O Vasco da Gama enfrenta um desafio significativo em sua tentativa de contratar o técnico Fernando Seabra, do Coritiba. Para efetuar a transação, o clube carioca precisa pagar uma multa de R$ 4 milhões, mas a forma de quitação do valor está dificultando as negociações.
Atualmente, a equipe vascaína busca parcelar o pagamento, enquanto o Coritiba exige que a quantia seja paga à vista. Este impasse ocorre em um cenário em que o Cruzmaltino é um dos clubes com as maiores dívidas do futebol brasileiro e vive uma instabilidade jurídica e política, ainda indefinida em relação ao futuro da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Conforme o levantamento realizado pela Sports Value, que se baseia nos balanços financeiros que os clubes divulgam oficialmente, o Vasco apresenta a quarta maior dívida do país, totalizando R$ 928,5 milhões. Este valor representa um aumento de 24% em comparação aos R$ 747,6 milhões registrados na temporada anterior.
Além das questões financeiras, o Vasco atravessa momentos complicados fora de campo. Em maio, o presidente Pedrinho e dois membros do Conselho da SAF foram afastados de suas funções. Recentemente, a advogada Samantha Mendes Longo renunciou ao cargo de interventora da SAF devido a um “fato grave” relacionado à segurança pessoal.
Enquanto isso, Marcos Lamacchia, empresário e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, apresentou uma proposta para adquirir a SAF vascaína. Apesar de todos os obstáculos enfrentados pelo clube, Lamacchia considera o negócio como fechado, afirmando que sua madrasta não terá participação na transação. Destaca-se que José Lamacchia, pai de Marcos e esposo de Leila, atuará como avalista para assegurar que os pagamentos sejam realizados.
Mesmo lidando com uma dívida bilionária e crises administrativas, o Vasco fez uma oferta de R$ 1,5 milhão para a comissão técnica liderada por Fernando Seabra, um valor quase três vezes superior ao que ele recebia no Coritiba. A multa de R$ 4 milhões representa em torno de 25% do que o Coritiba investiu em reforços nesta temporada, sendo que o clube desembolsou R$ 15 milhões para trazer o atacante Bruno Lopes, a maior negociação em sua história.
No ano passado, o Coritiba já havia enfrentado dificuldades relacionadas a pagamentos, como ocorreu com o Atlético-MG, que tem a segunda maior dívida do Brasil. O lateral-direito Natanael foi transferido em uma negociação parcelada de R$ 7,5 milhões, mas o clube mineiro iniciou os pagamentos apenas em agosto deste ano.
A decisão de Fernando Seabra de trocar o Coritiba pelo Vasco

Fernando Seabra se tornou a prioridade do Vasco após a falha na negociação com Franclim Carvalho, treinador do Botafogo. Na última quarta-feira (1º), Seabra aceitou a proposta do clube carioca, mesmo após realizar um treino no CT da Graciosa, preparando-se para os jogos-treinos contra Internacional e Chapecoense. A proposta do Vasco, que inclui um salário mais atrativo, fez com que o técnico reconsiderasse sua situação.
Após receber a proposta, Seabra teve conversas reservadas com alguns jogadores, confirmando a busca do Vasco e expressando seu equilíbrio emocional na situação. Ao mesmo tempo, o Coritiba negava qualquer acerto com o clube carioca, mas, nos bastidores, a transferência estava condicionada a trâmites burocráticos, como acertos salariais e comissões, tornando a transação praticamente certa, restando apenas o pagamento da multa. O diretor executivo Admar Lopes esteve em Curitiba para finalizar o trato.
O empresário do treinador, Hugo Magalhães, chegou a postar em suas redes sociais uma foto comemorativa, marcando o Vasco, indicando que o acordo estava fechado. No entanto, a exigência de pagamento à vista feita pelo Coritiba provocou uma reviravolta nas negociações. Magalhães ofereceu até mesmo ajuda para arcar com parte do valor da multa, que seria reembolsado pelo Vasco posteriormente.
Seabra assumiu o comando do Coritiba no início da temporada, dirigindo a equipe em 28 jogos, com um desempenho de 11 vitórias, nove empates e oito derrotas. Internamente, seu trabalho era visto de forma positiva, reconhecendo o potencial de evolução e a identificação com o projeto que estava sendo construído desde o começo do ano.
Apesar da saída de Seabra, o Coritiba mantém um ambiente de tranquilidade. As avaliações feitas na Graciosa apontam que o sucesso da equipe não dependia exclusivamente do treinador, mas sim de uma ideia institucional, modelo de jogo, gestão de elenco e planejamento estratégico. O foco principal permanece na garantia de permanência na Série A.
Fonte:: umdoisesportes.com.br




