O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), foi divulgado nesta quinta-feira (21) e traz à tona o desempenho significativo da soja, que se afirma como o principal produto agrícola do Paraná.
De acordo com o relatório, a soja teve um desempenho comercial notável no primeiro quadrimestre de 2026. O complexo soja, que abrange o grão, o farelo e o óleo, totalizou mais de 5,3 milhões de toneladas exportadas pelo Paraná neste período, o que representa um crescimento de 3,2% em comparação ao mesmo intervalo de 2025. Esse aumento logístico refletiu no faturamento do Estado, que atingiu US$ 2,3 bilhões na balança comercial, marcando um expressivo salto de 10,6% em relação ao ano anterior. A China, por sua vez, foi responsável por absorver 59% de todo o volume exportado pelo território paranaense.
Desempenho do milho e condições climáticas preocupantes
Em relação ao milho, os dados do Deral indicam que a segunda safra deve ser monitorada com cautela devido às recentes variações climáticas. O relatório desta semana revelou uma leve deterioração nas condições das lavouras, resultado das primeiras geadas observadas no Paraná, que causaram danos localizados principalmente na região Sul. O percentual de áreas consideradas em “boas condições” caiu de 84% para 82%, ao passo que as lavouras em situação regular aumentaram de 13% para 15%, e as classificadas como “ruins” subiram de 4% para 5% da área total cultivada.
“Apesar de alguns produtores terem relatado perdas, as condições gerais da produção no Estado, até o momento, não enfrentaram perdas significativas. Isso se deve ao fato de que o cultivo se concentra nas regiões Norte e Oeste do Paraná, onde, ao contrário da região Sul, os efeitos climáticos, como as geadas, não são tão intensamente sentidos”, comenta Edmar Gervasio, analista do Deral.
A região Norte é responsável por cerca de 35,7% da área total das lavouras de milho do Estado, o que corresponde a pouco mais de 1 milhão de hectares, enquanto a região Oeste agrega aproximadamente 933 mil hectares ao total cultivado.
Exportações de carne e desafios no setor avícola
No que tange à pecuária, o setor de carne bovina demonstrou um crescimento de 15% nas exportações nacionais durante o quadrimestre. Contudo, o aumento da disponibilidade interna de animais para abate pressionou as cotações, resultando em uma queda de 2,72% no preço da arroba da carne, que ficou em média R$ 343,00 no Paraná. O boletim ressalta a necessidade de atenção às condições climáticas frias, que impactaram as pastagens e podem influenciar os preços ao produtor devido ao aumento dos custos.
Quanto ao frango, o preço médio efetivo pago ao produtor alcançou R$ 4,62 por quilo em abril, um valor que se mostrou inferior ao custo médio de produção da ave, estimado em R$ 4,70 por quilo. A pressão financeira sobre os avicultores é atribuída ao aumento recente nos preços de insumos essenciais para a alimentação animal, como o milho, que está sendo cotado a R$ 63,58 por saca de 60 kg, e o farelo de soja, que chegou a R$ 1.885,50 por tonelada.
Produção de frutas e crescimento do setor orgânico
No segmento de frutas, a acerola se destaca com um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 13,2 milhões no Paraná. A região de Cianorte se posiciona como o principal polo produtor, respondendo por 48% do VBP da fruta no Estado. A cultura está distribuída por 81 municípios e a colheita somou 3,1 mil toneladas, ocupando 264 hectares. A acerola apresenta um forte apelo dentro da agricultura familiar.
De acordo com o Deral, o cultivo da acerola no Paraná tem se fortalecido no mercado orgânico e na transformação agroindustrial em polpas. Esse crescimento é apoiado por cooperativas e empresas locais que já estão acessando, inclusive através de traders, os mercados internacionais.
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Fonte:: idrparana.pr.gov.br




