‘Dei um passo para trás e o chão afundou’, diz brasileiro que sobreviveu a terremoto na Venezuela

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A sequência de terremotos que atingiu a Venezuela na quarta-feira, 24 de outubro, deixou um rastro de destruição em diversas cidades costeiras, incluindo a capital, Caracas. O tremor, que alcançou a magnitude de 7,5, ocorreu por volta das 19h04 (horário de Brasília) e provocou o desabamento de casas e prédios em questão de minutos.

Matheus Mascarenhas, um jovem brasileiro de 20 anos, estava a caminho de um bar em Caracas para assistir ao jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo quando presenciou a queda de dois prédios em decorrência do terremoto. Segundo ele, enquanto caminhava pela rua no bairro de Altamira, um dos mais afetados na cidade, sentiu os tremores e logo em seguida viu as estruturas desmoronarem.

“Eu me senti como se estivesse com vertigem. Eu dei um passo para trás e o chão afundou. Quando virei meu corpo em direção ao prédio ao meu lado, ele literalmente caiu em pedaços. Aí eu saí correndo para essa praça e por lá ainda senti alguns tremores”, relatou Matheus ao Estadão. Estudante de economia na Universidade de Yale, ele está na Venezuela para um intercâmbio de trabalho na ONU.

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, confirmou que o tremor foi sentido em várias regiões do país. No bairro de Altamira, onde Matheus estava, foram registrados “situações alarmantes”, com o colapso de edificações, resultando em feridos. Ele ainda pediu que motoristas dessem passagem a ambulâncias e veículos de emergência que atuam na área.

De acordo com relatos nas redes sociais, a capital não enfrentou uma queda geral no fornecimento de energia elétrica, mas muitos moradores reportaram problemas com sinal de celular e telefonia fixa em diversas localidades. A orientação para quem estava nas ruas e buscava proteção de estruturas que podem ter sido danificadas é escassa. Matheus observou que, embora haja um número considerável de policiais presentes, as informações sobre como proceder ou se deslocar em meio ao caos são limitadas. “Não está muito organizado. Nós não sabemos o que está acontecendo e a rua ficou uma zona”, destacou Mascarenhas.

Um alerta de calamidade foi emitido na capital, e muitas pessoas que abandonaram suas casas começaram a se aglomerar nas ruas e praças. Em vários supermercados da região, já se formam filas para a compra de suprimentos essenciais.

Até o momento, dois terremotos foram registrados na região e também sentidos em países vizinhos, como Colômbia e Brasil. O primeiro tremor, com magnitude de 7,2, teve seu epicentro localizado perto de San Felipe, a uma profundidade de 21,9 km. Poucos segundos depois, o segundo tremor, de 7,5, ocorreu com epicentro nas proximidades de Yumare, a uma profundidade de 10 km.

Embora não haja registros oficiais de vítimas até o momento, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) projeta que o número de mortos pode variar entre 10 mil e 100 mil nas áreas afetadas. “Eu comecei a me questionar se realmente tinha visto dois prédios caindo. Fiquei pensando ‘não é possível’, porque as outras edificações ao redor estavam intactas. Mas voltei e realmente estavam no chão. Foi uma sensação inacreditável”, finalizou Matheus.

Fonte:: estadao.com.br

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