Tecpar premia nova tecnologia paranaense voltada ao combate de arboviroses

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), por intermédio de seu Creative Hub, concedeu recentemente o Selo de Inovação para a empresa EDL Brasil. A honraria coroa o desenvolvimento da Plataforma Digital Integrada de Inteligência Territorial para Vigilância de Arboviroses, uma solução tecnológica projetada para atualizar e dar mais eficiência às estratégias de controle e monitoramento de enfermidades transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como a dengue, a zika e a chikungunya.

A ferramenta recém-premiada reúne diversos recursos em um único ecossistema digital. Ela combina um aplicativo voltado para o trabalho das equipes de campo, um portal web institucional, painéis interativos de indicadores de desempenho (dashboards), ferramentas de georreferenciamento e módulos dedicados à gestão de manutenções, rotas, logística e dados epidemiológicos. Um dos grandes diferenciais técnicos do aplicativo é o funcionamento no formato offline-first, o que viabiliza o registro de dados e atividades mesmo em áreas urbanas ou rurais com acesso precário à internet.

Criada para atender tanto a esfera pública quanto a iniciativa privada, a tecnologia já passa por etapas de validação em cenários reais. Atualmente, o sistema é testado em parceria com secretarias municipais de saúde e nas dependências do próprio campus do Tecpar, somando mais de 1.500 pontos monitorados com georreferenciamento em território nacional. Apenas na unidade CIC do instituto, há sete pontos ativos, com projeção de expansão para mais 23 locais antes da chegada do verão, temporada historicamente marcada pelo aumento na proliferação do vetor.

Superando barreiras no controle vetorial

A concepção da ferramenta nasceu da constatação de um obstáculo histórico enfrentado por órgãos de saúde: a fragmentação de dados. Tradicionalmente, as informações recolhidas pelas equipes em campo, os aspectos logísticos e a vigilância epidemiológica operavam de maneira isolada, o que dificultava a criação de um panorama unificado e em tempo real sobre a propagação dessas patologias.

Para solucionar esse entrave, a EDL Brasil estruturou a plataforma de modo a centralizar os fluxos informativos, entregando aos gestores públicos uma visão territorial abrangente que subsidia decisões estratégicas de forma ágil.

O sistema opera em sintonia com as chamadas Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs). Trata-se de armadilhas inteligentes constituídas por recipientes com água e uma superfície revestida por um pó larvicida ultrafino. Ao atraírem as fêmeas do Aedes aegypti, as armadilhas fazem com que os insetos transportem o insumo para outros criadouros naturais ou artificiais. Dessa forma, o ciclo de desenvolvimento das larvas é interrompido, alcançando inclusive locais de difícil acesso ou visualização pelas equipes tradicionais de endemias.

Enquanto o dispositivo atua fisicamente no ambiente, a plataforma digital mapeia a localização de cada equipamento, organiza a escala de trabalho dos operadores, gerencia manutenções preventivas e corretivas e converte registros simples de campo em métricas gerenciais complexas.

Impactos na saúde pública e chancela institucional

Para a diretoria do Tecpar, representada pelo diretor-presidente Eduardo Marafon, incentivar e validar soluções que gerem impactos diretos na qualidade de vida da sociedade cumpre um papel fundamental na missão do instituto.

“Nosso Selo de Inovação vem para reconhecer iniciativas como essa, que impactam diretamente na saúde e no bem-estar da população. A possibilidade de aumentar a capacidade de planejamento, rastreabilidade e utilização eficiente dos recursos públicos para controlar a disseminação de doenças como a dengue, chikungunya e zika é um divisor de águas no setor de saúde e merece ser valorizado”, pontuou Marafon.

Do lado da empresa desenvolvedora, o CEO Luiz Carlos Roque Junior enxerga a certificação como uma importante chancela científica e tecnológica. Para o executivo, o reconhecimento de uma instituição paranaense de renome valida a eficácia da ferramenta e impulsiona a expansão do modelo para outras prefeituras e regiões do país, substituindo a atuação fragmentada por uma governança baseada em inteligência de dados.

A tecnologia em funcionamento rotineiro

Na prática diária, os agentes de saúde visitam os imóveis para a instalação das armadilhas inteligentes. Munidos de tablets, os profissionais registram o endereço exato para fins de georreferenciamento e documentam o procedimento por meio de fotografias. Após o intervalo de 30 dias, uma nova visita é realizada para a substituição do insumo larvicida e para orientar os moradores quanto à preservação do equipamento.

O fluxo de dados gerado alimenta a base central da plataforma. “Podemos saber qual manutenção está em atraso, qual está em dia e qual está na rota de visitação. Conectando essas atividades, cruzamos todas as informações coletadas com outros dados entomológicos, ou seja, de conhecimentos específicos do mosquito Aedes, e conseguimos trabalhar com mais qualidade na gestão de combate à arboviroses”, detalha Roque Júnior.

A meta principal da EDL Brasil com a difusão da plataforma é transformar o volume diário de ocorrências em análises preditivas, permitindo que as administrações municipais antecipem cenários de risco, otimizem o emprego de verbas públicas e combatam as arboviroses de maneira mais assertiva.

Sobre a certificação

O Selo de Inovação é emitido pelo Creative Hub do Tecpar com o intuito de destacar produtos, serviços e processos que demonstrem diferencial tecnológico e capacidade de gerar valor mercadológico e social. A premiação chancela iniciativas que utilizam a inovação para elevar a eficiência operacional e fomentar o avanço econômico e social.

Para mais informações sobre os critérios e o processo de obtenção do Selo de Inovação do Tecpar, acesse https://www.tecpar.br/Pagina/Selo-de-Inovacao.

Fonte:: seti.pr.gov.br

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