O vice-presidente sênior da Scala Data Centers, Luciano Fialho, ressalta que o Brasil ainda necessita de uma política pública abrangente para promover o setor nacional de armazenamento e processamento de dados.
Em entrevista ao Poder360, o executivo observa que, apesar de o país apresentar vantagens competitivas que podem atrair grandes processadores, carece de um plano unificado para a infraestrutura digital. Essa necessidade está diretamente ligada à atuação de instituições públicas em diferentes níveis e segmentos.
“O cerne do problema para que o Brasil se torne um hub de processamento de dados reside na necessidade de alinhar as agendas digital, industrial e de energia. Estas políticas são interconectadas, e não podem ser vistas de forma isolada. Não adianta isentar tributos sobre os equipamentos de quem deseja processar dados se não houver uma agenda para o setor elétrico que atenda às demandas dos data centers”, afirmou Fialho.
A discussão sobre uma política nacional para a infraestrutura digital atualmente se divide em pelo menos três frentes do governo: os Ministérios de Minas e Energia, Indústria e Comunicações. Para o executivo, essa fragmentação dificulta o avanço do setor.
“Não é suficiente ter um plano de digitalização que não esteja integrado a um plano de estruturação do setor elétrico, que é fundamental para o fornecimento, e a uma política industrial relacionada a equipamentos hidráulicos e eletromecânicos. É imprescindível ter uma política pública que integre todas essas áreas, e, neste momento, essa política ainda não existe”, enfatizou Fialho.
A Scala é reconhecida como uma das maiores operadoras de data centers na América Latina, gerenciando 13 estruturas de processamento de dados no Brasil. A empresa atende a provedores de nuvem e processadores de inteligência artificial, incluindo gigantes como Google, AWS (Amazon Web Services), Oracle e Microsoft.
De acordo com Fialho, a percepção do setor é que o Brasil possui todas as condições necessárias para atrair importantes players da tecnologia: uma matriz energética variada e limpa, com produção de energia hidrelétrica, solar e eólica, uma infraestrutura elétrica interligada, uma indústria de base e a proximidade com cabos submarinos de fibra óptica de grande capacidade.
“Quando observamos o cenário global, especialmente sob a ótica dos processadores, notamos que o Brasil é visto como um país com enorme potencial. É vital transmitir a todos os investidores e processadores externos que contemplam investir no Brasil, a mensagem de que existe uma política, ou pelo menos uma discussão sobre políticas públicas, com o apoio do governo brasileiro, para que o Brasil se torne um centro de processamento de dados”, afirmou o executivo.
Conforme dados da consultoria McKinsey, o setor de infraestrutura digital deve atrair investimentos de aproximadamente US$ 7 trilhões nos próximos quatro anos. Para 2026, a estimativa é de que o investimento alcance US$ 650 bilhões, um montante que só fica atrás do orçamento de defesa dos Estados Unidos.
Desde 2020, a Scala já investiu mais de R$ 12 bilhões no setor e aguarda a aprovação de novas políticas públicas que possibilitem dar continuidade a operações com grandes empresas de tecnologia.
Assista à entrevista de Luciano Fialho ao Poder360 (26min45s):

Fonte:: poder360.com.br




