Quinze anos de espera e cobranças pelo novo centro de treinamento do Coritiba

Redação Rádio Plug
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Imagem mostra a entrada do novo centro de trein...

O projeto de construção de um novo e moderno centro de treinamento para o Coritiba completa uma década e meia de paralisação e indefinições. Adquirido em julho de 2011, o terreno de 450 mil metros quadrados localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, continua sem sair do papel. A estrutura, que inicialmente prometia ser entregue no final de 2012, segue travada por exigências burocráticas e etapas de licenciamento ambiental.

Na época da compra, a expectativa da diretoria alviverde era solucionar questões logísticas e garantir uma reserva técnica de valor para o futuro da instituição. Vilson Ribeiro de Andrade, que exercia o cargo de vice-presidente do clube no período da aquisição e posteriormente assumiu a presidência, relembrou os objetivos iniciais do negócio. Segundo ele, a área foi obtida por um valor considerado acessível na época, com potencial de servir tanto para o desenvolvimento esportivo quanto para uma eventual comercialização futura.

“Na época era um negócio interessante, era super importante para o clube, porque era barato, considerando os valores da época. E era uma reserva técnica para o futuro do clube, até para uma futura venda, se fosse o caso. Esse foi o objetivo”, declarou Andrade em entrevista.

Alternativas e planos passados de financiamento

Para viabilizar o início das obras no terreno original, a gestão da época estudou diferentes alternativas de captação de recursos. Entre as propostas avaliadas estavam a busca por aproximadamente R$ 10 milhões por meio da Lei de Incentivo ao Esporte e até mesmo a alienação do tradicional CT da Graciosa, cuja avaliação de mercado naqueles anos girava em torno de R$ 15 milhões.

Embora a venda do patrimônio histórico não tenha se concretizado, circularam projetos que envolviam parcerias internacionais, incluindo tratativas voltadas a investidores do Oriente Médio e contatos com representantes governamentais do Catar. As estimativas de investimento variavam de R$ 15 milhões a R$ 50 milhões, dependendo do escopo final, mas nenhuma das alternativas logrou êxito na viabilização financeira da obra.

Vilson Ribeiro de Andrade

Vilson Ribeiro de Andrade, ex-presidente do Coritiba. (Foto: Sandro Nascimento/Alep)

O obstáculo do licenciamento ambiental na APA do Iraí

O principal entrave para o avanço das obras em Campina Grande do Sul reside na localização da propriedade, situada integralmente dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Iraí. A restrição ecológica impõe um rigoroso percurso de fiscalização e autorizações junto ao Instituto Água e Terra (IAT) do Paraná.

O fluxo de licenciamento ambiental do IAT é composto por três fases distintas. A primeira etapa corresponde à emissão da Licençã Prévia (LP), fase voltada a atestar a viabilidade ambiental da área e que autoriza apenas intervenções preliminares, como cercamentos e montagem de estruturas provisórias de apoio. Posteriormente, o clube precisa obter a Licençã de Instalação (LI), documento indispensável para dar início efetivo aos trabalhos pesados de engenharia, terraplanagem e edificações. Por fim, após a conclusão das instalações, exige-se a Licençã de Operação (LO), liberada somente após vistoria técnica conclusiva.

Bandeira do Coritiba

Bandeira do Coritiba. Foto: Divulgação/Coritiba

Diante da extensão do prazo e das alterações legislativas ocorridas ao longo de quinze anos, o andamento processual sofreu constantes readequações. Questionado sobre o estágio atual dos papéis, o ex-dirigente afirmou ter recebido indicações informais de que a licença inicial estaria liberada, embora ponderasse a necessidade de confirmação oficial.

“Pelo que me parece, a licença prévia já está aprovada, pelo menos a informação que eu tenho. Não sei se ela é real. Se ela está aprovada, então alguém tem que explicar o que está acontecendo”, cobrou o ex-presidente.

Em contraponto às declarações, o Instituto Água e Terra esclareceu que a documentação pertinente ainda não foi deferida, permanecendo sob análise técnica dos órgãos competentes.

Área do CT do Coritiba

Foto: Hugo Harada/Arquivo/Gazeta do Povo.

Busca por alternativas de espaço

Enquanto a indefinição persiste e o projeto é administrado atualmente sob o modelo de SAF, a cúpula alviverde busca soluções paralelas para suprir as demandas operacionais do departamento de futebol, com foco especial na estrutura destinada às categorias de base. Nos bastidores recentes, a diretoria realizou consultas para avaliar a possibilidade de locação pontual de campos junto a proprietários de centros de treinamento alternativos na região metropolitana.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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