Campanha nacional destaca a importância do aleitamento materno e o combate a pressões comerciais

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: editor

Com o lema voltado para a construção de um começo de vida sustentável por meio da valorização de práticas eficazes, a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM) dá o pontapé inicial nas mobilizações oficiais do Agosto Dourado. A diretriz internacional, estabelecida pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), serve de base para as discussões promovidas em todo o país ao longo do mês.

O Ministério da Saúde tem intensificado as ações voltadas à proteção, promoção e suporte ao aleitamento materno. O posicionamento oficial aponta que a prática vai muito além do vínculo entre mãe e filho, configurando-se como um pilar essencial para a nutrição adequada, a garantia da segurança alimentar e a mitigação da vulnerabilidade social no território nacional.

Para famílias como a da dona de casa Lorrany Duarte, a temática ganhou contornos práticos recentes com o nascimento da caçula Elisa. Vivenciando a maternidade pela segunda vez, Lorrany adotou a amamentação em livre demanda como meta exclusiva para os primeiros seis meses de vida da bebê, visando garantir um desenvolvimento pleno e maior resistência imunológica.

A decisão é fundamentada em uma experiência anterior desafiadora. Há nove anos, com a primeira filha, a amamentação exclusiva foi interrompida logo no primeiro mês de vida devido à introdução de fórmulas infantis. Na época, segundo relata, a criança apresentou quadros frequentes de adoecimento e maior dificuldade no crescimento. Desta vez, para contornar eventuais obstáculos iniciais, ela conta com o apoio direto da irmã mais velha, Marielly Duarte, que tem auxiliado na rotina de extração e estímulo do leite.

Desafios e o assédio comercial de fórmulas

Apesar dos benefícios amplamente comprovados, especialistas apontam barreiras significativas no cotidiano das mães. A presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (DCAM-SBP), Rossiclei Pinheiro, alerta para a desinformação e para a forte pressão mercadológica exercida sobre profissionais de saúde e famílias em favor de fórmulas infantis.

De acordo com a médica, estratégias agressivas de marketing tentam convencer a sociedade de que tais produtos possuem o mesmo valor do leite materno, o que não procede. O assédio comercial costuma se fazer presente em ambientes hospitalares, redes sociais, consultórios e datas comemorativas, buscando influenciar a conduta de prescrição.

Critérios rigorosos para recomendação

A Sociedade Brasileira de Pediatria reforça que as fórmulas infantis são consideradas alimentos ultraprocessados e devem ser tratadas como exceção, recomendadas estritamente por médicos ou nutricionistas.

O uso é indicado apenas em cenários específicos, tais como contraindicações médicas maternas — a exemplo de mães que vivem com HIV —, impossibilidade física temporária ou definitiva de amamentar, falhas comprovadas no processo de lactação ou bebês diagnosticados com alergias alimentares severas.

Especialistas criticam a facilidade de aquisição desses produtos no comércio sem a devida orientação profissional. Para combater esse cenário, a entidade médica tem investido na capacitação de pediatras, aprimorando critérios de indicação e o manejo prático de complicações comuns na fase inicial, como fissuras e ingurgitamento mamário.

Vantagens socioeconômicas

Do ponto de vista macroeconômico, o incentivo ao aleitamento alinha-se diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A redução de gastos familiares com fórmulas e medicamentos decorrente da menor incidência de doenças na infância é um dos pontos centrais destacados pelos especialistas. Além disso, crianças mais saudáveis proporcionam maior estabilidade aos pais no retorno às atividades laborais, diminuindo índices de absenteísmo.

O Brasil conta com legislações específicas para coibir práticas abusivas de marketing, destacando-se a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), amparada pela Lei 11.265/2006. A normativa veda o repasse de patrocínios financeiros ou materiais diretos a profissionais de saúde e restringe a publicidade de mamadeiras, chupetas e bicos artificiais.

Tais restrições fundamentam-se em evidências científicas que apontam riscos associados ao uso de bicos artificiais, entre eles:

  • Confusão de bicos, que altera a mecânica natural de sucção do lactente
  • Redução do estímulo necessário para a produção contínua de leite
  • Desmame precoce e indesejado

Metas e avanços históricos

As diretrizes para o período buscam consolidar estratégias que já demonstraram eficácia na saúde pública. Em meados de 2024, o governo brasileiro firmou o compromisso de alcançar a marca de 70% de aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida até 2030, índice superior à diretriz global fixada pela Assembleia Mundial da Saúde.

O histórico nacional aponta uma trajetória de evolução expressiva. Os índices saltaram de patamares inferiores a 5% na década de 1980 para quase 46% em 2019, conforme levantamentos do Estudo Nacional de Nutrição Infantil (Enani). A continuidade dessas pesquisas em âmbito domiciliar segue monitorando o panorama nutricional e as práticas alimentares em todo o território nacional, atestando a relevância das políticas públicas voltadas à infância.

Fonte:: diariopr.com.br

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