No cenário atual do mercado de trabalho brasileiro, onde o emprego formal tem demonstrado uma recuperação significativa, evidenciada pelos recentes dados da PNAD e do Caged, surge uma tendência entre os trabalhadores: a preferência por oportunidades sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa inclinação é particularmente forte entre os trabalhadores mais jovens, que buscam maior estabilidade em suas carreiras enquanto enfrentam o desafio da recolocação profissional.
Um estudo realizado pela Serasa Experian revela que 78,7% dos brasileiros em busca de trabalho optam pelo regime CLT. Este percentual é ainda mais alto entre os jovens: 92,6% da Geração Z e 86,8% dos Millennials preferem o emprego formal. Por outro lado, a preferência por vagas nesse regime diminui entre as gerações mais velhas, alcançando 82,9% na Geração X e apenas 50% entre os Baby Boomers. Neste último grupo, modalidades de trabalho mais flexíveis, como o trabalho autônomo (23,3%), terceirizado (16,7%) e pela pessoa jurídica (10%), estão se tornando mais comuns.
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A gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, Fernanda Guglielmi, aponta que a procura por empregos formais está diretamente relacionada ao contexto em que a decisão é feita. “Quando as pessoas estão realmente em busca de emprego, a formalização do vínculo trabalhista ainda é vista como a principal referência. A previsibilidade oferecida pelo contrato de trabalho é crucial nesse momento, especialmente no início da trajetória profissional, embora exista uma crescente abertura para a reinvenção ao longo da carreira”, afirma Fernanda.
A disposição para mudar de carreira acompanha a busca por oportunidades. O levantamento mostra que 69,1% dos brasileiros estão abertos a mudanças profissionais nos próximos anos. Essa intenção é mais intensa entre os profissionais mais experientes: 82,3% dos Baby Boomers manifestam interesse em se reinventar, superando os índices da Geração X (70,9%), Millennials (69,4%) e Geração Z (56,1%).
Fernanda ressalta que a reinvenção profissional não se limita ao início da carreira, mas também é um fenômeno crescente entre trabalhadores mais experientes, refletindo mudanças nas prioridades e no modo como se relacionam com o emprego ao longo do tempo.
Essa maior flexibilidade na visão sobre a carreira também afeta a forma como os profissionais planejam sua permanência no mercado de trabalho. Entre os Baby Boomers, 36,8% se declaram dispostos a trabalhar enquanto mantiverem saúde e disposição. Entre as outras gerações, a permanência tende a estar mais ligada a faixas etárias. Na Geração Z, 24,6% se visualizam ativos até os 50 anos, enquanto 29,7% pretendem trabalhar até os 60. Já entre os Millennials, 34,8% desejam atuar até os 60 anos, e 42,3% da Geração X planejam se manter no mercado entre os 60 e 70 anos.
Incentivos para a Permanência no Mercado
Outro aspecto interessante da pesquisa é que os profissionais identificam diferentes fatores que os incentivam a permanecer ativos no mercado de trabalho. Para 39,7%, o reconhecimento da experiência e do conhecimento acumulado ao longo dos anos é o principal motivador. Em seguida, a importância do investimento em saúde e bem-estar foi citada por 38,5% dos participantes, enquanto 29,5% destacaram a relevância de oportunidades de requalificação e aprendizado contínuo.
Além disso, 53,1% dos entrevistados mencionaram que fatores pessoais são determinantes para continuar trabalhando, enquanto 25% atribuíram importância a aspectos relacionados às empresas e 19,5% ao contexto social.
A atratividade das empresas, na avaliação do público, está intimamente ligada às condições que oferecem no cotidiano. Salários e benefícios competitivos são apontados por 28,3% dos entrevistados, seguidos por um ambiente de trabalho saudável e colaborativo (22,3%) e oportunidades reais de crescimento (13,7%). “A análise demonstra que a relação com o trabalho combina a busca por estabilidade no início da carreira com trajetórias mais flexíveis e duradouras ao longo da vida profissional”, conclui Fernanda.
A pesquisa foi realizada entre novembro e dezembro de 2025, envolvendo 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego, representando diversas gerações e regiões do país. A amostra é representativa da população pesquisada, com margem de erro de 3%.
Fonte:: infomoney.com.br



