Um militar do Exército dos Estados Unidos, que participou da operação destinada à captura de Nicolás Maduro na Venezuela, foi acusado de utilizar informações confidenciais para realizar apostas na plataforma Polymarket, uma plataforma que funciona como um mercado de previsões. A informação foi divulgada por autoridades federais americanas na última quinta-feira, dia 23.
Gannon Ken Van Dyke, um sargento-mor lotado em Fort Bragg, na Carolina do Norte, teria lucrado mais de US$ 400 mil ao apostar em diferentes desfechos relacionados à Venezuela, uma vez que teve acesso antecipado às informações sobre a operação, segundo promotores federais e o FBI.
De acordo com a acusação apresentada no tribunal federal de Manhattan, em Nova York, Van Dyke teria tentado encobrir o uso ilegal de informações governamentais ao camuflar a origem de seus ganhos e disfarçar a ligação entre as contas utilizadas nas transações e a operação de captura. O procurador federal do distrito sul de Nova York, Jay Clayton, declarou que o sargento se aproveitou de informações confidenciais para “fazer apostas sobre o timing e o resultado dessa operação, visando o lucro pessoal”.
Clayton reforçou que “os mercados de previsão não podem ser um abrigo para o uso impróprio de informações confidenciais ou classificadas, obtidas de forma indevida, visando ganhos pessoais”.
Nos últimos meses, o número crescente de plataformas de mercados de previsão tem atraído maior atenção regulatória, levantando preocupações sobre o uso indevido de informações privilegiadas por indivíduos que têm acesso a dados sensíveis. Em março de 2026, propostas de legislação foram apresentadas no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, com o intuito de restringir o uso do site Kalshi, por funcionários públicos, enquanto estados também avaliam a implementação de regulamentações mais rigorosas.
O Kalshi, um dos sites de mercado de previsões mais populares, foi cofundado pela brasileira Luana Lopes Lara, que, em dezembro de 2025, aos 29 anos, foi reconhecida pela revista Forbes como a bilionária “self-made” mais jovem do mundo.
As suspeitas sobre o uso de informações privilegiadas para lucrar com apostas em eventos mundiais levantam questões sérias sobre os riscos associados ao planejamento militar. Recentemente, a Casa Branca alertou seus funcionários sobre os perigos do uso indevido de informações confidenciais, em resposta ao aumento de negociações suspeitas em mercados de previsão, contratos futuros de petróleo e ações relacionadas a momentos cruciais em conflitos internacionais.
Em resposta a preocupações sobre a possível utilização de informações confidenciais por funcionários federais, incluindo sobre a guerra no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou na última quinta-feira que “infelizmente, o mundo inteiro se tornou uma espécie de cassino”. Trump expressou seu desagrado ao afirmar: “Nunca fui muito a favor disso. Não gosto da ideia. É o que é. Não estou satisfeito com nada disso”.
Horas antes da captura de Maduro pelas tropas americanas, que ocorreu em 3 de janeiro, um usuário da plataforma Polymarket fez uma aposta de US$ 32 mil de que Maduro estaria fora do poder até o final de janeiro, obtendo um lucro superior a US$ 400 mil. Até o momento, não está claro se as acusações mencionadas na denúncia estão ligadas a essa aposta específica.
c.2026 The New York Times Company
Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.
Fonte:: estadao.com.br


