A Polícia Federal (PF) está aprofundando as investigações sobre o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele é suspeito de ter tentado corromper duas policiais civis de São Paulo com o intuito de forjar o furto de um Audi RS6 AV 560CV e incriminar um ex-assessor.
O Audi em questão foi confiscado durante a Operação Sem Desconto, que tem como alvo um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo saques não autorizados de pagamentos a aposentados.
O veículo estava sob a posse de Antunes no momento da apreensão. No entanto, segundo uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o carro pertence a Edson Medeiros, ex-funcionário de Antunes. O documento, que é mantido em sigilo, foi revelado pelo site Metrópoles e posteriormente reportado pela Folha. O ministro determinou que o Audi deve ser devolvido a Medeiros, pois não é considerado essencial para as investigações em andamento.
Na mesma decisão, a defesa do Careca do INSS argumentou que Medeiros não era o proprietário do Audi e que o veículo teria sido furtado dele. No entanto, o ministro Mendonça rechaçou essa hipótese. “De acordo
A defesa de Antunes contestou as alegações, afirmando que não houve tentativa de incriminar as policiais e que as acusações relacionadas ao ex-assessor estão ligadas à subtração de outros dois veículos, não ao Audi mencionado na decisão de Mendonça.
O ministro também destacou que mensagens anexadas ao caso indicam que Medeiros estava em contato sobre a documentação de compra do veículo, o que prova que ele realmente era o proprietário. Após a compra, o ex-funcionário teria emprestado o carro a Antunes, momento que coincide com a apreensão realizada pela PF.
Em decorrência da investigação, as policiais civis envolvidas na suposta tentativa de forjar o furto foram afastadas de seus cargos. Citando um relatório da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo, o ministro mencionou que uma delas tinha anotações sobre os documentos dos carros pertencentes a Antunes.
Além das acusações relacionadas ao Audi, a defesa do Careca do INSS informou que ele registrou um boletim de ocorrência por furto contra seu ex-assessor, mas este se refere a outros veículos. O ex-funcionário é acusado de ter subtraído de Antunes dois automóveis de luxo – um Porsche 911 Carrera GTS e uma BMW M5 – além de um celular iPhone, um iPad, utensílios domésticos e R$ 30 mil que estavam em um cofre da empresa.
Conforme os registros da Polícia Civil, Antunes ainda alega ter sido cobrado em R$ 2 milhões para a devolução dos bens. O ex-assessor, procurado pela reportagem, optou por não comentar o caso, mas negou as acusações e alegou que o lobista tinha uma dívida de mais de R$ 1 milhão com ele.
Os dois eram sócios e trabalharam juntos, segundo a versão da polícia, que chegou a apreender a BMW junto com diversos equipamentos eletrônicos; no entanto, o Porsche não foi encontrado durante as buscas. Mensagens que fazem parte dos autos indicam que Antunes havia emprestado a BMW ao ex-funcionário.
A defesa de Antonio Camilo Antunes comentou que “nossa manifestação é que Edson Medeiros subtraiu bens da empresa e de Antônio, com um dos veículos ainda desaparecido, e que confia plenamente na Justiça para uma resolução justa.”
O desdobramento deste caso levanta questões sobre a integridade das instituições envolvidas e a seriedade das investigações em curso, enquanto a PF continua a apurar os fatos.
Fonte:: bemparana.com.br


