Na quinta-feira, 23 de abril de 2026, o Tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu por unanimidade, com 5 votos a 0, pela abertura de um processo administrativo contra o Google. A investigação se concentra em um possível “abuso exploratório de posição dominante” da gigante da tecnologia em relação ao uso de conteúdos jornalísticos em suas plataformas. A preocupação é especialmente voltada para as ferramentas de inteligência artificial que podem estar sendo utilizadas sem que as empresas de mídia recebam a devida compensação.
A ANJ (Associação Nacional de Jornais) considerou essa decisão um marco histórico para os produtores de conteúdo no Brasil. O presidente-executivo da ANJ ressaltou que este é o primeiro momento em que o Brasil investiga de forma mais profunda a dependência econômica digital e o possível abuso de poder por parte das plataformas. Ele argumentou que essa ação é crucial para assegurar a sustentabilidade da informação de qualidade e a diversidade de opiniões dentro da democracia.
IMPACTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A proposta aprovada pelo Cade, apresentada pelo presidente interino Diogo Thomson de Andrade, enfatiza que a atuação do Google evoluiu consideravelmente desde o início do inquérito original, que ocorreu em 2018. O uso de IA generativa pelo Google permite que a plataforma sintetize informações, apresentando-as diretamente em sua interface de busca. Isso acaba por reter a atenção do usuário e diminui o tráfego para os sites de notícias originais.
O entendimento do tribunal é que houve a formação de uma “dependência estrutural” entre o Google e os veículos de comunicação. Atuando como um intermediário fundamental, a empresa norte-americana estaria impondo condições unilaterais ao uso dos conteúdos, extraindo valor econômico sem oferecer contrapartidas justas aos produtores de conteúdo.
HISTÓRICO DO CASO
O inquérito havia sido arquivado em 2024 por falta de evidências suficientes que indicassem infrações à ordem econômica. No entanto, em 2025, o caso foi reaberto após apelos da ANJ e de outras organizações como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas), Ajor (Associação de Jornalismo Digital) e a organização Repórteres Sem Fronteiras.
Agora, o processo será encaminhado de volta à Superintendência Geral do Cade para um aprofundamento das investigações. A conselheira Camila Cabral Pires-Alves, que acompanhou o voto de Thomson, sugeriu que esta nova fase da investigação colete dados detalhados sobre métricas de engajamento e sobre buscas que não geram cliques externos, conhecidas como zero-click. O objetivo será avaliar o impacto real dessa tecnologia na monetização e na viabilidade financeira do jornalismo profissional no Brasil.
O Poder360 tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa do Google através de um aplicativo de mensagens para solicitar uma declaração sobre a abertura do processo administrativo. No entanto, até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno. O texto será atualizado assim que uma resposta for recebida.
Fonte:: poder360.com.br


