Nos próximos meses, o Paraná será agraciado com a criação de cinco novas unidades de conservação: Monos de Castro, Monos de Cerro Azul, Maciel, Tia Chica e Núcleo Cercado. Essas novas áreas foram anunciadas no Dia Mundial da Biodiversidade, celebrado na última sexta-feira (22), evidenciando o comprometimento do estado com as metas internacionais de conservação ambiental.
O Instituto Água e Terra (IAT), que é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), está finalizando os estudos que devem ser concluídos até 2026. Juntas, essas unidades totalizam mais de 13 mil hectares de áreas verdes protegidas, o que equivale aproximadamente à área urbana de Londrina, a segunda cidade mais populosa do Paraná, localizada na região Norte do estado.
As novas Unidades de Conservação serão implantadas em sete municípios: Castro e Palmeira, localizados na região dos Campos Gerais; Cerro Azul, que faz parte da Região Metropolitana de Curitiba; além de Pontal do Paraná, no Litoral, e Pinhão, Reserva do Iguaçu e Foz do Jordão, que se situam na região Centro-Sul do estado.
O estabelecimento dessas áreas protegidas representa um esforço do governo estadual para contribuir com os objetivos estabelecidos no Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, que o Brasil incorporou em suas diretrizes desde 2024. A Meta 3 do documento, comumente referida como Meta 30 x 30, define a conservação e manejo de pelo menos 30% de cada bioma brasileiro até o ano de 2030.
“Com essas novas Unidades de Conservação, o IAT antecipa sua missão de manter o Paraná como o estado que mais preserva o meio ambiente. Essas áreas são fundamentais, especialmente porque abrigam espécies endêmicas da região, e ao se tornarem patrimônio natural, estarão protegidas de qualquer tipo de desmatamento ou degradação”, destaca José Volnei Bisognin, diretor-presidente do IAT. Ele acrescenta que o fortalecimento das UCs resultará em um percentual significativamente maior de áreas protegidas no estado, garantindo um ambiente saudável para as futuras gerações.
Atualmente, o Paraná possui cerca de 26% de seus fragmentos florestais protegidos, e o IAT está prevendo uma série de projetos voltados para a ampliação das áreas de conservação protegidas até 2026, com o objetivo de avançar na implementação do Marco Global.
Os projetos já foram submetidos a vistorias em campo e coleta de dados e, neste momento, estão na fase de consultas à comunidade local. Essa etapa é crucial, pois o órgão ambiental apresenta suas propostas à população que reside na futura UC para acolher sugestões e dúvidas sobre a iniciativa. A Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) dos Monos de Castro já completou sua última consulta, enquanto as demais UCs iniciarão reuniões em breve.
“Esta fase de consultas só ocorre após um levantamento detalhado dos aspectos físicos, biológicos, sociais e econômicos da região. Esses dados são fundamentais para que a proposta seja aprovada. É um momento de escuta ativa, onde buscamos entender as necessidades da comunidade e moldar a proposta da Unidade de Conservação conforme a realidade local”, explica Patricia Calderari, gerente de Biodiversidade do IAT.
A gerente ressalta que paralelamente às apresentações das Unidades aos proprietários de imóveis situados no perímetro das UCs e autoridades locais, são realizadas Consultas Livres Prévias e Informadas (CNPI), sempre que aplicável. Esta abordagem atende à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante direitos a comunidades tradicionais, como povos indígenas e quilombolas.
“O IAT tem um cuidado especial com esse processo, envolvendo não apenas as lideranças, mas toda a comunidade nas áreas afetadas. Promovemos reuniões individuais e em grupos para ouvir as demandas e anseios da população, visando um andamento mais harmonioso e benéfico para todos durante a criação da Unidade de Conservação”, complementa Patricia.
A seguir, apresentamos mais detalhes sobre as novas Unidades de Conservação que estarão em breve no Paraná:
Monos de Castro
A ARIE dos Monos de Castro, localizada em Castro, é a proposta mais avançada, abrangendo 6,2 mil hectares (equivalente a 8,6 mil campos de futebol). Seu principal objetivo é a conservação do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), um primata criticamente ameaçado de extinção.
Entre janeiro e abril deste ano, foram realizadas consultas com a comunidade local, que resultaram em sugestões incorporadas ao projeto. A formalização deve ocorrer ainda este ano com a publicação do decreto no Diário Oficial do Estado.
A ARIE Monos de Castro se classifica como uma área protegida de uso sustentável, o que possibilita a utilização regulamentada dos recursos naturais, garantindo que atividades produtivas sejam mantidas desde que estejam em consonância com os objetivos de conservação.
Monos de Cerro Azul
Em Cerro Azul, uma proposta semelhante está em análise. Com uma área estimada de 5 mil hectares, essa UC também visa proteger remanescentes da Floresta Ombrófila Mista, priorizando a conservação da espécie.
Assim como a UC de Castro, a iniciativa em Cerro Azul faz parte do projeto de conservação do muriqui-do-sul, financiado por indenizações decorrentes de um vazamento de petróleo na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em 2000.
Maciel
Localizada em Pontal do Paraná, a UC Maciel abrange 1.685 hectares e tem como objetivo proteger o rio homônimo. A área é rica em ecossistemas litorâneos e abriga elementos importantes para a subsistência de comunidades tradicionais.
Tia Chica
A UC Tia Chica abrangerá os municípios de Pinhão, Reserva do Iguaçu e Foz do Jordão, totalizando 413 hectares. O nome da unidade é uma homenagem a uma cachoeira do Rio Jordão que se encontra na região.
Núcleo Cercado
Por último, o projeto do Núcleo Cercado, que se situará em Palmeira, tem previsto a proteção de 174 hectares na borda da Escarpa Devoniana. Essa área é vital para remanescentes florestais e possui uma rica geodiversidade.
Atualmente, o Paraná conta com 74 Unidades de Conservação estaduais que, somadas, abrangem mais de 26,5 mil km². Essas áreas são essenciais para a preservação dos ecossistemas locais e da biodiversidade, além de garantir a compatibilização das atividades humanas com a conservação da natureza.
Fonte:: iat.pr.gov.br




