FINEP destina parte dos R$ 300 milhões do edital Mais Inovação Brasil para Computação Quântica

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A Finep, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), está com inscrições abertas até 30 de setembro para a segunda edição do edital Mais Inovação Brasil. Esta iniciativa disponibiliza R$ 300 milhões em subvenção destinados a projetos inovadores em seis diferentes linhas de pesquisa. Empresas com propostas em parceria com instituições científicas e tecnológicas (ICTs) podem se inscrever.

A quinta linha do edital, que se concentra em tecnologias quânticas, tem como objetivo promover inovações nas áreas de computação, comunicação e sensoriamento quântico. O foco é diminuir a dependência externa do Brasil em relação a essas tecnologias, além de acelerar a inserção do país em cadeias globais de valor e estimular a criação de tecnologias com alto valor agregado.

Atualmente, dispositivos comuns como chips, telefones celulares e lasers já utilizam princípios de tecnologias quânticas. Ivan Oliveira, coordenador do Laboratório de Tecnologias Quânticas do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), uma unidade de pesquisa do MCTI, ressalta que o avanço no conhecimento científico está na transição para a segunda geração dessa tecnologia.

No que diz respeito à computação, os equipamentos quânticos têm a capacidade de processar informações e resolver cálculos complexos de forma significativamente mais rápida. Isso ocorre através do uso de qubits, que, ao contrário dos bits clássicos que representam apenas 0 ou 1, podem simultaneamente estar em ambos os estados.

A pesquisa também avança na área de segurança da informação, visando desenvolver criptografia resistente a ataques cibernéticos. De acordo com o pesquisador, “a criptografia clássica se baseia em cálculos matemáticos complexos. Na comunicação quântica, a proteção é garantida pelas leis da física. Para quebrar essa proteção, seria necessário infringir as leis da física, o que é impossível”.

Além disso, os sensores quânticos têm a capacidade de detectar variações mínimas em massa, temperatura ou campos magnéticos, oferecendo aplicações em diversas áreas, como sistemas de localização para veículos militares e na exploração mineral, além de usos em biologia, entre outros campos.

Tecnologias quânticas no Brasil

No Brasil, o desenvolvimento de tecnologias quânticas conta com grupos de pesquisa ativos desde o início dos anos 2000. Ivan Oliveira destaca a importância do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Informação Quântica (INCT IQ), que é uma rede de pesquisa apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“O primeiro instituto milênio de informação quântica foi criado no Brasil há 25 anos e posteriormente foi transformado no INCT de informação quântica. Ao longo desse tempo, foi formada uma comunidade engajada de pesquisadores, o que é crucial para o avanço na área. O Brasil conseguiu desenvolver uma infraestrutura humana bastante significativa neste campo”, explica.

O CBPF é mencionado como uma das referências no país, onde se encontra o QuantumTec, que focado na construção de chips quânticos, recebeu R$ 23 milhões em investimentos da Finep para fortalecer sua estrutura.

“Nos anos de 2021 e 2022, surgiu a oportunidade de instalar, no CBPF, um laboratório específico para tecnologias quânticas por meio de uma demanda do MCTI. Esse laboratório já está em plena operação e cobre as três áreas: comunicação quântica, sensoriamento quântico e computação quântica”, disse Oliveira.

Outro projeto relevante está sendo desenvolvido em parceria com a IBM e a ExxonMobil Brasil, permitindo que pesquisadores brasileiros tenham acesso remoto a um computador quântico de 200 qubits localizado em Nova York (EUA). O objetivo deste projeto é investigar algoritmos quânticos aplicáveis à indústria do petróleo.

“Mesmo os computadores da IBM, que são considerados os mais avançados do mundo, ainda não conseguem resolver problemas na escala demandada pela indústria. A proposta deste projeto é preparar um grupo de cientistas brasileiros para utilizar a computação quântica quando estiver plenamente capacitada para tratar essas questões reais”, conclui o coordenador.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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