Irã recruta crianças para trabalhos de segurança, revela reportagem da BBC

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A recente morte de um menino de 11 anos em um ataque aéreo em Teerã trouxe à tona uma prática alarmante do regime iraniano: o recrutamento de menores para funções nos serviços de segurança do país, conforme destacado em uma investigação da BBC.

O caso do garoto, identificado como Alireza Jafari, levanta questões sobre a utilização de crianças em atividades de vigilância e controle. Segundo relatos, Alireza foi morto enquanto trabalhava em um posto de controle ao lado de seu pai. Sua mãe, Sadaf Monfared, contou ao jornal local Hamshahri que tanto ela quanto o marido estavam envolvidos com a milícia Basij, uma organização paramilitar composta por voluntários.

A mãe relatou que, diante da escassez de pessoal no posto de controle, o pai decidiu levar o filho para ajudá-lo no serviço. Essa situação evidencia o desespero e a vulnerabilidade em que muitos cidadãos iranianos se encontram, levando-os a expor suas crianças a situações de risco.

Recrutamento Adolescente

A matéria da BBC foi divulgada em um período crítico, quando a Guarda Revolucionária do Irã anunciou a intenção de recrutar “voluntários” a partir dos 12 anos de idade. Este novo movimento de recrutamento indicia uma estratégia do regime para ampliar suas forças de segurança com o uso de crianças e adolescentes.

Relatos de testemunhas que conversaram com a BBC indicam que crianças armadas têm sido observadas realizando funções de controle de segurança, não apenas em Teerã, mas também em várias cidades do Irã. Essa prática apresenta um cenário preocupante, onde a infância é sacrificada em nome da segurança estatal.

A Guarda Revolucionária descreve este programa como “Combatentes Defensores da Pátria do Irã”, e tem como objetivo utilizar crianças em variadas funções, incluindo patrulhas e trabalho em postos de controle ao longo da capital e outras localidades. Essa estrutura não só expõe as crianças a riscos físicos, mas também as coloca em uma situação de violência e militarização precoce.

O recrutamento está sendo realizado por meio de mesquitas que estão diretamente ligadas à milícia Basij. Essa organização, controlada pela Guarda Revolucionária, conta com um vasto efetivo de cerca de um milhão de membros, muitos dos quais são ativados em situações de repressão a manifestações e descontentamentos populares.

Os adolescentes engajados nas patrulhas noturnas utilizam máscaras, elevando ainda mais as preocupações sobre o impacto psicológico e social dessa experiência em suas vidas. Durante as operações, pode-se observar jovens armados abordando veículos civis, efetuando inspeções sob o respaldo da autoridade oficial, com alto-falantes e bandeiras da República Islâmica.

A revelação sobre o recrutamento infantil no Irã provocou reações de organizações de direitos humanos. A Human Rights Watch (HRW) classificou a iniciativa como uma “grave violação dos direitos das crianças”, e enfatizou que essa prática configura um crime de guerra, especialmente quando a idade dos envolvidos é inferior a 15 anos. Este tipo de degradação da infância em nome de um suposto “bem público” exige uma vigilância internacional e ações efetivas para coibir tais abusos.

Fonte:: estadao.com.br

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