Boletins da Fazenda apontam resiliência da economia paranaense

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Fazenda.pr.gov.br

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) divulgou recentemente um conjunto de três novas edições dos boletins intitulados “Economia em Dia”, que oferecem uma radiografia detalhada das perspectivas macroeconômicas tanto no âmbito internacional e nacional quanto no cenário estadual. De acordo com as análises, mesmo diante de um panorama global marcado por incertezas e de políticas monetárias restritivas no país, o Paraná demonstra uma sólida resiliência econômica, sustentada pela diversificação e solidez de sua cadeia produtiva.

O material, elaborado pela Área Técnica de Economia (ATE) da secretaria, avalia de que maneira o território paranaense se posiciona frente aos choques externos. O principal alerta recai sobre as tensões geopolíticas, com destaque para os conflitos e instabilidades no Oriente Médio, que impactam diretamente rotas comerciais estratégicas, a exemplo do Estreito de Ormuz.

Para o setor agrícola do estado, essa situação representa um canal direto de vulnerabilidade, uma vez que o encarecimento do transporte marítimo e eventuais gargalos na logística internacional podem comprometer o fluxo de insumos essenciais, como os fertilizantes. Historicamente, cerca de um terço de toda a oferta mundial de ureia e amônia transita por aquela rota. Para se ter uma ideia da dependência, somente no ano de 2025, 35% de todo o volume de ureia importado pelo Brasil teve origem no Golfo Pérsico.

No âmbito interno, o Brasil enfrenta seus próprios desafios estruturais e conjunturais para deslanchar o crescimento, registrando uma projeção modesta de alta de 1,85% para o Produto Interno Bruto (PIB). O levantamento pontua que, no cenário nacional, a inflação persistente fechou o ano anterior em 4,91%, ultrapassando o teto da meta oficial pelo segundo ano consecutivo. Esse comportamento inflacionário obrigou o Banco Central a manter a taxa básica de juros, a Selic, em patamares elevados, fixada em 14,25% ao ano.

Com o encarecimento do crédito e o comprometimento expressivo da renda das famílias brasileiras — que chegam a destinar 48,56% de seus ganhos ao sistema financeiro —, o consumo interno perde fôlego, o que acaba por limitar o ritmo de expansão da economia em âmbito geral.

Como reflexo direto dessa conjuntura nacional, o Paraná sentiu os impactos nos setores mais dependentes de financiamento e crédito. A produção industrial do estado apresentou um recuo de 1,4% no acumulado de 12 meses. O impacto foi ainda mais pronunciado no comércio varejista de veículos automotores, que registrou uma retração de 8,4% no mesmo período.

Apesar desses obstáculos na indústria e no comércio de bens duráveis, a economia paranaense conseguiu registrar alta de 1,8% no Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-PR), evidenciando a capacidade de adaptação do mercado local. Essa manutenção do ritmo positivo é creditada principalmente ao desempenho do campo, que atua em sinergia com o setor terciário.

Conforme aponta o boletim regional, a perspectiva para a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas é de expansão, puxada principalmente pelos incrementos esperados nas colheitas de soja e milho. Essa força gerada pela agropecuária reverbera em outras atividades, mantendo o setor de serviços aquecido com um crescimento acumulado de 2,4%. O resultado foi puxado sobretudo pelo segmento de transportes, que avançou 2,2% devido à necessidade de escoar a safra, enquanto o comércio atacadista obteve um salto expressivo de 4,2%.

O economista Eduardo Paim, um dos responsáveis pela elaboração do informativo, destaca que, embora os juros altos imponham dificuldades à indústria e ao varejo, a solidez da agropecuária e o suporte dos serviços garantem a continuidade de um crescimento moderado no estado.

Diante das amarras macroeconômicas brasileiras e das turbulências internacionais, as análises da Sefa concluem que a robustez do agronegócio e a diversificação da matriz produtiva do Paraná funcionam como pilares essenciais de estabilidade, assegurando perspetivas favoráveis para o desenvolvimento econômico nos próximos anos.

Fonte:: fazenda.pr.gov.br

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