos espaços atendem majoritariamente à ByteDance. A Alibaba Cloud também inaugurou novas instalações na Malásia, ampliando sua presença para cinco data centers no país.

Indonésia atrai investimentos com incentivos fiscais

Diante das restrições energéticas e regulatórias observadas em mercados vizinhos, a Indonésia intensificou ações para atrair capital estrangeiro. O governo designou a ilha de Batam como zona prioritária para a economia digital e implementou sistemas digitalizados de licenciamento.

O pacote de incentivos inclui isenções de imposto de renda corporativo por períodos de até 20 anos em zonas econômicas especiais e a classificação de data centers como indústria pioneira. Como resultado, a autoridade da zona franca de Batam concluiu em maio de 2026 um projeto de US$ 5 bilhões voltado a data centers de IA, desenvolvido em parceria com a Range Technology Development. Adicionalmente, a Firmus Technologies e a Nvidia firmaram acordos para a construção de um polo de fabricação de inteligência artificial na mesma localidade.

Reestruturação e independência corporativa

Para mitigar riscos regulatórios e diversificar sua base de clientes, empresas originárias da China vêm reestruturando suas operações internacionais. A GDS International concluiu rodadas de financiamento que reduziram a participação da controladora original, transformando-se na DayOne sob gestão independente voltada aos mercados da Ásia-Pacífico e Europa.

Processo semelhante ocorreu com a Chindata, cujos ativos na China foram vendidos pela Bain Capital, enquanto as operações internacionais da Bridge Data Centres passaram por processos de transição societária. O modelo permite que esses operadores mantenham vantagens de custos de construção e relações comerciais, ao mesmo tempo em que adotam estruturas corporativas globalizadas.

Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 24 de agosto de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

Fonte:: poder360.com.br

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