Liderança nacional do Paraná na produção de orgânicos tem certificação do Tecpar

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

QUATRO BARRAS; 04/03/26; A produtora de orgânicos Edna Vargas recebeu a equipe do Tecpar para a vistoria de documentos necessários para a certificação. Foto: Hedeson Alves/TECPAR

Entre 2019 e 2025, o Centro de Certificação do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) viu um aumento de 70% no número de certificados emitidos para produtos orgânicos, elevando o Paraná à posição de maior produtor de orgânicos do Brasil. O apoio contínuo do Tecpar contribuiu para que o número de produtores rurais que trabalham com orgânicos dobrasse nesse período.

Conforme dados atualizados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil atualmente possui 24.226 certificados válidos concedidos a produtores de orgânicos, dos quais 4.263 estão localizados no Paraná, representando cerca de 20% do total nacional. Os estados que seguem na lista são o Rio Grande do Sul, em segundo lugar, com 3.093 certificados, e a Bahia, em terceiro, com 1.859 certificados.

A gerente da Certificação de Produtos do Tecpar, Rochelly Hüber, explica que em 2019, o número de certificados válidos do Tecpar para produtos orgânicos era de 532, e esse número subiu para 914 em 2025. Em comparação, os certificados válidos no Paraná aumentaram de 434 para 842 durante o mesmo período.

Agricultura Familiar

Esses dados refletem a crescente demanda por uma alimentação saudável, a qual impulsionou a busca por produtos orgânicos nos últimos anos. Edna Aparecida Gomes do Reis, que cultiva alimentos orgânicos certificados há seis anos em sua propriedade em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba, compartilha sua experiência. Em uma área de cinco hectares, Edna optou por uma diversidade de cultivos, produzindo tomate, hortaliças, maracujá e ervas medicinais, como o chá verde. Na safra de 2025, ela conseguiu colher dois mil quilos de tomate orgânico e, com a mudança de variedade, espera colher seis mil quilos neste ano.

“No início, eu não achava que conseguiria produzir orgânicos, mas hoje estamos produzindo bem. Já fornecemos para a alimentação escolar do Estado, além do centro de referência em assistência social e cestas solidárias vendidas pela nossa cooperativa”, relata Edna.

Ela destaca que a produção de alimentos orgânicos é um processo muito mais trabalhoso do que a agricultura convencional, porém os resultados são compensadores. “É mais difícil e demorado, pois precisamos realizar vários testes de manejo até encontrarmos a variedade que se ajuste ao nosso clima e tenha alta produtividade. Contudo, é muito gratificante. Decidimos produzir apenas orgânicos porque é um alimento mais saudável, sem agrotóxicos, e isso agrega muito valor ao produto. Essa decisão transformou nossa rotina e melhorou a vida da nossa família”, afirmou Edna, que conta com a ajuda de um sócio e seus dois filhos.

Ela buscou a certificação orgânica com o intuito de garantir que os produtos que comercializa são produzidos de forma segura e conforme a legislação. “Com o selo de produtora orgânica, consegui acessar políticas públicas que foram fundamentais para mim, como o Programa Paraná Mais Orgânico, que me auxiliou na isenção da taxa de certificação e na orientação técnica que eles oferecem”, comentou.

A certificação orgânica não apenas valida a qualidade dos produtos, mas também se torna um diferencial competitivo, permitindo acesso a mercados específicos com processos de comercialização simplificados e custos reduzidos para o produtor. Este selo assegura padrões de qualidade que facilitam a venda em todo o país.

Incentivo

A posição de liderança do Paraná entre os principais produtores de orgânicos no Brasil é também resultado dos incentivos do Programa Paraná Mais Orgânico, uma iniciativa do Governo do Estado, promovida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), em parceria com o Tecpar, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e mais sete universidades estaduais.

O Paraná Mais Orgânico oferece orientação técnica, capacitação e assistência para agricultores familiares que desejam migrar de cultivos convencionais para a produção orgânica, além de apoio na certificação gratuita de seus produtos.

De acordo com Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, o instituto tem a responsabilidade de realizar auditorias nas propriedades rurais e conceder o selo de certificação de Propriedade Orgânica, assim que os agricultores passarem pelos processos de orientação sobre boas práticas agroecológicas e receberem suporte técnico e científico de todas as instituições envolvidas.

“Nosso time de técnicos qualificados assegura que os produtos estejam em conformidade com os rigorosos padrões do setor, garantindo a autenticidade e a rastreabilidade da produção. É gratificante saber que contribuímos para práticas agrícolas sustentáveis e saudáveis, cumprindo nossa missão de levar tecnologia e inovação a todos os setores do estado”, comemorou Marafon.

O Tecpar Certificação é o primeiro organismo de certificação de produtos orgânicos por auditoria no Brasil, com credenciamento pelo Mapa e pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) desde 1997.

Plano Safra

Hoje, o instituto integra as certificadoras reconhecidas para os programas de certificação de sustentabilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esse reconhecimento permite que propriedades orgânicas certificadas pelo Tecpar tenham acesso a um desconto de 0,5% nas taxas de juros das operações de custeio do Plano Safra 2025/26.

A redução na taxa de juros será aplicada às operações de custeio voltadas para propriedades cujo produto ou atividade possua certificação válida e ativa. Para solicitar a bonificação, as propriedades devem se enquadrar em programas específicos de boas práticas, incluindo produção orgânica, uso de bioinsumos, tratamento de dejetos e utilização de energia renovável. A validação dessas práticas é feita por meio da Plataforma Agro Brasil+Sustentável (AB+S), que conecta as propriedades orgânicas certificadas a instituições financeiras.

Os agricultores que adotam práticas sustentáveis e têm interesse em receber o bônus devem procurar as instituições financeiras para formalizar sua adesão e contratar o crédito rural até 30 de junho de 2026. É importante ressaltar que as contratações podem ser interrompidas antes dessa data-limite, caso os recursos destinados a determinadas linhas de crédito se esgotem.

Confira a tabela da evolução das certificações de produtores orgânicos:

Ano Total Paraná
2019 532 434
2020 534 440
2021 521 410
2022 670 583
2023 689 612
2024 749 688
2025 914 842

Fonte:: seti.pr.gov.br

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