João Correia fala sobre sua saída do Athletico e a relação com Petraglia

Redação Rádio Plug
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João Correia como técnico do sub-20. (Foto: Div...

Em uma entrevista exclusiva ao UmDois Esportes, o técnico João Correia abordou pela segunda vez o seu desligamento do Athletico. Passados dois meses e uma semana desde sua saída, o treinador português revelou que recebeu um voto de confiança do presidente Mário Celso Petraglia, mesmo pouco antes de sua dispensa.

“Nossa relação sempre foi muito aberta. Vou contar algo que nunca compartilhei. Duas semanas antes de eu sair do clube, recebi propostas de dois times da Primeira Divisão, para a categoria sub-20, além de uma proposta de Série B, semanas antes dessa, para assumir outra equipe. Conversei com o presidente, que disse: ‘se quiser sair, sai. Mas contamos com seu trabalho’. A saída acabou me surpreendendo, pois semanas antes havíamos combinado uma coisa e acabou por ser outra”, relatou.

Entre os fatores que contribuíram para a boa relação de João com Petraglia, destaca-se o empresário Fabrício Souza. O ex-meia, conhecido por sua participação na final da Libertadores de 2005, sempre fez a ponte entre o técnico da categoria sub-20 e a diretoria. Esse contexto torna ainda mais inesperada a saída do treinador, mesmo com algumas resistências por parte de membros da comissão técnica do CT do Caju em relação ao seu estilo de trabalho mais direto.

Quando questionado sobre manter contato com Petraglia após sua saída, João Correia afirmou que não tem se comunicado com o presidente e mencionou que, apesar de sua gratidão, percebeu que o dirigente ouviu opiniões de pessoas que não estão diretamente envolvidas no clube.

“É uma pergunta difícil. Enquanto estive no clube, nossa relação sempre foi boa. No título do Paranaense sub-20, eu o convidei para ir ao estádio. Após a partida, ele nos entregou a taça e organizou um jantar de comemoração. Ele me disse que fui o primeiro treinador em 30 anos que o convidou para jantar”, contou João, ressaltando o respeito que tem pelo presidente, mesmo diante das circunstâncias da saída.

O técnico ainda expressou seus desejos de sucesso para Petraglia, mas deixou claro que sua saída foi uma decisão sem planejamento, que o deixou perplexo. “Agradeço ao presidente, mas sou apenas mais um profissional que saiu sem uma relação direta com ele, uma vez que a decisão não foi fundamentada. Ninguém pode culpar o presidente, pois ele pode ter escutado pessoas que não fazem parte do processo ou que nunca assistiram a uma de nossas preleções ou treinamentos”, comentou João.

Petraglia, presidente do Athletico, ao lado do técnico português João Correia.

Desafios enfrentados por João Correia como o técnico mais jovem da história do Athletico

João Correia é considerado o técnico mais jovem da história do Athletico, mesmo que sua passagem pela equipe principal tenha sido temporária. Ele assumiu a equipe em um espaço de três jogos na Série B de 2025, aos 31 anos, após a demissão de Maurício Barbieri e antes da contratação de Odair Hellmann. Com isso, ele superou o uruguaio Martín Varini, que ao chegar ao Furacão tinha 32 anos e foi parte da campanha em 2024, que culminou em rebaixamento.

Em um cenário de correção de rota, visto que o trabalho anterior de Barbieri apresentava problemas significativos, João Correia também enfrentou resistência de certos jogadores do elenco principal. No entanto, encarou essa situação como algo natural, acumulando em seu período à frente do time principal três partidas: uma vitória contra o Brusque, que garantiu a classificação na Copa do Brasil, um empate com a Chapecoense, na Série B, e uma derrota para o Vila Nova.

“Qualquer treinador jovem que entra em um contexto onde há dúvidas sobre sua capacidade sempre terá um momento de teste. Não é necessário buscar esse conflito, mas ele aparecerá. Esse momento é crucial para qualquer treinador se afirmar como líder do grupo. Quando se fala em choque, houve esse teste para mim, e é natural que ocorra. Tive que demonstrar força diante de hábitos estabelecidos no grupo, mas isso faz parte do processo”, minimizou João.

“Não fomos informados que iríamos deixar o clube; estávamos em um período de transição. Uma das possibilidades que o clube considerava era a nossa continuidade. Após aquele jogo, houve um encaixe entre nós e o grupo, mas a direção acabou fechando com o Odair, que vem realizando um ótimo trabalho. Contudo, esse período de transição foi fundamental para correção da rota”, concluiu.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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