A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, está implantando um novo sistema em computadores de seus funcionários nos Estados Unidos. Essa iniciativa visa coletar dados sobre os movimentos do mouse, cliques e as informações digitadas no teclado. A finalidade principal dessa coleta de dados é usá-los no treinamento dos modelos de inteligência artificial da empresa.
Essa estratégia faz parte de um projeto mais amplo que busca desenvolver agentes de IA capazes de realizar tarefas de trabalho de forma autônoma. A informação foi revelada através de memorandos internos que foram acessados pela agência de notícias Reuters.
O software, denominado MCI (Model Capability Initiative), será utilizado em aplicativos e plataformas corporativas, incluindo a possibilidade de capturas de tela em momentos pontuais. De acordo com um memorando que foi divulgado na terça-feira, 21 de abril de 2026, a intenção é refinar a atuação da IA em áreas onde os modelos ainda enfrentam dificuldades para emular comportamentos humanos, como o uso de combinações de teclas e a manipulação de menus suspensos.
Automação e Demissões
Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta, comunicou aos colaboradores que a empresa intensificará a coleta de dados internos com o objetivo de promover melhorias. “Visionamos um futuro em que nossos agentes farão a maior parte do trabalho e nosso papel será o de orientar, revisar e ajudá-los a se aprimorar,” mencionou Bosworth em sua mensagem aos funcionários.
O porta-voz da Meta, Andy Stone, confirmou a implementação dessa nova ferramenta e esclareceu que os dados coletados não servirão como base para avaliações de desempenho. Ele também ressaltou a existência de proteções para resguardar “conteúdos sensíveis”, embora não tenha especificado quais informações serão excluídas da coleta.
A busca pela automação reflete uma tendência crescente no setor tecnológico. Em um movimento de reestruturação, a Meta anunciou que cortará 10% de sua força de trabalho global a partir de 20 de maio, e poderá haver novos cortes no final do ano. Outras grandes empresas do setor também estão seguindo esse caminho; a Amazon, por exemplo, demitiu 30 mil funcionários nos meses recentes.
Vigilância e Privacidade
A medida de monitoramento suscita diversas preocupações legais e trabalhistas. A professora de direito da Universidade de Yale, Ifeoma Ajunwa, comentou à Reuters que a imposição de um nível tão elevado de vigilância sobre funcionários de escritório era uma prática anteriormente restrita a profissionais como motoristas de aplicativos e entregadores.
Apesar de não existirem limites federais sobre a vigilância de trabalhadores nos Estados Unidos, especialistas apontam que legislações europeias, como a GDPR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), provavelmente estabeleceria restrições a essa prática. Por exemplo, na Alemanha e na Itália, a monitorização eletrônica da produtividade é considerada ilegal ou limitada a circunstâncias de suspeita de crimes graves.
Diante deste contexto, a Meta se vê em um dilema onde o avanço tecnológico e a privacidade dos colaboradores entram em conflito. A busca por eficiência através da automação deve ser cuidadosamente equilibrada com a necessidade de proteger os direitos e a privacidade dos trabalhadores. Como a situação se desenvolverá nos próximos meses ainda é uma incógnita, mas certamente será um tema de debate intenso no setor.
Fonte:: poder360.com.br


