Na manhã desta terça-feira (17), a Câmara de Vereadores de Araucária decidiu manter o prefeito Gustavo Botogoski (PL) no cargo, após rejeitar o pedido de cassação apresentado pelo ex-secretário de Planejamento Samuel Almeida da Silva (PT). A votação terminou com 9 votos contrários à cassação e apenas 2 favoráveis, encerrando semanas de tensão política na cidade.
A acusação, que já havia sido aceita em fevereiro, ganhou novos contornos após o presidente da Câmara, Pastor Educardo Castilhos (PL), declarar nula a votação anterior, sob a justificativa de que a denúncia não havia sido lida integralmente – um movimento que os aliados chamavam de “correção de rito” e a oposição classificava como “golpe”.
A sessão foi aberta sob olhares atentos e um silêncio que contrastava com os debates calorosos dos últimos dias. O ambiente refletia as semanas anteriores, marcadas por idas e vindas na justiça; o Tribunal de Justiça do Paraná havia mantido a anulação da primeira votação, mas o desgaste político já estava instalado e a possibilidade de uma nova derrota no plenário assombrava ambos os lados.
Ao fundo, a sombra do acordo de R$ 31,7 milhões com a Viação Tindiquera pairava sobre todas as discussões. A denúncia apontava que Botogoski teria cometido improbidade ao assinar o acordo para pagamento de uma dívida ainda contestada na justiça, referente a um contrato de concessão do transporte coletivo de 2017. A oposição discursava com veemência, afirmando que o prefeito teria “burlado a ordem cronológica de precatórios” e ferido a transparência orçamentária. Por outro lado, a base governista rebatia com os argumentos trazidos pelo próprio prefeito nas últimas semanas, de que o acordo seria uma “economia” para os cofres públicos, reduzindo um valor que a perícia judicial já havia estipulado em R$ 41 milhões.
A defesa de Botogoski, nega veementemente qualquer irregularidade desde o início. O ponto crucial da defesa era que “nenhum centavo saiu dos cofres públicos” e que o pagamento, se ocorresse, seguiria o regime de precatórios em 2027 ou 2028, não afetando o orçamento de 2026. Esse argumento pareceu encontrar eco entre os vereadores indecisos.
Quando o presidente colocou a denúncia para ser lida por completo e na sequência em votação nominal, o plenário prendeu a respiração. Voto a voto, a derrota da oposição se desenhava. O placar final, 9 votos foram contrários ao prosseguimento da denúncia, alguns inclusive haviam votado favorável ao recebimento na primeira votação como os vereadores Pedrinho da Gazeta (PSD), Vagner Chefer (PSD), Olizandro Junior (MDB), Grilo (União), Paulinho Cabeleireiro (União), Celso Nicácio (PSD) mas mudaram de ideia, contra apenas 2 favoráveis, sendo eles Fábio Pavoni (PV) e Ben Hur Custódio (União). Ausência do vereador Gilmar Lisboa (Sem partido) e o presidente não vota.
Com a rejeição da denúncia por ampla maioria, o processo que poderia resultar na cassação do mandato de Botogoski foi arquivado definitivamente, encerrando o conturbado capítulo que começou em fevereiro com a abertura da investigação.





