A vibração e as cores verde e amarelo que dominaram os estabelecimentos de Curitiba agora dão lugar a uma sensação de ressaca, após a eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo, ocorrida no último domingo contra a Noruega. Nesta segunda-feira, poucas lojas da Rua XV de Novembro, um dos principais centros comerciais da cidade, ainda mantinham as decorações alusivas ao evento. Com isso, o comércio já se prepara para armazenar o estoque restante e aguarda novos momentos de vendas, como a próxima Copa do Mundo e a expectativa de que produtos como camisas e bandeiras possam ter saída durante o período eleitoral.
Ozeias Freire, proprietário de uma loja de roupas e acessórios situada na Rua João Negrão, em frente ao terminal do Guadalupe, relata que a Copa havia gerado um grande movimento em seu negócio. Nos dias em que o Brasil jogava, as vendas chegaram a crescer até 80% em comparação a um dia comum. “Até então, a venda de camisetas, bandeiras e outros itens estava a todo vapor. Agora, com essa derrota, teremos que guardar quase toda a mercadoria para os próximos quatro anos. Não é só o comércio que sente, os bares e a comunidade também foram impactados. A movimentação de vendas caiu bastante”, lamenta Ozeias, que já começou a guardar 80% do estoque de itens relacionados à seleção. “Ainda vendemos uma camisa do Brasil hoje. Algumas pessoas não desistem”, acrescenta.
Esperanças Frustradas com a Eliminação
Para Augusto Flores Ramos, um ambulante que atua no Centro da cidade, a situação é similar. Nascido no Peru e casado com uma brasileira, ele torcia pelo Brasil não apenas pelo amor ao país, mas também por conta dos seus filhos brasileiros. “Estava bastante animado antes do jogo. Acreditava que o Brasil ganharia, o que ajudaria no nosso lado financeiro. A derrota foi decepcionante… Queria que o Brasil vencesse, não só pelos meus filhos, mas também pelo meu comércio”, diz ele, que vendeu vários produtos no dia anterior ao jogo. No entanto, após o segundo gol da Noruega, a esperança se desfez. “Foi um balde de água fria”, afirma.
Ainda assim, Augusto conseguiu preservar cerca de 20% de seus produtos. Agora, ele voltou a expor sua mercadoria normal, incluindo mochilas, camisetas de times de diferentes estados e internacionais, e espera que as vendas aumentem durante manifestações políticas. Entretanto, a frustração com as vendas que poderiam ter ocorrido permanece. “Se a Seleção tivesse ido mais longe, poderia ter ganhado muito mais dinheiro”, brinca.
Importância da Copa para os Negócios
Com um foco especial na venda de itens de torcida, Ozeias aponta que a Copa do Mundo representa um dos períodos mais lucrativos para o seu comércios. “Normalmente, o fim de ano é nosso grande foco, mas durante a Copa, é inegável que conseguimos um ótimo retorno financeiro”, explica Ozeias, que já havia conseguido liquidar os produtos da Copa anterior. Ele lembra do ano de 2002 como um marcos na sua trajetória, quando o Brasil venceu o pentacampeonato e suas vendas dispararam. “Naquele ano, vendemos até os cabides da loja, foi fenomenal, um dos melhores anos até hoje”, comenta. Apesar da eliminação, ele decidiu manter a decoração verde e amarela até as eleições, mesmo que de modo reduzido.
“Durante eleições sempre procuramos vender camisas do Brasil, mas neste ano a venda deve ser inferior, pois muitos já compraram para a Copa. Porém, ainda temos esperança de movimentar mais um pouco. Vamos continuar com a decoração até a eleição”, afirma.

Em contraste com o comércio de itens de torcida, os setores de alimentação, entretenimento e turismo ainda vislumbram boas oportunidades com a Copa do Mundo. A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) acredita que, mesmo com a seleção brasileira eliminada, os estabelecimentos ainda podem atrair consumidores durante as fases finais do torneio. “Estamos focados em transformar a paixão pelo futebol em um momento de lazer e convivência”, disse Fábio Aguayo, presidente da Abrabar. Ele ressalta que a Copa do Mundo continua a ser um dos maiores eventos esportivos e que os bares e restaurantes devem continuar recebendo público entusiasta, mesmo com novas torcidas surgindo.
Embora os negócios não estejam tão agitados como nos dias de jogos do Brasil, Aguayo prevê que os próximos jogos ainda atrairão um público considerável, especialmente em estabelecimentos que oferecem estruturas especiais para a transmissão das partidas. “A Copa não acabou; ela apenas entrou em sua fase mais emocionante”, conclui.
- Os bares e restaurantes de Curitiba continuam apostando no movimento, mesmo com a eliminação do Brasil.
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Fonte:: bemparana.com.br




