Escala 6×1: Impactos e Desafios para os Setores de Hospedagem e Alimentação

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Foto: editor

Por Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação – FBHA

A discussão sobre a possível alteração da escala de trabalho 6×1 está ganhando espaço no Brasil, sendo uma questão que deve ser analisada com cuidado, principalmente em setores que dependem intensivamente da mão de obra, como os de hospitalidade e alimentação fora do lar. Essa é uma pauta que, embora legítima do ponto de vista social, requer um equilíbrio para evitar efeitos negativos sobre a sustentabilidade dos negócios, especialmente os de menor porte.

Bares, restaurantes, hotéis e estabelecimentos similares geralmente operam de modo contínuo, incluindo fins de semana e feriados – que são os períodos de maior demanda. Assim, a escala 6×1 não é apenas uma decisão operacional, mas, em muitos casos, uma necessidade para garantir um atendimento de qualidade ao público. Qualquer alteração nesse modelo tem impacto direto na organização das equipes, na produtividade e na capacidade de manter um nível satisfatório de serviço.

Para pequenos empreendedores, que constituem uma parte significativa do setor, os desafios se tornam ainda mais complexos. Com estruturas funcionais enxutas e margens de lucro muitas vezes reduzidas, a exigência de aumentar o número de funcionários para atender às novas escalas pode resultar em um aumento considerável nos custos operacionais. Na prática, isso pode levar a uma diminuição dos horários de funcionamento, à transferência de preços para o consumidor ou, em casos extremos, à inviabilização do negócio – especialmente em regiões onde a sensibilidade à demanda já é uma preocupação.

Um aspecto crucial a ser considerado é a dinâmica de emprego no setor. A hospitalidade é uma das maiores portas de entrada para o mercado de trabalho no Brasil, com uma presença significativa de jovens e profissionais em busca do primeiro emprego. Mudanças que possam elevar os custos de funcionamento, sem a devida adaptação, podem impactar diretamente na criação de novas vagas, reduzindo as oportunidades em um segmento que historicamente tem contribuído para a inclusão produtiva.

É imprescindível que as discussões em torno desse tema levem em conta as especificidades regionais e operacionais do Brasil. Um modelo que seja único e inflexível pode não refletir a diversidade e as diferentes realidades empresariais do país. Portanto, é essencial fomentar o diálogo entre o governo, os setores produtivos e os trabalhadores para criar soluções que sejam equilibradas, respeitando os direitos dos trabalhadores sem comprometer a atividade econômica.

O caminho mais adequado deve envolver a construção de alternativas flexíveis, que possibilitem uma adaptação gradual e que respeitem a realidade dos negócios. A hospitalidade brasileira possui um enorme potencial para crescimento, geração de empregos e contribuição para o turismo no país. Manter esse ambiente, com segurança jurídica e previsibilidade, é fundamental para que o setor continue a ser um dos motores da economia nacional.

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Fonte:: diariopr.com.br

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