O mercado brasileiro de derivados da cana-de-açúcar enfrenta um momento de transição e volatilidade, impulsionado por fatores macroeconômicos e condições climáticas adversas. De acordo com um levantamento recente divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços do açúcar cristal e do etanol seguem registrando variações significativas que afetam tanto o cenário interno quanto as negociações voltadas para a exportação.
Entre os principais elementos que moldam o atual cenário econômico do setor está o comportamento do câmbio. A valorização recente da moeda brasileira frente à divisa norte-americana exerce forte pressão sobre as negociações. Com o real mais forte, a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional tende a diminuir. No entanto, esse movimento de baixa na cotação internacional do dólar foi parcialmente contrabalanceado por um cenário de oferta restrita no exterior, o que ajudou a dar sustentação às cotações na Bolsa de Nova York, evitando quedas mais abruptas.
No mercado interno, a dinâmica do açúcar apresentou estabilidade com viés de alta, acumulando um incremento de 2,20% ao longo do mês. O movimento de alta, que vem se mantendo de forma contínua desde o mês de julho, apresentou um ritmo um pouco mais moderado nos últimos dias. Como grande parte da oferta permaneceu concentrada no território nacional devido às barreiras comerciais e à menor atratividade das vendas externas, o impacto geral acabou gerando um saldo de neutralidade nas praças de comercialização do país.
Paralelamente aos fatores econômicos, o clima tem desempenhado um papel crucial na formação dos preços. A ocorrência de chuvas frequentes em regiões produtoras tem dificultado consideravelmente o ritmo de colheita e o processamento da matéria-prima nas usinas, limitando a oferta de novos lotes no mercado e mantendo a cautela entre os produtores rurais.
Enquanto o açúcar lida com esses impasses, o mercado do etanol hidratado registrou um comportamento distinto e com alta mais expressiva, especialmente no estado de São Paulo, onde as cotações subiram 2,87%. Esse aquecimento foi impulsionado principalmente por fatores sazonais e de consumo. O feriado prolongado em alusão ao Dia de Nossa Senhora Aparecida, comemorado em 12 de outubro, estimulou a circulação de veículos e elevou o consumo de combustíveis, quebrando uma sequência de pequenas desvalorizações observadas nas semanas anteriores.
Com a retomada do consumo e a necessidade de reabastecer a cadeia de suprimentos, as distribuidoras de combustíveis encontraram um cenário de maior rigidez nas negociações. Diante da postura mais firme adotada pelas usinas e revendedores na retenção de estoques, os compradores precisaram aceitar patamares de preços mais elevados para garantir a segurança no abastecimento aos postos de revenda.
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Fonte:: canalrural.com.br


