O recomeço do Paraná Clube tem gerado debates nos bastidores e levantado questionamentos cruciais entre torcedores e dirigentes, especialmente no que diz respeito ao patrimônio histórico da instituição. O principal ponto de interrogação no momento recai sobre o destino do Estádio Durival Britto e Silva, a tradicional e nostálgica Vila Capanema.
Declarações recentes de figuras importantes ligadas à gestão do futebol tricolor acenderam o alerta. Pedro Weber, CEO da NextPlay — empresa que assumiu o controle da SAF do clube —, afirmou publicamente em mais de uma oportunidade que “a Vila Olímpica é a casa do Paraná”. A declaração foi reforçada recentemente pelo técnico Tcheco, que mencionou ser o desejo de todos retornar, em algum momento, para mandar partidas no local.
A preocupação da torcida ganha força ao analisar os termos do contrato que cedeu 90% dos direitos acionários da SAF. O documento não apresenta restrições para que a empresa realize a alienação, seja por meio de venda, hipoteca ou alienação fiduciária, dos bens patrimoniais pertencentes ao clube. Como o acordo não abre exceções, abre-se espaço legal para negociações envolvendo os direitos sobre a Vila Capanema.
A situação jurídica e o valor de mercado do imóvel
Historicamente, clubes que possuem imóveis sob a tutela da União e buscam a regularização do título de domínio enfrentam cenários complexos. Recentemente, entidades nessa condição receberam propostas para o pagamento de taxas mensais pelo uso dos terrenos, garantindo o direito de preferência para a futura aquisição da propriedade. Um exemplo desse tipo de transação ocorreu com o Santos, que utilizou um imóvel nessa condição como garantia em negociações financeiras.
No caso paranaense, a proposta para a aquisição definitiva do título de propriedade girava em torno de R$ 65 milhões. No entanto, o clube acabou não assinando o acordo devido à impossibilidade financeira de arcar com as mensalidades estipuladas em aproximadamente R$ 200 mil. Em contrapartida, avaliações mercadológicas recentes apontam que o valor de mercado do terreno e da estrutura da Vila Capanema pode alcançar a marca expressiva de R$ 210 milhões.
Diante desse cenário, especialistas e conselheiros ponderam sobre os próximos passos. Por um lado, a administração da SAF já havia sinalizado aos conselheiros que os recursos financeiros necessários para o desenvolvimento do projeto precisarão ser captados no mercado financeiro, utilizando o patrimônio do clube como garantia. Por outro lado, com a possibilidade jurídica de alienação dos direitos de posse do Durival Britto, cresce a apreensão sobre se o lendário estádio corre o risco de ficar sem partidas oficiais de futebol.
O peso da memória afetiva
Para a torcida tricolor, a Vila Capanema representa muito mais do que um simples ativo imobiliário. O gramado carrega décadas de histórias, sendo o palco de atuações memoráveis, defesas históricas de goleiros como Régis, passes geniais de meio-campistas como Ricardinho e gols decisivos marcados por ídolos como Saulo.
Enquanto o planejamento estratégico da diretoria e da SAF aponta para novos rumos estruturais na Vila Olímpica, o futuro do reduto histórico permanece como uma das questões mais sensíveis e debatidas no cotidiano do clube, dividindo expectativas entre a modernização esportiva e a preservação da identidade do Paraná.
Fonte:: umdoisesportes.com.br




