O impacto causado pela elevação das tarifas de importação dos Estados Unidos em 2025 foi notoriamente mais acentuado nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, tanto em termos absolutos quanto em relação ao volume exportado. Essa análise foi elaborada pelo Banco Central e está detalhada em uma seção do Boletim Regional do ano passado, que foi divulgado nesta quarta-feira, 20.
Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do próprio Banco Central, a autarquia estima que as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025, resultando em uma queda de US$ 2,7 bilhões. Esse montante representa 0,1% do PIB e 0,8% do total das exportações brasileiras.
O Banco Central observou que o impacto mais significativo foi registrado no Sudeste, onde as exportações para os Estados Unidos recuaram de US$ 28,7 bilhões para US$ 27 bilhões, uma diminuição de 1%. Na região Sul, a queda foi de 1,5%, passando de US$ 5,2 bilhões para US$ 4,3 bilhões. No Centro-Oeste, as exportações se mantiveram praticamente estáveis, enquanto o Norte e o Nordeste apresentaram uma leve alta, mas com valores absolutos menores, tornando-se, portanto, mais suscetíveis a variações pontuais.
Em relação aos diferentes estados do Brasil, as quedas mais acentuadas foram observadas no Rio de Janeiro, onde as exportações caíram de US$ 7,4 bilhões para US$ 6,6 bilhões; em Minas Gerais, que viu suas exportações encolherem de US$ 4,6 bilhões para US$ 4,3 bilhões; e no Paraná, onde a queda foi de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,2 bilhão. Contudo, quando analisadas as taxas de atividade, o estado que enfrentou a maior retração foi o Espírito Santo, que registrou uma diminuição equivalente a 0,55% do seu PIB no período em questão.
O Banco Central, ao decompor as variações em termos de valor, preço e volume, constatou que entre 2024 e 2025 o Brasil enfrentou uma redução de 6,7% nas exportações para os Estados Unidos. Essa diminuição foi exacerbada principalmente pela queda no volume de exportações (-5,6%), enquanto os preços apresentaram uma leve redução de 1,2%. Esse padrão, de acordo com a análise do Banco Central, é consistente com os efeitos esperados de um choque tarifário, que geralmente impacta primeiro as quantidades exportadas. No Sudeste, o declínio no volume foi de 4,4%, enquanto no Sul alcançou 14,5%.
Além disso, o Banco Central ressaltou que a diminuição nas exportações para os Estados Unidos no Sudeste teve reflexos em diversos produtos. No caso de Minas Gerais, a retração das exportações de café foi um fator significativo para a queda, embora o aumento nos preços da commodity tenha atenuado o impacto negativo causado pela redução do volume. Em São Paulo, a diminuição esteve ligada a uma combinação de bens industrializados e semimanufaturados. No Rio de Janeiro, mesmo com o petróleo não sendo afetado pelas tarifas, houve uma diminuição nas exportações de combustíveis, possivelmente devido ao aumento da incerteza no mercado.
No Sul do país, o declínio foi generalizado e incluiu uma diminuição nas exportações de máquinas e produtos madeireiros. As carnes bovinas também sofreram redução em volume, embora os altos preços tenham suavizado a diminuição total.
A decomposição entre preço e quantidade confirma que o efeito predominante da queda nas exportações foi devido à redução no volume, o que é consistente com a natureza do choque tarifário. Além disso, a queda mais acentuada nos produtos que estavam sujeitos à ordem executiva reforça a ligação entre a política tarifária e a retração que foi observada, conforme destacou o Banco Central.
Por outro lado, a autoridade monetária observou que há indícios de que parte das exportações brasileiras possa ter sido redirecionada para outros mercados, considerando que as exportações totais do país apresentaram crescimento no período analisado. Em resumo, o impacto global foi considerado limitado, mas os efeitos foram diferenciados e significativos para certos estados e setores produtivos.
2026: Possíveis Mudanças no Quadro
Para o ano de 2026, o Banco Central acredita que o cenário pode passar por alterações. Fatores que podem influenciar essa mudança incluem a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou as tarifas globais impostas por Trump, as novas tarifas de 10% que foram estabelecidas em resposta a essa anulação, a manutenção das tarifas sobre aço e alumínio – que não foram afetadas pela decisão judicial – e a investigação comercial que os Estados Unidos estão conduzindo contra o Brasil.
Fonte:: infomoney.com.br




