A população cubana enfrentou mais uma interrupção total no fornecimento de eletricidade nesta sexta-feira, dia 18. O novo blecaute geral foi confirmado pelo Ministério de Energia e Minas, que atribuiu o colapso à forte deterioração das usinas termelétricas locais e à escassez crônica de combustível que afeta toda a ilha caribenha.
Por meio de uma publicação oficial nas redes sociais, a pasta responsável pelo setor energético detalhou a situação do sistema:
Se ha producido una desconexión total del Sistema Eléctrico.Ya comienzan a activarse los protocolos para la recuperación.
— Ministerio de Energía y Minas Cuba 🇨🇺 (@EnergiaMinasCub) September 18, 2026
Logo após a queda total da rede, autoridades governamentais indicaram que as equipes técnicas iniciaram os trabalhos para reverter o quadro. “Os protocolos para a recuperação já começam a ser ativados”, informou o ministério por volta das 14h06 no horário local, equivalente às 15h06 no horário de Brasília.
Histórico de falhas e impacto na rotina
Com este episódio, o país contabiliza o sétimo apagão generalizado apenas no atual ano de 2026. A situação de instabilidade na rede elétrica tem se agravado consideravelmente; desde o encerramento de 2024, a nação — que atualmente conta com uma população estimada em 9,4 milhões de habitantes — já registrou doze episódios de interrupção de grandes proporções em âmbito nacional.
As consequências dessas falhas sistêmicas vão muito além da falta de luz nas residências e ruas. As seguidas quedas de energia provocam o colapso no abastecimento de água potável e paralisam o funcionamento de eletrodomésticos essenciais, a exemplo dos ventiladores, que se tornam indispensáveis para amenizar as altas temperaturas registradas na região. Esse cenário de privações contínuas tem intensificado significativamente o desgaste e o esgotamento da população de Cuba.
Fator internacional e sanções econômicas
A crise estrutural do setor elétrico está profundamente atrelada ao cenário geopolítico e econômico. Os Estados Unidos mantêm um rígido embargo comercial contra Cuba desde 1962. No mês de janeiro, a administração liderada pelo presidente Donald Trump impôs novas restrições e endureceu as regras para o fornecimento de petróleo à ilha caribenha.
Desde a implementação dessas medidas mais duras, o governo norte-americano autorizou a atracação de apenas um petroleiro de origem russa, responsável por entregar uma carga de 100 mil toneladas de petróleo em março. Conforme os relatos oficiais e análises do setor, este volume de combustível já foi totalmente consumido pelas reservas locais.
Além do cerco aos combustíveis, a gestão de Washington ampliou o pacote de sanções direcionadas a empresas estatais cubanas. A medida gerou um efeito em cadeia, fazendo com que diversas companhias estrangeiras decidissem suspender suas operações e investimentos no território cubano por receio de punições.
No final do mês de junho, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou publicamente que as tratativas diplomáticas e negociações com o governo dos Estados Unidos não apresentavam nenhum avanço concreto. Diante do aprofundamento das dificuldades econômicas e energéticas, a administração de Havana passou a introduzir reformas de cunho liberal e voltadas ao livre mercado, em uma tentativa de atrair investimentos e estimular a economia nacional.
Fonte:: estadao.com.br


