Delegações abandonam plenário da ONU antes de discurso de Netanyahu e premir israelense chama críticos de covardes

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Adriana Victorino

O plenário da Organização das Nações Unidas (ONU) registrou um momento de forte tensão diplomática quando dezenas de representantes de diferentes nações decidiram se retirar do salão principal antes mesmo que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, iniciasse o seu pronunciamento oficial. Entre as delegações que optaram por deixar o recinto estava a representação do Brasil, conforme repassado por emissoras internacionais de notícias.

Assim que subiu à tribuna e percebeu a movimentação de saída e os protestos que ecoavam pelo auditório, o chefe de governo israelense direcionou duras críticas aos presentes que permaneceram ou que participaram do ato. Em sua abertura, Netanyahu disparou contra os críticos. “Antes de começar, só um breve comunicado. Se houver algum outro covarde moral que ainda não tenha saído desta sala, por favor, saia agora. Muito obrigado”, declarou.

A atmosfera no local exigiu intervenção direta da mesa diretora dos trabalhos. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou apelar por ordem no plenário em mais de uma ocasião, tentando conter o coro de vaias e manifestações contrárias que vinha de diferentes setores do auditório.

O boicote diplomático organizado por diversos países teve como principal motivação o descontentamento generalizado com as diretrizes militares e políticas adotadas pelo governo israelense no conflito na Faixa de Gaza. A delegação brasileira figurou no grupo de países que preferiu não assistir ao pronunciamento, repetindo um gesto de distanciamento institucional em relação às posições de Tel Aviv.

Defesa das operações militares, rejeição a acusações de genocídio e agradecimento a aliados

Durante o restante de seu tempo na tribuna, Netanyahu utilizou o espaço para refutar veementemente as acusações internacionais de que Israel estaria cometiendo genocídio na região enlutada pelo conflito. O premiê argumentou que as manobras das forças armadas do país funcionaram como um obstáculo para evitar tragédias ainda maiores e acusou o grupo islamista Hamas de manipular a narrativa global sobre os acontecimentos no Oriente Médio.

Segundo o mandatário, o governo de Israel implementou protocolos humanitários para viabilizar a evacuação de civis palestinos das zonas consideradas de alto risco operacional. Na visão de Netanyahu, a responsabilidade exclusiva pelo sofrimento da população local recai sobre o Hamas, que supostamente utilizaria estruturas civis como ferramenta de proteção bélica.

“Levará tempo para que o mundo reconheça o que é tão evidente. Que o Hamas usou civis palestinos como escudos humanos. Que usou hospitais, escolas e mesquitas como postos de comando terroristas. Que roubou grande parte dos alimentos que deixamos entrar em Gaza”, argumentou perante os assentos restantes da assembleia.

No campo das alianças geopolíticas, o líder israelense fez questão de estender agradecimentos públicos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacando o apoio norte-americano à soberania e segurança de Israel. “Agradeço a ele por sua liderança ousada”, afirmou, frisando que a cooperação mútua foi vital para conter investidas oriundas do Irã e de seus aliados regionais, como o Hezbollah e os houthis.

O primeiro-ministro reiterou que as Forças de Defesa de Israel mantêm sua prontidão operacional e que a estratégia de segurança não será abrandada. Dias antes, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, já havia sinalizado que a retomada de operações de grande proporção em Gaza e planos de deslocamento populacional eram cenários prováveis a curto prazo.

Confronto ideológico, críticas à mídia e ataques a líderes regionais

Além da frente de batalha militar, Netanyahu dedicou parte expressiva de seu discurso para denunciar o que classificou como uma guerra de desinformação global. Ele sustentou que capitais estrangeiras financiam campanhas sistemáticas para manchar a imagem do país por meio de plataformas digitais e conglomerados de imprensa.

“Há uma oitava frente nessa guerra. É a guerra pela verdade. Ela é travada na mídia mundial e, de forma mais perniciosa, nas redes sociais. Vários países estrangeiros gastaram bilhões incalculáveis para espalhar mentiras sobre meu país”, pontuou o primeiro-ministro israelense.

Na sequência, o chefe de governo apontou o dedo para nações específicas. O Catar foi alvo de acusações de injetar recursos financeiros em instituições acadêmicas norte-americanas e em canais de comunicação, citando nominalmente a rede Al Jazeera, com o suposto objetivo de enfraquecer o posicionamento internacional de Israel.

A Turquia e seu principal dirigente também entraram na mira do discurso de Netanyahu. O premiê israelense utilizou termos severos para qualificar o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusando Ancara de dar guarida a lideranças ligadas a organizações terroristas e de cometer violações de direitos humanos em território curdo.

“Erdogan é um tirano. Ele também abriga os chefes terroristas do Hamas. Ele assassinou milhares de civis curdos”, concluiu o líder israelense perante a Assembleia Geral.

Fonte:: estadao.com.br

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