Como os países estão enfrentando a crise de combustíveis gerada pela guerra?

Redação Rádio Plug
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Funcionário segura notas de yuan em um posto de...

Título: Como os países estão enfrentando a crise de combustíveis gerada pela guerra?

Desde o início do conflito no Oriente Médio, há quase três meses, o aumento no preço internacional do petróleo tem gerado elevações nos custos dos combustíveis e impactado as taxas de inflação ao redor do mundo.

Para lidar com essa situação, os governos de várias grandes economias têm adotado diferentes políticas, que incluem desde o fortalecimento das reservas de energia e a promoção do uso de

A seguir, estão alguns dos impactos observados e as medidas que estão sendo implementadas ou consideradas para enfrentar a crise energética.

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EUA

Nos Estados Unidos, o preço médio do galão de gasolina ultrapassou a marca de US$ 4,50 em maio, segundo dados da American Automobile Association (AAA). O presidente, Joe Biden, está avaliando a possibilidade de suspender temporariamente o imposto federal sobre combustíveis, visando minimizar os efeitos sobre os consumidores e evitar uma escalada da inflação. Estados que reduziram impostos locais registraram menores aumentos nos preços da gasolina.

Biden comentou em uma coletiva de imprensa que deseja interromper a cobrança de 18 centavos por galão no imposto federal. Para que essa suspensão ocorra, é necessário um ato do Congresso, mas as chances são favoráveis, já que propostas foram apresentadas por democratas em março.

Recentemente, estados como Geórgia, Indiana e Utah suspenderam seus impostos sobre a gasolina, embora essa medida na Geórgia tenha uma data de validade prevista para esta semana.

Entretanto, mesmo com a eliminação de todos os impostos, a NBC estima que os preços médios ainda subirão 35% desde o início do conflito, considerando o aumento de 50% verificado desde 28 de fevereiro, quando os primeiros ataques foram realizados por EUA e Israel contra o Irã.

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Brasil

No Brasil, após ações do governo visando a redução de impostos, os preços praticados pela Petrobras atualmente estão cerca de 37% abaixo da paridade de exportação (EPP) para gasolina, enquanto o diesel está alinhado à paridade de importação (IPP). Isso é o que indicam os cálculos realizados pelo Itaú BBA.

Em 13 de maio, o governo anunciou uma medida provisória (MP) que prevê um benefício tributário para os tributos federais Cide e PIS/Cofins, que incidem sobre os combustíveis. Além disso, foi criada uma subvenção para o diesel, resultado de uma parceria entre a União e estados, onde ambos arcariam com R$ 0,60 por litro.

No entanto, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já sinalizou que um reajuste nos preços é inevitável, afirmando que o aumento da gasolina deve ocorrer em breve, mas destacando a necessidade de manter o equilíbrio do mercado.

China

A China, onde mais de 300 milhões de pessoas utilizam veículos movidos a gasolina ou diesel, depende fortemente do petróleo proveniente dos países do Golfo, especialmente do Irã. Portanto, a situação do Estreito de Ormuz é particularmente delicada para o país.

Uma das medidas adotadas pelo governo chinês foi manter altas suas reservas de petróleo, que estão em cerca de 900 milhões de barris – o que equivale a quase três meses de importações, de acordo com a BBC. Informações da Universidade de Columbia indicam que o volume total de reservas de combustível do país chega a aproximadamente 1,4 bilhão de barris.

Além disso, as autoridades chinesas intensificaram o controle sobre os suprimentos a curto prazo, pedindo que as refinarias suspendessem temporariamente as exportações de combustível para regular os preços internos.

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) revisa os preços da gasolina e do diesel a cada 10 dias, ajustando os valores em função das cotações globais do petróleo. Até o momento, cinco reajustes foram realizados este ano, sendo que o último ficou abaixo do esperado. Desde o começo do conflito, o preço local da gasolina já apresenta um aumento de cerca de 20%.

Índia

As refinarias indianas iniciaram, na semana passada, um processo de elevação nos preços da gasolina e do diesel. O primeiro aumento foi de 3 rúpias por litro, seguido por um incremento de 90 centavos, representando um reajuste total de cerca de 4%. Essa estratégia visa recuperar parte das perdas vinculadas ao aumento dos preços globais do petróleo.

Devido a mudanças recentes nos impostos especiais, uma parte do choque de preços está sendo absorvida pelo governo, evitando uma transferência total ao consumidor. Os aumentos gradativos visam mitigar um impacto inflacionário imediato.

Esse aumento, ainda que modesto, é o primeiro registrado em quatro anos, e segundo análises, não deve comprometer significativamente a demanda interna por combustíveis. Contudo, especialistas alertam que, se os preços globais permanecerem altos, as refinarias poderão ser pressionadas a elevar ainda mais os preços nas bombas.

Diante desse cenário, as refinarias indianas foram capazes de compensar perdas anteriores quando os preços do petróleo estavam baixos, possibilitando que preços dos combustíveis se mantenham relativamente acessíveis aos consumidores.

Europa

A União Europeia tem divulgado suas iniciativas referentes às medidas tomadas em resposta à crise energética provocada pela guerra na Ucrânia, destacando a diversificação das No entanto, a elevação dos preços tem impactado a economia em diversas nações.

A Alemanha, por exemplo, já observou aumento de quase 14% nos preços da gasolina e 20% no diesel desde o início do conflito. Na França, esses aumentos são ainda mais expressivos, com registros de 21% e 31%, respectivamente.

Protestos têm sido relatos de agricultores contra as elevadas tarifas do diesel em determinados países, enquanto a Itália formalizou queixas sobre a demora na implementação de medidas de mitigação.

A Comissão Europeia, através da iniciativa AccelerateEU, propôs a introdução de medidas temporárias, como assistência estatal, para setores mais suscetíveis aos picos de preços, incluindo agricultura, pesca, transporte e indústrias que consomem muita energia. Essa proposta poderá entrar em vigor até 31 de dezembro de 2026.

Fora do bloco europeu, a situação também é crítica. No Reino Unido, por exemplo, o preço médio da gasolina sem chumbo subiu para 158,52 pence por litro, o maior desde o início da guerra no Irã. A previsão é de que, em breve, esse valor alcance pelo menos 160 pence por litro, a menos que haja uma queda considerável nos preços do petróleo.

Recentemente, o jornal The Sun noticiou que o governo britânico pode prorrogar a redução do imposto sobre combustíveis, que está em vigor desde o aumento de preços pós-pandemia, Um aumento de imposto está agendado para setembro.

Fonte:: infomoney.com.br

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