Investimento em data center de 100 MW é estimado em R$ 25 bilhões, aponta estudo da FGV

Redação Rádio Plug
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Na imagem, o supercomputador Santos Dumont, no ...

Um levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que o investimento necessário para a construção de um data center de 100 MW voltado para a Inteligência Artificial (IA) chega a R$ 25 bilhões. Este montante engloba tanto a infraestrutura quanto os equipamentos tecnológicos necessários para a operação do centro. O estudo, intitulado “Potenciais impactos socioeconômicos da consolidação do Brasil como hub internacional de infraestrutura digital na Era da Inteligência Artificial”, foi divulgado pelo Instituto Livre Mercado nesta terça-feira, 7 de julho de 2026.

A implementação deste data center deve ocorrer ao longo de um período que varia de 18 a 36 meses e, durante esse processo, o investimento gerará cerca de 12.560 empregos diretos e indiretos, abrangendo diversas etapas da cadeia produtiva, como construção civil, montagem de equipamentos, instalações elétricas e serviços de engenharia.

Além da criação de empregos, o investimento também contribuirá para o aumento da renda dos trabalhadores, resultando em um incremento no consumo das famílias. Os efeitos econômicos diretos e indiretos gerados pelo projeto podem resultar em R$ 0,59 bilhão em renda do trabalho. Ademais, a operação de um data center dessa magnitude pode acrescentar R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Desse total de R$ 25 bilhões previstos para o investimento, aproximadamente R$ 20 bilhões serão destinados à compra de equipamentos computacionais, incluindo servidores, GPUs e sistemas de armazenamento, enquanto R$ 5 bilhões são atribuídos ao operador, voltados para a infraestrutura do data center.

Importante ressaltar que, dos R$ 5 bilhões investidos em infraestrutura, apenas R$ 3,6 bilhões são absorvidos integralmente pela economia nacional. O restante, equivalente a R$ 1,4 bilhão, refere-se a equipamentos que devem ser importados.

O estudo destaca que a consolidação do Brasil como um hub global de infraestrutura digital pode gerar impactos econômicos significativos, beneficiando tanto o setor de serviços digitais quanto as diversas cadeias produtivas associadas. “Os data centers não são apenas tecnologia, mas uma infraestrutura estratégica para a economia da IA. Eles representam a base física necessária para processar, armazenar e movimentar dados em grande escala, o que impacta diretamente a produtividade, inovação e competitividade do país”, afirma a pesquisa.

Vantagens competitivas do Brasil para se tornar um hub de data centers

O estudo ainda apresenta diversas vantagens que o Brasil pode utilizar para se consolidar como um hub global de data centers:

  • Uma matriz elétrica predominantemente renovável;
  • Capacidade de expansão energética em grande escala;
  • Um mercado interno robusto;
  • Posição estratégica em rotas globais de dados;
  • Uma base industrial e de serviços que pode agregar valor localmente.

Gargalos a serem superados

Entretanto, o estudo também aponta uma série de desafios que o Brasil precisa enfrentar para efetivamente se tornar um hub de tecnologia da informação:

  • Fragmentação regulatória e fiscal;
  • Custos de capital elevados;
  • Desigualdade regional em termos de conectividade;
  • Falta de profissionais qualificados na área tecnológica.

Luciano, vice-presidente sênior da Scala Data Centers, ressaltou durante o evento de lançamento do estudo, realizado em Brasília, que o setor carece de dados e de investimentos consistentes, mas acredita que a situação pode melhorar. “Estamos fazendo investimentos bilionários, e há potencial para fazer ainda mais, especialmente se o Brasil se consolidar como um país mais previsível para negócios. Pedimos à FGV que desenvolvesse este estudo para termos números claros sobre o setor”, afirmou.

Fonte:: poder360.com.br

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