O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que não percebeu imediatamente que o tiroteio ocorrido durante o jantar de gala da Associação de Correspondentes da Casa Branca, neste sábado, 25, era um ataque direcionado a ele. Em sua declaração à emissora CBS News, Trump admitiu que sua hesitação para se abaixar e deixar o local foi em parte por sua curiosidade em saber o que estava acontecendo.
“Foi um pouco culpa minha. Eu queria ver o que estava acontecendo e, talvez, não ajudei o Serviço Secreto como deveria. Estava cercado por pessoas ótimas, o que provavelmente contribuiu para que eles agissem de forma um pouco mais lenta”, comentou o presidente.
Trump pediu ao Serviço Secreto que aguardasse antes de tomar medidas, dizendo: “Esperem um minuto. Deixem-me ver. Esperem um minuto.” Foi somente quando começaram a perceber a gravidade da situação que ele e a primeira-dama se deitaram no chão, conforme orientado.

O incidente aconteceu durante o renomado jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, evento com grande presença da mídia e políticos. Trump descreveu a velocidade do atirador, comentando de forma irônica: “Ele era como um borrão. Disseram que ele correu 45 jardas, simplesmente desafiou a segurança. A NFL deveria contratá-lo.”
A segurança para o evento é tradicionalmente rigorosa, em grande parte devido ao histórico do Washington Hilton, onde há 45 anos ocorreu uma tentativa de assassinato do presidente Ronald Reagan. As autoridades alegaram que a “proteção em múltiplas camadas” funcionou conforme o planejado durante o incidente.
O presidente elogiou as ações do Serviço Secreto logo após o ataque. “Foi notável, porque assim que o viram (o atirador), puderam sacar suas armas e neutralizá-lo imediatamente. A sala foi isolada. Fizeram um ótimo trabalho e foram muito profissionais”, afirmou.
Trump também revelou que tentou persuadir o Serviço Secreto a continuar o jantar, afirmando que não estava preocupado, pois entende a natureza complicada do mundo atual. “Vivemos em um mundo louco”, declarou.

Entenda o esquema de segurança do evento
O hotel foi fechado ao público a partir das 14h para a preparação do evento, que teve início às 20h. Do lado de fora, um grupo de manifestantes se reuniu, a maioria direcionando críticas à mídia presente no jantar.
O acesso ao local foi restrito a hóspedes, convidados e aqueles que possuíam convites específicos. Os 2.300 convidados enfrentaram rigorosos procedimentos de segurança, incluindo a apresentação de ingressos e verificação por detectores de metal operados pelo Serviço Secreto e pela Administração de Segurança de Transporte (TSA).
As circunstâncias em torno da entrada do suspeito no hotel não foram completamente esclarecidas. Trump compartilhou imagens de câmeras de segurança nas redes sociais, mostrando o momento em que o atirador correu junto com agentes de segurança que estavam desmontando os detectores de metal. Assim que o presidente se acomodou, o acesso ao salão foi severamente restrito.
O diretor do Serviço Secreto, Sean Curran, afirmou que a segurança foi eficaz e que o plano elaborado para o evento foi bem-sucedido. “Isso demonstra que nosso sistema de proteção em múltiplas camadas funciona”, completou.
Medidas de segurança adicionais durante o evento
Durante o jantar, o Serviço Secreto implementou ainda mais obstáculos de segurança ao redor do presidente, incluindo áreas específicas que separavam Trump dos outros convidados. Além disso, placas blindadas foram posicionadas sob a mesa em que ele estava. Agentes armados estavam posicionados estrategicamente para responder a possíveis ameaças.
O atirador, identificado como Cole Tomas Allen, deixou registros que revelavam sua crença de que o Serviço Secreto não estava adequadamente preparado para proteger as autoridades presentes. No entanto, os agentes conseguiram neutralizá-lo rapidamente, assim que a situação se agravou.
Embora alguns críticos tenham sugerido que a segurança deveria ter sido mais aprimorada, ex-oficiais de segurança comentaram que as precauções adotadas eram apropriadas. Paul Eckloff, que atuou na segurança de Trump, destacou que a realidade de que não houve maiores tragédias é uma prova de que os profissionais de segurança estavam prontos.
Desdobramentos do ataque
Aproximadamente às 20h, momentos após o início do evento, um atirador foi visto atravessando um controle de segurança. O vídeo mostra a perseguição policial ao suspeito, enquanto agentes do Serviço Secreto se preparavam para agir. As testemunhas relataram barulhos altos do lado de fora, gerando pânico entre os presentes, que se agacharam contra as paredes do salão.
A troca de tiros ocorreu antes que o Serviço Secreto neutralizasse o agressor, que não chegou a entrar no salão de baile. Trump e outras autoridades foram escoltados para fora do hotel por volta das 21h45. Um agente do Serviço Secreto foi ferido, mas protegido por um colete à prova de balas e levado ao hospital, enquanto não houve outros feridos, conforme relatado.
Sobre o jantar dos correspondentes da Casa Branca
Anualmente, a Associação de Correspondentes da Casa Branca realiza este jantar como uma celebração à liberdade de imprensa. Fundada em 1914, a associação representa cerca de mil jornalistas que cobrem a Casa Branca e é uma vitrine importante para o relacionamento entre a mídia e o governo.
O evento reúne jornalistas, celebridades e políticos de diversos partidos e tem sido realizado no Washington Hilton por décadas. Após o incidente, a presidente da associação expressou alívio ao saber que Trump e todos os presentes estavam seguros. O ex-presidente, que já havia boicotado o evento em outras ocasiões, compareceu pela primeira vez após anos, destacando a importância do evento para a liberdade de expressão.
Trump previu que o jantar seria remarcado em um mês, expressando sua satisfação por ver os participantes unificados, apesar da situação. “Vi uma sala que estava totalmente unida. Foi um momento bonito de se presenciar”, concluiu.
Fonte:: estadao.com.br



