Em um marco histórico e político sem precedentes desde 1945, a legenda de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou nesta terça-feira, 6, a presidência do Parlamento regional da Saxônia-Anhalt. O resultado ocorre exatamente um mês após o partido registrar uma vitória expressiva sobre os conservadores liderados pelo chanceler Friedrich Merz.
Durante a sessão legislativa, a primeira rodada de votação contabilizou 48 votos favoráveis a Tobias Rausch, o candidato indicado pela legenda, em um total de 82 parlamentares presentes. O pleito registrou ainda 29 votos contrários e cinco abstenções, conforme detalhado pelos dados oficiais divulgados após a apuração.
O desempenho superou as projeções iniciais da própria legenda, que é conhecida por suas pautas anti-imigração e por posições consideradas pró-Rússia. Antes da abertura das urnas, a bancada da AfD, composta por 39 deputados, contava publicamente apenas com o apoio garantido dos cinco representantes do BSW, uma sigla de orientação socialista conservadora e também simpática ao governo russo.
Analistas políticos apontam que a margem superior de votos sugere a existência de transferências de apoio por parte de outras correntes partidárias. Havia forte expectativa nos bastidores sobre a possibilidade de votos cruzados ou de dissidências entre os 15 deputados pertencentes à União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Merz, especialmente em um momento de queda na popularidade da legenda tradicional frente ao crescimento da AfD.
O cenário político na região ganha novos capítulos nas próximas semanas, visto que a escolha do chefe do Executivo regional está agendada para o mês de dezembro. A liderança da AfD já sinalizou que pretende articular esforços para alcançar a maioria absoluta em torno de seu candidato ao cargo, Ulrich Siegmund.
A reação das demais forças políticas não tardou. O dirigente regional do Partido Social-Democrata (SPD), Andreas Schmidt, veio a público criticar duramente o resultado, classificando a ascensão de Rausch ao posto máximo do legislativo local como um acontecimento lamentável para a estabilidade democrática da região.
Este avanço consolida uma sequência de episódios que vêm alterando a dinâmica política alemã. O triunfo da AfD na Saxônia-Anhalt, consolidado nos primeiros dias de setembro, gerou forte repercussão em Berlim, abalando a base de sustentação de Friedrich Merz. A coalizão governista, formada entre conservadores e social-democratas, enfrenta desgastes decorrentes de divergências internas e de índices de aprovação popular em patamares historicamente baixos.
Pouco depois daquele pleito, a sigla de extrema direita também obteve êxito eleitoral em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, estado situado no nordeste do território alemão. Embora este segundo revés tenha acendido novos alertas para o establishment político tradicional, a tendência projetada para aquela localidade é de que uma aliança de centro-esquerda consiga viabilizar a governabilidade.
Fonte:: estadao.com.br


