ENVIADA ESPECIAL A ÉVIAN-LES-BAINS – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira, 16, da tradicional foto de família do G-7 ampliado, que reúne os líderes dos países convidados para a cúpula. Após essa cerimônia, os líderes seguiram para uma reunião a portas fechadas com foco em solidariedade internacional, onde o presidente brasileiro fará um discurso.
Lula foi o primeiro a ser cumprimentado pelo anfitrião Emmanuel Macron na recepção aos líderes convidados. Entre os demais líderes presentes estavam o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, e o presidente do Quênia, William Ruto.
Na foto, o presidente brasileiro ocupou a ponta esquerda de Macron, próximo à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Durante os momentos entre a recepção e a foto, não houve interação entre Lula e Donald Trump, que sentou-se praticamente à sua frente na mesa de reuniões.
Os líderes reunidos abordaram o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”, mas as discussões que aconteceram após a foto foram reservadas, sem acesso à imprensa. Apesar das especulações sobre um possível encontro entre Lula e Trump em decorrência de tensões comerciais, o governo brasileiro negou que essa tenha sido a intenção do presidente ao participar da cúpula.
No início deste mês, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas desleais nas relações comerciais. Além disso, uma taxa adicional de 12,5% foi sugerida por suposta não fiscalização efetiva sobre a importação de produtos oriundos de trabalho forçado. Após o anúncio, Lula decidiu ir a Évian-les-Bains, afirmando: “agora eu vou”.
Foi cogitado um possível “encontro de corredor” entre os presidentes, parecido com uma situação ocorrida na Assembleia-Geral da ONU no ano anterior, mas
A foto de família e a reunião ampliada representam a primeira oportunidade para uma interação direta entre os dois líderes, com um outro momento reservado para um jantar com os demais líderes e convidados às 20h30, horário local (15h30 em Brasília).
Lula se reúne com líderes europeus
Mais tarde, o presidente Lula está programado para se encontrar com Ursula Von der Leyen e António Costa, com expectativas de que o banimento da carne bovina brasileira nos países da União Europeia seja um dos principais pontos da pauta. No entanto, membros do governo enfatizam que diversos outros assuntos também serão discutidos.
Em 12 de maio, apenas 11 dias após a implementação do acordo de livre comércio da UE-Mercosul, a União Europeia decidiu excluir completamente os produtos brasileiros de origem animal de seu mercardo, medida que entrará em vigor em 3 de setembro, após uma votação unânime entre os 27 países membros.
Durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira, António Costa evitou respostas diretas sobre a questão da carne brasileira, afirmando que o assunto deve ser tratado diretamente com a Comissão Europeia. “Como sabe, fizemos com o Brasil um importante acordo este ano, e agora estamos vendo as repercussões dele”, disse, sublinhando que as normas sanitárias precisam ser respeitadas e que a Comissão está em diálogo com o Brasil.
O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, expressou surpresa com a forma como a situação foi abordada recentemente.
Embora Von der Leyen tenha um controle limitado sobre a alteração da situação rapidamente, ela atua como um canal para transmitir as reivindicações brasileiras aos países membros da União Europeia.
Nesta segunda-feira, Lula também se reuniu em Genebra com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, e com Emmanuel Macron, onde discutiram comércio bilateral, comprometendo-se a trabalhar pela diversificação das exportações entre os dois países, conforme informado pelo Planalto.
Um dos tópicos abordados foi o acordo Mercosul-EFTA, que inclui a Suíça e outros países como Islândia, Noruega e Liechtenstein. O governo brasileiro vê esse acordo como uma oportunidade para expandir o comércio em um cenário global de crescente protecionismo e unilateralismo.
A cúpula acontece em um hotel na cidade de Évian-les-Bains, onde a circulação de jornalistas está restrita devido a um rigoroso esquema de segurança.
Fonte:: estadao.com.br




