O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou neste domingo, 9, sua posição contrária ao plano internacional para a Faixa de Gaza que conta com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O premiê assegurou que as tropas do país não vão deixar o território palestino enquanto o grupo extremista Hamas não estiver completamente desarmado.
Durante uma reunião ministerial, o chefe de governo foi categórico ao afirmar a postura oficial de Tel Aviv diante da proposta em discussão. “Israel rejeita o documento de 15 pontos. As Forças de Defesa de Israel não realizarão nenhuma retirada até que o Hamas esteja realmente desarmado e continuarão neutralizando as ameaças contra nossas forças e nossos cidadãos”, declarou Netanyahu aos membros de seu gabinete.
Em contrapartida, lideranças do movimento palestino demonstram expectativa de que a pressão internacional mude o rumo das negociações. Um porta-voz do grupo declarou à agência AFP que o objetivo é fazer com que Washington interceda junto ao governo israelense. “Esperamos que os mediadores e o garante norte-americano pressionem Netanyahu e seu governo para que sigam o roteiro e não obstruam o processo por motivos políticos internos e eleitorais”, pontuou Basem Naim, integrante do escritório político da organização.
A iniciativa em questão representa a etapa final de uma proposta de trégua mediada pelos norte-americanos e divulgada inicialmente em outubro. Embora tenha ajudado a diminuir a intensidade dos confrontos, a medida não foi suficiente para encerrar totalmente os combates em solo gazozu. O texto original estabelece que o grupo entregue seu arsenal a uma nova administração palestina em formação, prevendo uma desocupação militar gradual por parte de Israel de forma simultânea ao processo de desarmamento — ponto que é rejeitado de maneira veemente pelo governo israelense.
Além da entrega de artefatos, Israel impõe como condição a destruição completa do potencial bélico adversário. Após entendimentos recentes entre o premiê e representantes do mecanismo americano responsável por supervisionar o pacto, conhecido como Junta de Paz, houve um alinhamento indicando que a retirada das tropas israelenses só ocorreria após a constatação de um desarmamento total.
Enquanto isso, o cenário político interno acrescenta complexidade às negociações. Enfrentando forte concorrência para preservar sua sustentação política, Netanyahu tem lidado com exigências severas de aliados situados na extrema direita, os quais pressionam por novas deliberações ministeriais para sepultar de vez os termos do acordo em discussão.
O dirigente máximo de Israel mencionou que tratativas diplomáticas seguem em curso com Washington para debater as divergências relativas ao documento. “Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes nessas questões”, pontuou. Ao mesmo tempo, autoridades envolvidas no Conselho de Paz avaliam que a exigência de que o grupo entregue absolutamente todo o seu arsenal pode se mostrar uma meta difícil de ser concretizada no cenário atual.
Fonte:: estadao.com.br




