O mês de março de 2023 no Paraná foi marcado por temperaturas superiores à média histórica e precipitações bem abaixo do esperado, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (1º) pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).
As temperaturas mínimas, geralmente observadas nas primeiras horas do dia, mantiveram-se dentro da média na região Leste do estado, incluindo o Vale do Ivaí. No Centro-Sul, as mínimas ficaram ligeiramente acima da média, enquanto nas regiões Oeste, Noroeste e, especialmente, no Sudoeste, as mínimas superaram a média histórica de março em até 2°C.
A menor temperatura registrada em março foi de 8°C, em General Carneiro, no dia 14. Várias estações meteorológicas também registraram suas marcas mais frias do ano até agora, como 16,5°C em Antonina e 12,5°C em Curitiba, todos no dia 3, com temperaturas também notáveis em outras cidades durante a primeira metade do mês.
No que diz respeito às temperaturas máximas, que normalmente são observadas durante a tarde, ocorreram variações que ficaram próximas ou ligeiramente acima da média na metade norte do Paraná e no Litoral. Na região metropolitana de Curitiba até o Oeste, as temperaturas máximas foram de 1°C a 2°C acima do padrão histórico, com cidades do Sudoeste apresentando registros ainda mais altos.
A temperatura máxima que se destacou foi 38,7°C, registrada em Capanema no dia 30. Além disso, várias cidades alcançaram suas temperaturas mais elevadas até o momento de 2023, incluindo Apucarana e Ponta Grossa, que tiveram máximas acima de 30°C nos dias de destaque do mês.
As temperaturas médias para este mês, que são a soma de todas as temperaturas diárias, ficaram entre 1°C e 2°C acima da média no Sudoeste e Centro-Sul, enquanto o restante do estado permaneceu ligeiramente acima do normal.
“A falta de chuva resultou em um tempo seco predominante, fazendo com que o sol brilhase mais e elevasse as temperaturas durante as noites e dias. As regiões do Oeste e Sudoeste foram especialmente afetadas, enquanto a área de Curitiba permaneceu mais próxima à média histórica. No Litoral, as temperaturas se comportaram conforme as previsões climáticas”, analisou o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar.
Chuva abaixo da média
Entre as 47 estações operadas pelo Simepar, apenas oito conseguiram atingir o volume de chuva esperado para março. Algumas localidades registraram precipitações inferiores a 25 mm em todo o mês, como foi o caso de Curitiba e outras cidades paranaenses.
Essa realidade de chuvas abaixo da média é atribuída à influência de massas de ar seco que estiveram em destaque durante todo o mês. Ao contrário do que seria esperado, março, que normalmente faz a transição para um período mais seco em abril, trouxe chuvas ainda mais escassas que o normal.
“As precipitações registradas foram muito mais baixas do que o esperado para esta época do ano, resultado da falta de umidade que costuma ser advinda da região amazônica. Isso propiciou dias consecutivos com pouca ou nenhuma chuva, especialmente nas zonas Oeste e Sudoeste do estado”, explicou Kneib.
A estação meteorológica de Londrina foi a primeira a atingir a média histórica de chuvas em março de 2023, embora tenha recebido chuva apenas em 12 dos 31 dias do mês — entre os quais se destacaram os dias 8, 9 e 10, que totalizaram um acumulado de 262,4 mm.
Outros municípios, como Cambará e Cerro Azul, também atingiram volumes significativos de precipitação, muito acima da média para este mês do ano, refletindo a irregularidade das chuvas.
Impacto da estiagem
A escassez de chuvas trouxe consequências para várias regiões do estado desde os meses anteriores. “Com a queda nas precipitações ao longo de março, a seca se agravou, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste. A combinação da falta de chuvas com temperaturas elevadas aumentou a evapotranspiração, resultando em uma umidade do solo comprometida, o que pode causar problemas significativos para a agricultura”, ressaltou Reinaldo.
A Defesa Civil do Paraná reportou que 14 municípios enfrentam problemas decorrentes da estiagem, com 11 prefeituras já declarando situação de emergência. As áreas mais afetadas são as regiões Central, Oeste e Sudoeste, onde as equipes estão em campo para auxiliar na elaboração de projetos e na recuperação com recursos da assistência pública.
Nos próximos meses, o governo estadual planeja fortalecer a resposta a incêndios florestais, com a entrega de equipamentos e materiais de emergência para as cidades impactadas.
“As previsões do Simepar são cruciais para adequar as ações nos municípios e preparar os esforços nas prefeituras. Este verão foi atípico, com secas severas inclusive na faixa litorânea, que geralmente é mais úmida nesta época do ano. Estamos observando um avanço consistente desse quadro em várias partes do Paraná”, concluiu o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Fernandes.
Fonte:: parana.pr.gov.br





