O governo federal anunciou que começará a usar imagens de satélite de alta resolução fornecidas pelo Google, referentes ao ano de 2008, como base para aprimorar as análises ambientais no marco temporal do Código Florestal. A formalização dessa medida ocorreu na última quarta-feira, 1º de abril, com a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Gestão, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a gigante da tecnologia.
A nova iniciativa visa melhorar a qualidade das informações coletadas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é o principal instrumento de monitoramento e regularização ambiental de propriedades rurais no Brasil. Com a incorporação de uma base inovadora de imagens correspondente ao ano que estabelece o marco legal para a vegetação nativa, o governo busca aumentar a precisão das análises e diminuir as inconsistências existentes nos registros.
Esse acordo também representa um passo significativo na integração de dados e no uso de tecnologias digitais na gestão ambiental. As novas imagens permitirão um acompanhamento mais detalhado das transformações no território ao longo do tempo, fortalecendo a capacidade do Estado em identificar passivos ambientais e verificar se as propriedades rurais estão em conformidade com a legislação vigente.
No painel que ocorreu após a assinatura do acordo, Tasso Azevedo, coordenador-geral da iniciativa MapBiomas, destacou os avanços notáveis do Brasil na área de sensoriamento remoto e geoprocessamento na última década. Azevedo afirmou que a ampliação dessas ferramentas tem possibilitado a identificação sistemática do desmatamento em todo o território nacional, utilizando imagens comparativas.
Um dos aspectos que diferencia o Brasil, segundo ele, é a capacidade de realizar análises em nível de propriedade rural, devido à base pública do CAR, que compila informações de mais de 8 milhões de imóveis. Esse modelo de dados, conforme Azevedo, não tem paralelo em outros países onde o MapBiomas atua, evidenciando a singularidade da abordagem brasileira.
A parceria com o Google também reforça a tendência de abertura e compartilhamento de dados, solidificando o CAR como uma infraestrutura digital pública voltada à transparência e colaboração. Entre os projetos em andamento estão ferramentas automatizadas para calcular áreas de vegetação, além de uma funcionalidade que possibilitará acompanhar a evolução dos registros ao longo do tempo, criando uma espécie de “máquina do tempo” do cadastro, que servirá para identificar eventuais inconsistências.
Desde 2023, o Ministério da Gestão Integrada (MGI) tem promovido a modernização do CAR, investindo na integração de tecnologias e colaborações com diversos atores, como órgãos públicos, sociedade civil e setor privado. A cooperação com o Google, junto ao suporte técnico de organizações como o MapBiomas, ampliam a capacidade de monitoramento do território e a qualidade das análises ambientais realizadas.
Marcos Vinícius da Silva Alves, diretor de Regularização Ambiental Rural do SFB, afirmou que a iniciativa fortalece a gestão ambiental ao expandir a base de dados disponíveis e permitir análises mais precisas. Ele destacou que o objetivo não é apenas validar as informações declaradas no CAR, mas também avaliar a conformidade ambiental das propriedades a partir do cruzamento de diversas
Fechando o debate, Ivan Patriota, líder de Parcerias do Produto Geográfico do Google, ressaltou que o projeto se fundamenta em três pilares: processamento em larga escala, uso de inteligência artificial para a detecção de mudanças e uma infraestrutura de nuvem robusta. Para ele, as exigências de precisão do Código Florestal requerem uma base tecnológica sólida, capaz de transformar grandes volumes de dados em informações que sejam úteis para a tomada de decisões.
Fonte:: convergenciadigital.com.br





