Treinamento Reforça Papel Estratégico dos Cães dos Bombeiros em Resgates

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Seguranca.pr.gov.br

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), através do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), conduziu um treinamento de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC) nesta quinta e sexta-feira (23 e 24). O evento teve como foco a integração com médicos e enfermeiros do SIATE e do SAMU de Curitiba, visando aprimorar a atuação conjunta nas situações de emergência. Um dos momentos mais destacados do curso foi a utilização de cães na busca, que demonstrou a importância vital desses animais nas operações de resgate.

Os cães são preparados para localizar vítimas tanto entre escombros quanto em áreas de vegetação densa, utilizando seu olfato apurado como principal recurso. Em cenários urbanos, seus serviços são fundamentais em situações como desmoronamentos e soterramentos. Esses animais podem ser certificados para indicar a presença de vítimas vivas, que são a prioridade nas missões, ou auxiliar na recuperação de corpos. Nas operações em áreas rurais, os cães realizam buscas por meio do “venteio”, que consiste em vasculhar grandes terrenos em busca de pessoas desaparecidas, além de identificar odores específicos a partir de referências olfativas previamente treinadas.

Além de localizar pessoas, os cães desempenham um papel tático essencial, ajudando as equipes a eliminarem áreas de busca com segurança e eficiência. O comandante do GOST, tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, explica que a atuação dos cães é integrada a um arsenal de técnicas e equipamentos disponíveis durante as buscas. “Quando um cão examina uma área e não encontra nada, isso nos permite redirecionar nossas equipes e concentrar esforços e recursos, como drones e câmeras térmicas, em locais com maior probabilidade de sucesso. Assim, economizamos tempo, um fator crítico em situações de emergência”, ressalta o comandante.

O processo de seleção e treinamento desses cães é rigoroso e começa desde os primeiros meses de vida. Nem todos os cães selecionados conseguem concluir a formação, e apenas aqueles que apresentam aptidões específicas passam por um treinamento que pode durar entre um ano e meio e dois anos. Após esta fase, eles são submetidos a certificações nacionais, adequadas ao tipo de atividade que realizarão. Durante o treinamento, os cães enfrentam uma variedade de cenários e condições adversas, incluindo barulhos altos, operações noturnas, chuva, neblina e até transporte em aeronaves, para garantir que estejam preparados para atuar em situações reais sem comprometer seu desempenho.

O estabelecimento de um forte vínculo entre o bombeiro e o cão, conhecido como binômio, é fundamental para o sucesso das operações. Cada cão recebe a atenção e os cuidados diários do bombeiro designado a ele, o que facilita a percepção de quaisquer mudanças no comportamento do animal durante as buscas, aspectos essenciais para o bom desempenho da missão. “Considero essa a atividade mais desafiadora do Corpo de Bombeiros. Normalmente, nossas tarefas exigem apenas o funcionamento do equipamento e o treinamento do bombeiro. Com os cães, a dinâmica muda completamente, uma vez que se trata de um ser vivo e exige não apenas o treinamento de ambos, mas também uma atenção especial ao laço que se forma entre eles”, comenta o tenente-coronel Gabriel.

Ele também destaca que os condutores dos cães costumam ser os primeiros a chegar às ocorrências e os últimos a sair, pois precisam se certificar de que os cães estão preparados e bem cuidados antes e depois das missões. “Muitas pessoas pensam que a única exigência é gostar de animais, mas a rotina de treinamento e operação é extremamente desgastante para os condutores”, acrescenta.

O CBMPR mantém um compromisso com o bem-estar dos cães, que envolve cuidados constantes, treinamento diário, alimentação de alta qualidade, suplementação e acompanhamento veterinário. “Os cães do CBMPR recebem cuidados que frequentemente superam os dispensados a animais de estimação, garantindo sua saúde e longevidade, com muitos vivendo entre 14 e 16 anos”, afirma o cabo Fabiano Krul, cinotécnico do GOST e responsável por dois cães de busca: Hórus, um Pastor Belga Malinois de 6 anos, e Amora, uma Golden Retriever de 3 anos.

A infraestrutura da corporação também é projetada para atender às necessidades dos cães, com viaturas adaptadas para transporte que dispõem de climatização e controle de umidade, assegurando conforto e segurança durante deslocamentos prolongados. “Embora a atividade que eles realizam seja de extrema importância, para o cão, a busca e o resgate é, na verdade, uma grande brincadeira. Portanto, só utilizamos os animais em situações que já foram previamente avaliadas e que não apresentem riscos para eles. Antes de qualquer operação, toda a área é cuidadosamente inspecionada”, explica o bombeiro.

No momento, o GOST opera utilizando o canil central do CBMPR, localizado em Curitiba, que abriga 10 cães, entre os já certificados e aqueles que estão em processo de certificação. Em todo o Estado, a corporação conta com cerca de 30 cães, distribuídos em canis setoriais nas cidades de Telêmaco Borba, Guarapuava, Cianorte, Londrina, Santo Antônio da Platina e Francisco Beltrão. Essa estrutura amplia a capacidade de resposta aos chamados de emergência e aproxima os recursos das áreas afetadas, inclusive com suporte aéreo para o rápido deslocamento dos animais, quando necessário.

Os cães do CBMPR já contribuíram em algumas das maiores operações de busca e resgate do Brasil, incluindo o trágico rompimento da barragem em Brumadinho (MG), os deslizamentos de terra em Petrópolis (RJ) e as enchentes no Rio Grande do Sul. Além das grandes operações, os cães atuam frequentemente em buscas de pessoas desaparecidas em áreas de mata por todo o Paraná, e, muitas vezes, esses esforços têm um desfecho positivo, graças ao trabalho incansável e dedicado desses animais.

Fonte:: seguranca.pr.gov.br

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