Alerta da ONU aponta risco de colapso humanitário e crise severa em Cuba devido a sanções

Redação Rádio Plug
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Relatores de direitos humanos das Nações Unidas fizeram um apelo urgente nesta quinta-feira, 5, para que a comunidade internacional tome medidas imediatas. O objetivo é evitar que Cuba enfrente uma situação extrema, comparada por eles a uma “Gaza silenciosa”, decorrente direta do endurecimento das sanções econômicas aplicadas pelos Estados Unidos.

Os Estados Unidos mantêm um embargo histórico contra a ilha caribenha desde 1962. No entanto, o cenário humanitário se agravou drasticamente quando o governo norte-americano impôs um bloqueio severo ao envio de petróleo para o território cubano, medida intensificada a pedido do presidente Donald Trump.

De acordo com os especialistas da Organização das Nações Unidas, a interrupção no fornecimento de combustíveis e as demais restrições comerciais estrangularam a economia local. A população enfrenta hoje uma escassez alarmante de insumos e apagões generalizados por todo o país. Conforme os registros oficiais e de monitoramento, o sistema elétrico cubano já contabiliza 11 colapsos energéticos de grandes proporções desde o início de 2024.

Com a falta de energia contínua, setores vitais como transporte, saneamento, irrigação e a prestação de serviços básicos entraram em colapso. Essa conjuntura afeta de maneira profunda e desproporcional as parcelas mais vulneráveis da população, o que inclui mulheres, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

“As consequências humanitárias já estão se tornando uma crise generalizada, ameaçando os direitos à saúde, à vida, à alimentação e ao desenvolvimento”, alertaram os relatores da ONU em documento oficial.

Para milhões de habitantes, a rotina diária transformou-se em uma luta pela sobrevivência. Consequncias diretas da crise incluem a extrema dificuldade para obter água potável, alimentos básicos, realizar deslocamentos urbanos ou interurbanos e garantir condições mínimas de moradia e descanso.

Insegurança alimentar e escassez de medicamentos

Representantes de agências da ONU que atuam diretamente em território cubano também ecoaram o alerta. Há um risco iminente de agravamento da insegurança alimentar em níveis críticos, além de estoques criticamente baixos de medicamentos essenciais e outros produtos de primeira necessidade nos hospitais e farmácias do país.

Os especialistas foram categóricos ao repudiar o uso de restrições econômicas como ferramenta geopolítica. “A alimentação jamais deve ser usada como instrumento de pressão política. Medidas que privam deliberadamente uma população dos meios de subsistência violam as garantias mais básicas do direito à vida e minam a própria essência da dignidade humana”, declararam.

Diante da gravidade do quadro, o grupo exigiu que o governo dos Estados Unidos cesse imediatamente quaisquer ameaças e ações consideradas hostis à soberania de Cuba. Eles também pediram a revogação integral das medidas coercitivas impostas à ilha que, segundo eles, ferem o direito internacional.

O apelo estendeu-se aos órgãos máximos da diplomacia global. Os relatores instaram o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral da ONU a debaterem o tema com máxima urgência, tratando a situação sob a ótica da preservação da paz e da segurança internacional.

O comunicado foi assinado conjuntamente por diversos relatores especiais independentes do Conselho de Direitos Humanos da ONU, com especializações em áreas como direito à alimentação, direito ao desenvolvimento e os impactos negativos de sanções econômicas unilaterais. Vale ressaltar que os relatores atuam de forma autônoma e suas manifestações refletem análises técnicas independentes, não representando necessariamente uma posição institucional unificada de toda a Organização das Nações Unidas.

Histórico do embargo e reflexos atuais

O embargo econômico e comercial imposto por Washington a Havana remonta ao início da década de 1960. Contudo, a recente política externa norte-americana intensificou as restrições logísticas. Desde que o endurecimento das regras de fornecimento de petróleo entrou em vigor, o governo de Cuba conseguiu receber apenas um carregamento autorizado: um petroleiro russo que aportou em março trazendo 100 mil toneladas de combustível, reservas estas que já foram totalmente esgotadas.

Além do setor energético, a administração de Trump ampliou as sanções direcionadas a empresas estatais cubanas, gerando um clima de insegurança jurídica que levou diversas companhias e parceiros comerciais estrangeiros a suspenderem suas operações e investimentos na ilha.

No âmbito diplomático, o cenário permanece estagnado. No encerramento de junho, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou publicamente que as tratativas e negociações com Washington não apresentavam qualquer sinal de avanço.

Enquanto a pressão externa persiste e o impacto humanitário se aprofunda, o governo cubano tem tentado buscar alternativas de sobrevivência econômica, incluindo a implementação gradual de reformas voltadas ao livre mercado na tentativa de atrair capital e estimular a produção interna. As informações são de agências internacionais.

Fonte:: estadao.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo