Prisão de pai e madrasta suspeitos pela morte de criança no Tocantins

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Agenciabrasil.ebc.com.br

As autoridades policiais do estado do Tocantins efetuaram, na madrugada desta quinta-feira (6), a prisão preventiva do pai e da madrasta de Gustavo Veloso Feitosa, um menino de apenas 3 anos de idade. A criança foi encontrada sem vida na residência onde o casal morava, localizada em Palmas, na última segunda-feira (3).

Os suspeitos detidos foram identificados como sendo o advogado Igor Gustavo Veloso de Souza, de 33 anos, e sua companheira, Kathellen Moreira, de 23 anos. O caso gerou grande comoção e repercussão em todo o estado, mobilizando equipes de segurança pública e órgãos de proteção à infância em busca de esclarecimentos sobre o ocorrido.

De acordo O próprio genitor foi quem comunicou o falecimento do filho na segunda-feira, justificando às autoridades que havia demorado a registrar a ocorrência formal devido a um suposto estado de abalo emocional profundo.

No entanto, o andamento das investigações e os exames periciais mudaram drasticamente o rumo da apuração policial. Um laudo oficial emitido pelo Instituto Médico-Legal (IML) apontou que a causa da morte do pequeno Gustavo decorreu de múltiplas lesões provocadas por agressões físicas severas, além de constatação de violência sexual.

Relatos de ameaças e histórico de conflitos

O caso ganhou contornos ainda mais graves após a revelação de um registro em vídeo feito pela mãe da criança. Na gravação, o menino relata que não desejava retornar para a casa do pai, justificando o receio com a frase “ele me bate”. A defesa da mãe afirmou publicamente que ela já havia percebido e relatado que o filho retornava frequentemente com marcas e machucados após os períodos de visitação paterna, mas que acabava se omitindo de formalizar denúncias mais contundentes por sofrer constantes ameaças por parte do ex-companheiro.

Os genitores de Gustavo não mantinham união conjugal e atravessavam uma fase de conflitos judiciais, que incluía processos voltados à cobrança de obrigações alimentícias, a famosa pensão alimentícia.

Representantes jurídicos da mãe, identificada como Sabrina da Silva Feitosa, explicaram que ela se encontrava em uma situação de vulnerabilidade e extrema pressão jurídica. Impedir o contato e a convivência da criança com o pai poderia ser interpretado legalmente como prática de alienação parental, o que limitava as ações protetivas imediatas que ela desejava tomar.

A advogada Stella Bueno, que integra a defesa da mãe, detalhou o cenário de terror psicológico vivido pela cliente. Segundo a representante, o pavor constante pela própria integridade física, pela vida da criança e de outros familiares, alimentado pelas ameaças do suspeito, paralisou a mãe e a impediu de buscar medidas mais drásticas e urgentes no âmbito judicial e policial naquele momento.

Posicionamento das defesas

Em meio às acusações e à repercussão nacional do caso, tanto o pai quanto a madrasta negam veementemente qualquer tipo de envolvimento na morte do menino.

A defesa técnica responsável pela representação de Igor Gustavo Veloso declarou por meio de nota que o investigado tem colaborado ativamente com o trabalho das autoridades policiais desde o início das diligências. Segundo os advogados, a apresentação à polícia foi previamente combinada após a expedição do mandado de prisão, argumentando que a medida não configurou uma captura forçada, mas sim o cumprimento pacífico e acordado da ordem judicial expedida pela Justiça.

Por sua vez, a defesa de Kathellen Moreira manifestou surpresa diante da decretação da prisão preventiva. Os advogados argumentam que a decisão judicial desconsiderou o fato de que ela é mãe de uma lactante de apenas cinco meses de idade, que ainda depende exclusivamente de amamentação. A equipe jurídica informou que protocolará um pedido formal visando a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares alternativas ou pela concessão de prisão domiciliar. O objetivo dessa movimentação legal é permitir que as investigações prossigam sem prejuízo, mas garantindo os cuidados essenciais e indispensáveis à filha do casal.

Como desdobramento administrativo e ético decorrente da gravidade das acusações, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tomou a decisão de suspender de forma temporária a inscrição profissional de Igor Gustavo Veloso nos quadros da instituição.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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