O 1° Tribunal do Júri do Rio de Janeiro sentenciou o ex-policial militar Rodrigo da Silva das Neves, de 32 anos, a nove meses e 18 dias de reclusão, pela morte do bicheiro Fernando Iggnácio. O julgamento determinou que o homicídio foi triplamente qualificado, considerando motivos torpes, o uso de meio cruel e a execução por emboscada. A pena deve ser cumprida em regime fechado.
Durante a sentença, o juiz Thiago Portes Vieira de Souza destacou a importância do papel de Rodrigo na execução do crime e o grande arsenal que possuía. No apartamento do réu, foram encontrados quatro fuzis, diversos carregadores e uma quantidade significativa de munição, evidenciando seu papel central na emboscada que resultou na morte de Iggnácio.
O magistrado também ressaltou que, mesmo sendo um policial militar ativo na época do crime, Rodrigo optou por agir contra os preceitos do Estado. “[Ele] optou por praticar conduta que deveria reprimir, utilizando-se, inclusive, de seus conhecimentos policiais adquiridos no exercício da função, para efetivar o crime,” afirmou o juiz.
Detratores e outros suspeitos
Outros dois homens, os irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, também estavam co-acusados no processo ao lado de Rodrigo. No entanto, decidiram dispensar seus advogados no início do júri, o que os obriga a constituir nova defesa. A nova data para o julgamento deles ainda será definida.
Adicionalmente, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, outro suspeito de participação na execução, foi encontrado morto em 2022. Já Rogério de Andrade, identificado como o mandante do crime, está respondendo a outro processo, juntamente com Gilmar Eneas Lisboa.
Contexto do assassinato
Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, foi assassinado por ordem de Rogério de Andrade, sobrinho de Castor. O caso envolvendo Iggnácio se insere em uma complexa trama de rivalidade entre famílias envolvidas no jogo do bicho.
Paulinho de Andrade, filho de Castor, foi assassinado pouco tempo depois em outubro de 2020, quando deixava seu escritório na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Ele, apesar de nunca ter se envolvido diretamente com o jogo do bicho, reclamava da parte da herança que recebia dos pontos de bicho deixados pelo pai, que passaram a ser controlados por Rogério.
Rogério e Paulinho foram criados juntos e tinham um vínculo de infância próximo, sendo considerados “irmãos” pela família. A irmã de Paulinho, Carmen Lúcia de Andrade, que é casada com Fernando Iggnácio, chegou a afirmar que, por causa do assassinato de seu irmão, ela poderia ser a próxima vítima. Isso desencadeou uma guerra entre Iggnácio e Rogério de Andrade pelo controle dos bens que Castor deixou, resultando em uma onda de violência que já causou mais de 50 mortes em quase três décadas.
As repercussões do julgamento e a continuidade da disputa entre as facções revelam a complexidade e a gravidade da situação no submundo do jogo do bicho no Rio de Janeiro, um desafio constante para as autoridades de segurança pública.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


