E o ferryboat? Saiba o destino após a inauguração da Ponte de Guaratuba

Redação Rádio Plug
Ferryboat faz travessia entre Matinhos e Guarat...

A tão aguardada Ponte de Guaratuba, que promete facilitar a travessia entre os municípios de Matinhos e Guaratuba, está prestes a se tornar uma realidade. A inauguração da ponte está marcada para o dia 29 de abril e, com isso, um capítulo importante da história da região será encerrado: o serviço de ferryboat, que por 66 anos conectou as duas cidades, será desativado.

Embora tenha sido uma solução prática para muitos, o ferryboat, que começou a operar em 1960, será lembrado com nostalgia por parte da população local. A travessia, que frequentemente gerava longas filas, tornou-se um ponto de referência na rotina dos paranaenses que visitavam a região durante as feriados e temporadas de férias.

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Atualmente, o ferryboat ainda está em operação e deverá encerrar suas atividades somente após a abertura da ponte. O serviço conta com seis embarcações e tem uma movimentação anual de cerca de 1,3 milhão de veículos.

Detalhes sobre o contrato do ferryboat

O contrato emergencial firmado com a empresa Internacional Marítima, que presta serviços com o ferryboat, está previsto para chegar ao fim, mas os funcionários envolvidos na operação em Guaratuba poderão ser transferidos para outras atividades da empresa. Antes da introdução do ferryboat, a passagem por terra para Guaratuba era feita apenas via Santa Catarina, especificamente pela cidade de Garuva. De acordo com dados do governo, cerca de 40 milhões de veículos já utilizaram o ferryboat ao longo dos anos.

No último ano, a empresa fez uma despedida simbólica, compartilhando em suas redes sociais que “o pôr do sol na travessia de Guaratuba nunca foi apenas um trajeto. Foi uma pausa, uma rotina e uma história se desenrolando todos os dias, entre idas e vindas, entre aqueles que chegavam e os que partiam.” A postagem também expressou a sensação de que “o sol se põe… e leva com ele memórias que permanecerão para sempre.”

Um registro dessa despedida foi publicado na página oficial do Ferryboat Guaratuba no Instagram.

Recordações do primeiro ferryboat

O primeiro ferryboat a operar na Baía de Guaratuba, introduzido pelo governador Moisés Lupion em 1960, era uma embarcação de madeira com 27 metros de comprimento e 10 metros de largura, equipada com dois motores GM de 130 cavalos. Segundo relatos de João James de Oliveira Alves, carinhosamente conhecido como Seu Janjão, essa embarcação levava o nome de “Engenheiro Ayrton Cornelsen”. Ela tinha capacidade para transportar dez automóveis e um caminhão leve, mas não era autorizada a levar ônibus.

Seu Janjão, natural de São Francisco do Sul, foi convidado para trabalhar na travessia de Guaratuba por um amigo. Ele recorda que, ao ser apresentado ao conceito de ferryboat, imediatamente aceitou o desafio, sem imaginar que isso mudaria sua vida para sempre.

Impacto ambiental da travessia do ferryboat

Os estudos ambientais realizados para a nova Ponte de Guaratuba também revelaram que a travessia do ferryboat impactou de forma negativa a fauna marinha local. A intensa atividade do ferry gerava ruídos subaquáticos que, conforme a pesquisa, afetavam significativamente o comportamento de cetáceos como golfinhos e botos. Na campanha de monitoramento da fauna, foi observado apenas um par de botos-cinza a sete quilômetros da nova ponte, em contraste com dados de décadas anteriores que indicaram a presença de até 32 desses animais na baía.

A redução no número de cetáceos pode ser atribuída ao aumento do movimento da travessia do ferryboat, junto com o aumento do tráfego de outras embarcações. Durante uma das campanhas de levantamento de fauna, foram registrados níveis de ruído subaquático que chegaram a 241 decibéis, um dos maiores padrões já documentados na região em monitoramentos desse tipo.

De acordo com o relatório dessa pesquisa, o ruído produzido pelas atividades humanas pode influenciar o comportamento, a saúde, a distribuição e a dinâmica populacional dos golfinhos e botos, levando a um deslocamento desses animais para áreas mais afastadas das

Os benefícios relacionados à construção da ponte e ao fim da atividade do ferryboat prometem se estender também às tartarugas marinhas e diversas espécies de peixes que habitam a baía, proporcionando um ambiente mais favorável para alimentação, reprodução e descanso.

No litoral paranaense, as espécies de cetáceos mais frequentes incluem o boto-cinza (Sotalia guianensis), a toninha (Pontoporia blainvillei) e o boto-caldeirão (Tursiops truncatus).

Fonte:: bemparana.com.br

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